Minha cunhada foi responsável pela morte das minhas três filhas

Só consegui perdoá-la depois que encontrei um novo sentido para viver

Reportagem: Luiza Schiff

Jackie e suas pequenas estrelas! | <i>Crédito: Redação Sou mais Eu
Jackie e suas pequenas estrelas! | Crédito: Redação Sou mais Eu
Você acorda, num domingo de manhã, feliz. Muito feliz. O mundo parece caber dentro do seu coração. Tem a vida com a qual sonhava: a família que sempre quis, apaixonada pelo marido com quem tem três filhas. Emma, de 8 anos, Alyson, de 7 e Katie, de 5. 
 
Na hora do almoço daquele mesmo dia, tudo mudou, e o coração ficou absolutamente vazio. “As três se foram”, disse o vizinho, Brad, ao dar a notícia. O amor que Jackie Hance, de 36 anos, sentia pelo marido também derreteu ao assimilar a tragédia que matou suas três filhas pequenas. Não que ele tivesse alguma responsabilidade no acidente, mas quando Jackie olhava para Warren, não conseguia deixar de pensar que Diane, irmã dele, tia das crianças, estava bêbada e tinha fumado maconha quando voltavade Nova Iorque dirigindo. A motorista bateu de frente em outro automóvel e morreu junto com as três sobrinhas e o filho dela.
 
Jackie passou um ano e meio esquecendo o acidente com amnésia seletiva. Quando lembrava pensava em suicídio, ou então pedia para que Warren a matasse para reencontrar as filhas, ou então pensava em matar Warren para que ele fosse para onde elas estavam. Amigos e parentes faziam rodízio para que Jackie nunca ficasse sozinha. A vida, totalmente dedicada às meninas, tinha ficado sem sentido.
 
Um dia, depois de uma crise de choro, Jackie percebeu que precisava olhar para frente. Como não podia mais engravidar por ter ligado as trompas depois do terceiro parto, fez inseminação artificial. Perdoou a cunhada. Teve uma filha, Kasey, hoje com 3 anos. Trabalha. Cuida de Kasey e sempre fica muito emocionada quando reconhece detalhes de Emma, Alyson e Katie nela.
 
Jackie se reencontrou com a vida. Compartilha a experiência de tristeza profunda para dar referência para outras pessoas. Acredita na espiritualidade. Escreveu um livro. Na capa, verde, cor da esperança, a foto das três meninas. Poucos títulos e subtítulos podem ser tão significativos quanto o do livro de Jackie Hance:
 
“Até que o tempo nos reúna”.
Uma história de perda, esperança e renascimento.
 
Principalmente renascimento. Porque, em algum lugar do universo, três pequenas estrelas estão muito felizes com o renascimento de Jackie.
 

14/07/2017 - 18:02

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