Larguei minha carreira para ser ator e palhaço

Não há nada melhor do que fazer o que eu amo!

Redação Sou mais Eu

O mais importante é o prazer de fazer o que amo! | <i>Crédito: Redação Sou mais Eu
O mais importante é o prazer de fazer o que amo! | Crédito: Redação Sou mais Eu
Eu gostava muito do meu trabalho como coordenador de marketing esportivo de uma grande multinacional. O problema é que eu trabalhava cerca de 14 horas por dia, viajava demais e estava chegando em um ponto que me sentia fragilizado de saúde, por não dormir bem e não me alimentar direito, sem contar o convívio social, que era bem pouco. Acabei ficando muito estressado e sem energia. Sem contar que meu salário, na época, de R$ 1.600 não era compatível com todo o trabalho desenvolvido e resultados que dava para a empresa. Até que, em 2001, durante a faculdade, realizei um trabalho de marketing cultural, que despertou algo em mim. Conheci alguns grupos de teatro e pessoas do meio artístico e comecei a pesquisar sobre artes cênicas, onde teria minha atração e paixão pela comicidade. Entrei em um grupo de teatro amador e comecei a me apresentar em alguns espetáculos nos fins de semana, em escolas e ongs, sem ganhar nada, ou melhor, ganhava experiência. Passei anos batalhando para conciliar meu emprego na empresa com as apresentações, além de fazer cursos, oficinas, pesquisar e estudar muito. Até que, em 2006, aos 26 anos, enquanto tentava negociar um reajuste salarial no meu trabalho, reuni alguns amigos do meio e fundei minha própria Cia. de teatro com apelo circense, a Cia. BuBiÔ, FicÔ LÔ. Começamos a nos apresentar em livrarias, espaços alternativos, empresas, escolas e teatros. Nossos números sempre envolviam palhaçaria e música. Optei por ser palhaço porque minhas referências de estudo sempre apontavam que minha altura (baixa) ajudaria muito para esse tipo de linguagem. Estudei Charles Chaplin e diversos outros cômicos e minha identificação fez com que eu buscasse, cada vez mais um corpo e caracterizações mais próximos deles. Como já tinha certa experiência com marketing, eu estudei e montei um planejamento para divulgar meu trabalho e chegar nas empresas para "vender" meu projeto. Assim, fiz muitos contatos e passamos a nos apresentar em empresas, institutos, programas culturais... Assim que alguns frutos desse trabalho foram colhidos, decidi fazer um acordo demissional com a multinacional. Na ocasião, meu diretor me chamou de louco, mas depois, de uns 2 meses de insistência, aceitou o acordo, desde que eu treinasse alguém para assumir minha posição. Alguns amigos também acharam que aquilo era loucura. Minha família ficou preocupada, mas me apoiou. No começo foi difícil, mas, aos poucos, a companhia foi deslanchando e, hoje, com 11 anos de atividade, estamos cada vez nos posicionando melhor no mercado cultural. Minha remuneração é muito variável, mas normalmente ganho mais do que recebia na empresa. Cada profissional que trabalha com a Cia. recebe, em média, R$ 400/500 por apresentação. Mas o mais importante é o prazer de se fazer o que ama e ser recompensado por isso. Sem contar que, com isso, a saúde revigora muito!

Anderson Tadeu Serrano (Nico Serrano), 37 anos, palhaço, ator, músico e produtor, São Paulo, SP

15/06/2017 - 12:00

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