Pensei que eu era a oficial, mas meu marido tinha outra!

Meu ex me assumiu como mulher porque tinha vergonha da outra. Quando descobri as malandragens dele, caí em depressão, mas dei a volta por cima!

Reportagem: Luiza Furquim (com colaboração de Gabriella Gouveia)

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. | Crédito: Redação Sou mais Eu/arquivo pessoal

Eu era uma esposa exemplar: bonita, bem cuidada e digna, tratava bem da casa e das crianças. Fazia tudo que meu marido pedia, não trabalhava porque ele não queria e tinha a comida pronta para quando ele chegasse. Isso quando ele chegava. O Jérson* era policial militar e dizia que trabalhava muito e ainda fazia bicos como segurança. Por isso, dormia muitas vezes fora de casa. Só que, na verdade, o cafajeste tinha uma amante, com quem tinha até filho! Ele não assumia a outra porque ela era vulgar e barraqueira. Eu nem desconfiava.

Eu fazia tudo por ele

Bem que me avisaram que o Jérson não prestava, mas, quando a gente se conheceu num pagode, há 19 anos, fiquei cega de amor. Eu morava em uma comunidade no Rio de Janeiro e minha única família era uma tia e meu filho, que o Jérson aceitou assumir. Ele nem era bonito, só sarado. E usava farda. Mas o Jérson me tratava como uma rainha. Vivia me dando presentes, me levava para sair e me cobria de elogios. Levou dois meses para ele me colocar dentro da sua casa. Aí, ele quis que eu deixasse meu emprego numa loja porque mulher dele não trabalhava. Ao mesmo tempo, me afastou dos meus amigos da escola de samba porque eu era muito cantada e ele morria de ciúme. Eu era uma "esposa troféu", que ele deixava na estante de casa enquanto saía pra vida. Minha sogra me adorava. Nosso relacionamento foi bom por 11 anos. É claro que eu não percebia como era dependente dele e tinha deixado de ser alegre depois que me afastei dos amigos, mas estava apaixonada pelo meu marido. Às vezes, o Jérson ficava quatro dias sem voltar pra casa e culpava o trabalho. Eu era trouxa e acreditava em tudo. A única coisa que me deixava desconfiada era o Jérson me procurar pouco na cama, só uma vez na semana. Ele sempre dizia que estava cansado...

Vi a outra no colo dele!

Só fui conhecer meu marido de verdade quando ele ficou detido no quartel, acusado de participar de uma máfia. Havia dois dias de visita por semana, mas nem sempre o Jérson queria que eu fosse. "Por que você não faz uma surpresa?", aconselhava uma amiga, ex-mulher de um militar, que já sabia o que estava rolando. Resolvi fazer a visita-surpresa quando ele já estava detido havia oito meses. Aí, ao chegar no quartel, peguei a amante sentada no colo dele com o meu filho e o filho dela ao lado! Tomei um choque. "O que está acontecendo?!", perguntei. Antes que o Jérson falasse, a sirigaita se adiantou e berrou: "Você não vai dizer pra sua esposinha o que você tem comigo, seu covarde?". A outra começou a me xingar e veio para cima de mim querendo me agredir. Minha sogra, que estava no andar de baixo, correu quando ouviu o barulho e ficou possessa. "Desce que eu não quero barraco", falou o Jérson. Só que o barraco rolou solto. A outra queria me bater, minha sogra queria bater nela e só não teve tapa porque os policiais entraram no meio. Voltamos no outro dia de visita e ele assumiu tudo. "O que está acontecendo é o que você já viu: tenho outra mulher. Dane-se!", disse, transtornado.

Sofri e engordei 18 kg

Isso aconteceu em 2006. Foi nessa época que comecei a ficar deprimida e a comer demais. Minha vida estava de cabeça para baixo. Me lembrei de quando peguei uma DST do Jérson e não entendi por quê. Era da outra, claro. Eu só chorava. Mesmo assim, continuei com ele, pois tinha esperança de que o Jérson largasse dela por amor a mim. Em 2008, eu já estava uma bola, com 18 kg a mais! Fiquei tão mal que meu filho mais novo começou a ter problemas na escola. Depois disso, fui procurar atendimento no posto de saúde e comecei a passar com uma psiquiatra que conversava comigo, como uma psicóloga.

Eu era passiva e controlada

Levei cinco anos para enxergar minha dependência e tomar uma atitude. Até então, tinha feito de tudo para agradar o Jérson quando ele saiu da detenção no quartel. Limpava a casa, fazia comida, baixava a cabeça para tudo que ele dizia. E o cafajsete começou a me maltratar ainda mais quando engordei. Até produto erótico comprei para tentar reacender a paixão. Nada. A cada consulta, a psiquiatra tentava me mostrar que minha vida não tinha acabado. Ela me fez ver como o Jérson me manipulou. Eu era muito carente quando a gente se conheceu. O Jérson sabia disso e dizia que era meu pai, minha mãe, minha única família. Percebi que uma esposa capacho era tudo que ele queria, pois poderia me controlar. Eu não sabia de nenhuma das malandragens dele. Mas a outra sabia de tudo. Posso achá-la uma ridícula, mas ele só era honesto de verdade com ela. Descobri que os dois estavam juntos desde o primeiro casamento dele e que foi por isso que ele terminou. "Mas por que você não casa com ela?", perguntei. Jérson disse que não tinha tanto amor assim pela outra. Mas não era possível estragar dois relacionamentos por uma pessoa e não ter amor. Graças à terapia, entendi que ele tinha vergonha dela porque ela era pobretona, brega e sem um pingo de classe. Não era mulher para casar, sabe? Quando me dei conta disso, fiquei com raiva do tipo de homem que ele era. Não era amor o que Jérson tinha por mim. Era posse. O homem que eu amava era uma ilusão. Com esse entendimento e as sessões com a psiquiatra, fui resgatando minha autoestima e, aos poucos, comecei a me cuidar e a me dar valor.

Botei o cafa na rua!

Um dia, em maio de 2013, a amante do Jérson me ligou para falar baixarias, como de costume. Eu já tinha dito ao meu marido que ia colocá-lo para fora se ela me ligasse de novo. Mais tarde, o Jérson saiu para comprar cigarro e arrumei as malas dele. "Vai embora", disse. "Mas essa casa é minha!", ele falou, furioso. "Não, senhor. Está no meu nome", rebati. Jérson disse que eu não conseguiria me sustentar sozinha. Mesmo insegura, falei: "Não quero saber. Passo fome. Mas você vai embora!". Ele foi. Depois disso, o Jérson morreu como homem para mim. Cansei de tentar salvar um casamento sozinha. Comecei a trabalhar como vendedora, namorei outro rapaz, voltei a me arrumar e já emagreci 10 kg! Menina, quando saio na rua tem homem que torce o pescoço para me olhar! Ah, também recuperei o contato com minhas amigas e voltei a sair. Não cortei relações com o Jérson porque ele é pai do meu filho. Mas acabei virando conselheira dele. Quando ele ia à minha casa levar a pensão, reclamava que a outra era ciumenta e não tinha educação. Até passei o número da minha conta para ele depositar o dinheiro e não ter que me ver. Eles continuam juntos com os arranca-rabos diários, mas eu não quero nem saber. Não é problema meu!  Hoje em dia estou radiante e completa. Conheci um rapaz que me trata como uma rainha, estamos juntos há um ano. Ele me ajuda em tudo e me respeita demais. Vejo que tudo que passei com o Jérson era uma ilusão, o sentimento não existia de verdade. Impressionante como descobrimos que podemos mais e nos sentimos melhor, quando somos valorizadas e amadas de verdade.

Luciana Leal Machado, 41 anos, promotora de vendas, São Gonçalo, RJ

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12/05/2017 - 19:47

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