Fiz três festas para comemorar o divórcio!

Encontrei a solução para deixar de lado a fossa e mostrar para todos que estava ótima

Reportagem: Giulia Gazetta (com colaboração de Carolina Almeida)

Encontrei a solução para deixar de lado a fossa e mostrar para todos que estava ótima | <i>Crédito: Arquivo pessoal
Encontrei a solução para deixar de lado a fossa e mostrar para todos que estava ótima | Crédito: Arquivo pessoal

Tem gente que gosta de comparar o divórcio com a morte. Aí, já viu: é um dinheirão gasto com remédio e terapia. Tive muito medo de que isso acontecesse comigo. Aí, reuni todo meu amor-próprio para virar o jogo: em vez de ficar deprimida, investi em uma festa para comemorar o fim do meu casamento! Deu tão certo que já fiz mais dois eventos de arromba para festejar a separação!

Vivi uma grande paixão

Eu tinha apenas 23 anos quando caí de amores pelo Márcio*, em 2005. Meus amigos ficaram surpresos quando souberam do meu amor arrebatador. Pois é, eu nunca havia me apaixonado até então. Nos conhecemos em uma balada e, rapidinho, mergulhamos um na vida do outro. Tanto que, em seis meses, subi ao altar vestida de noiva! Organizei uma festa para 85 pessoas em apenas três meses. E fiz questão de fazer tudo sozinha: era uma delícia cuidar de cada detalhe. Depois de trocarmos as alianças, saímos de São Paulo e fomos morar em Bombinhas (SC), onde construímos nossa casa. Não foi fácil largar tudo e todos, mas viver ao lado dele era tudo que eu queria! Depois de dois anos de uma vida mansa e feliz, meu marido, que é professor de luta, aceitou um convite para voltar a trabalhar na capital paulista. Como tenho uma empresa de comunicação e posso trabalhar de qualquer lugar, acompanhei meu amor. Só que as coisas começaram a mudar. Márcio passou a viajar muito a trabalho e quase não nos víamos por causa dos horários. E ele aproveitava para sair! Aí, era briga atrás de briga e percebi que só amor não segura casamento. Faltavam respeito e companheirismo. Em dezembro de 2008, depois de quatro anos casados, ele chegou às 3 h da madrugada e viu suas malas. Pedi o divórcio.

Fugi da tristeza!

Ao ver o Márcio saindo pela porta, senti um vazio danado no peito. Fiquei com muito medo de cair em um buraco de sofrimento. Eu era tão apaixonada por ele, como suportaria? Mas não ia me entregar! Levantei, sequei as lágrimas e fui para a internet. Pesquisei como as pessoas conseguiam sair da fossa. Vi de tudo: gente que curou um amor com outro, que decidiu ficar sozinha para sempre, até uma mulher no Japão que fez uma festa para comemorar o próprio divórcio. Olha só! Como sempre fui festeira, achei que esse seria um excelente pretexto para me jogar na pista! Parecia perfeito!

Entendi que o objetivo do “evento” era mostrar que os divorciados estavam bem, sem motivos para que sentissem pena deles. Também percebi que a festa do divórcio, com bolo, banda e tudo, ainda não tinha chegado ao Brasil. Reuni ideias de roupas e rituais e decidi: iria celebrar o fim do meu casamento com classe! Encontrei com o meu ex para falar sobre a festa e, claro, convidá-lo para participar. No começo, ele achou tudo muito estranho, mas depois até se animou! Só que amarelou alguns dias antes. Tudo bem, me virei mais uma vez e armei uma festa para 400 pessoas, incluindo meus padrinhos de casamento e meus pais!

Dia da descasada no salão

No grande dia, fui para um salão de beleza viver o “dia da descasada”. Cheguei na festa dentro de um daqueles carrões antigos, usando um lindo vestido branco. E estava muito bem acompanhada, no meio de dois dançarinos sarados que usavam apenas sunga. Ui! Depois, entrei no clima da fantasia e me transformei em uma romana. Contratei uma banda de casamento, joguei um buquê feito de rosas e preservativos e exibi no telão fotos minhas de solteira e fotos do meu casamento com o rosto do meu ex cortado. Meu bolo era separado ao meio, bem divertido: de um lado estava a noiva com uma taça de champanhe e, do outro, o noivo carregando uma mala. Algumas pessoas até me abordavam para saber como eu estava em relação ao divórcio. E eu dizia: estou comemorando! A festa acabou por volta das 5 h. Os convidados levaram “bem-separados” de lembrancinha. O doce tem o mesmo recheio do “bem-casado”, só que é embalado com papel preto.

Bodas de papel rasgado

Ouvi dos meus amigos que aquela festa tinha sido muito mais divertida do que a do meu casamento. Tanto que fui obrigada a organizar outra, um ano depois. Na época eu estava namorando, mas, mesmo assim, fiz as tais “bodas de papel rasgado”. O nome é uma brincadeira para a comemoração de “bodas de papel”, que celebra um ano de casamento. O problema foi que, dessa vez, eu estava completamente sem tempo por causa do trabalho. Aí, contratei uma empresa para me ajudar com a organização. Cheguei em uma limusine, vestindo preto, ao lado de violinistas que tocavam música eletrônica. Recebi 320 convidados e servi comida japonesa. O Márcio não foi convidado dessa vez. Já estava mais que superado. O bolo tinha uma rachadura no meio, com a noiva no topo, acompanhada de dançarinos, enquanto o noivo estava no andar de baixo, dentro de uma lata de lixo. A festa foi tão divertida quanto a primeira. E rendeu mais elogios.

Dei a terceira festa!

Depois do sucesso da segunda festa, recebi muitas mensagens de pessoas que gostariam de ter festas como as minhas e isso se transformou em uma ótima ideia: a Festa do Divórcio, a empresa que organiza festas de despedida de solteiro e de divórcio! Organizei minha terceira festa em 2011, cheia de novidades: contratei um ilusionista e saí de dentro de um baú gigante. Recebi 180 convidados, incluindo meu ex-namorado. Havia dançarinas, tequileiros e todo mundo estava fantasiado. Hoje meu divórcio está totalmente superado, estou solteira e me contento em organizar festas para os outros. Continuo na minha empresa de comunicação, mas é uma delícia ver um casal divorciado feliz da vida curtindo a festa que nós organizamos. O lema é este, gente: vamos comemorar a vida!

Meg Sousa, 35 anos, empresária, São Paulo, SP

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19/04/2017 - 16:50

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