Era faxineira e virei empresária de sucesso

Nasci pobre, com muitas impossibilidades, mas cheia de vontade!

Reportagem: Gregory Prudenciano

Porque o que enfraquece uns pode fortalecer outros e uma humilhação é capaz de abrir seus caminhos | <i>Crédito: Divulgação/Redação Sou Mais Eu
Porque o que enfraquece uns pode fortalecer outros e uma humilhação é capaz de abrir seus caminhos | Crédito: Divulgação/Redação Sou Mais Eu

Eu não parecia destinada a dar certo. Sou de família pobre, cheia de filhos – oito, contando comigo. Meus pais, nordestinos, vieram tentar a vida no Rio de Janeiro e sustentavam a casa com o salário de pedreiro dele. Para garantir comida no prato, larguei a escola na 4ª série e, aos 14 anos, trabalhava feito gente grande. Pois sempre entendi que o destino obedece nossa fé – em Deus e na gente mesmo. Acreditei, fiz por onde e deu certo! 


A humilhação me inspirou a vencer

Desde que me conheço por gente sou movida pela vontade de ser dona do meu próprio nariz – por mais que as pessoas e as circunstâncias sinalizassem o contrário. Mesmo nos tempos mais difíceis mantive os olhos fixos nos meus sonhos. Como na época em que era copeira num hotel chique, em Copacabana. Eu morava tão longe que precisava dormir lá a semana toda. Para pagar os pernoites dobrava o expediente, fazendo faxina. Só ia para casa no domingo de manhã... E voltava no mesmo dia, à noite.

Porque o que enfraquece uns pode fortalecer outros e uma humilhação é capaz de abrir seus caminhos. Eu estava com 20 anos quando um episódio que tinha tudo para destruir minha autoestima acabou sendo a inspiração para conquistar tudo o que eu queria. Eu tinha saído do hotel e havia me recolocado como assistente de cabeleireiro em um salão. Meu chefe era bem difícil e um belo dia, do nada, ordenou que eu parasse de cuidar do cabelo de uma cliente para pegar água para ele.

Meio contrariada por não entender o porquê daquilo, obedeci. Quando trouxe a água, ele ignorou. Depois de ficar um bom tempo com o braço estendido no ar, avisei: “Vou deixar o copo aqui, tudo bem?”. Não, não estava tudo bem. Num movimento brusco, o cidadão jogou toda a água no chão e gritou: “Agora você pega um pano, se agacha e limpa!”. Com os olhos cheios de lágrimas, fiz o que ele mandou e corri para o banheiro. Ali, enquanto chorava meu orgulho machucado, decidi nunca mais passar por aquilo. Como faria isso? Tendo o meu próprio negócio.


Como me preparei sem grana nem estudo  

Não ia ser fácil... Afinal, como uma pessoa sem estudo e sem dinheiro poderia chegar lá? Bom, podia me faltar escola e grana, mas vontade eu tinha de sobra. Comecei a ler livros de autoajuda, a traçar metas, estabelecer objetivos e persegui-los até o fim. Entendi como pensavam e viviam as pessoas de sucesso, quais hábitos as levaram aonde queriam. Organizei melhor minha vida financeira abrindo mão de comprar roupas, sapatos, deixei de sair muitas vezes e comprei livros sobre como administrar um salão de beleza. Me encantava a ideia de trabalhar num lugar que faz as pessoas se sentirem mais felizes com elas mesmas.

Absorvi tudo o que podia e, durante 27 anos de prática, nunca fiz curso nenhum. Aprendi a ser cabeleireira na marra, observando, lendo, absorvendo dos outros, tamanha era minha vontade de aprender. Assim, me preparei para agarrar a oportunidade certa. Ela surgiu há oito anos quando vi um pequeno salão de shopping à venda. O lugar estava todo feio, com cadeiras rasgadas, paredes sujas, e piso quebrado. Mesmo assim, eu olhava para aquele lugar e via a possibilidade de transformar meu sonho em realidade. Eu não tinha o dinheiro, mas estava tão pronta que contagiei meu marido Vanderlei, que é advogado, e ele fez das tripas coração para me dar o suficiente para a entrada.

As outras nove prestações eu teria de pagar com o que o estabelecimento rendesse. Era arriscado e claro que mil dúvidas me angustiavam. Eu daria conta? E se não desse certo? O que eu ia fazer com a dívida? Resolvi me agarrar ao pensamento positivo e fui em frente.


Estimulo tanto os funcionários que alguns até viraram concorrentes

Ah, quanta dificuldade eu enfrentei no começo! Não entrava dinheiro suficiente para a quantidade de funcionários que estavam lá quando cheguei. Dos 12, precisei demitir quatro. Eu era dona, mas não levava vida de patroa: fazia faxina, era recepcionista, cortava cabelo, tudo! Com muito trabalho e dedicação consegui mudar a atitude dos funcionários desmotivados. As coisas começaram a dar certo, as parcelas foram todas pagas e dois anos depois meu salão era um sucesso!

Em três anos e meio o salão vivia tão lotado que o jeito foi ampliá-lo. O que começou com 40 m² hoje ocupa 200m². A mulherada gostou tanto que começou a levar os maridos, filhos, namorados. Resultado: três anos depois de mudar para o novo salão abri também uma barbearia, no mesmo shopping.

Muito do meu sucesso tem a ver – e digo isso sem medo – com o fato de eu ser a melhor chefe que alguém pode ter. Estive a vida toda do outro lado e sei como é. Meus funcionários nunca passarão comigo o que eu passei trabalhando para os outros. Incentivo cada um deles a sonhar como eu sonhei. Três já viraram meus concorrentes e eu acho o máximo! Trabalho o dia inteiro, com prazer. Sou grata por chegar aonde cheguei e sinto muito orgulho de ser inspiração para minhas duas filhas – a Ingrid, de 33 anos, formada em direito, e a Isadora, 24 anos, morando nos Estados Unidos. Quero sempre inspirar os que me cercam para que não deixem as dificuldades colocá-los num lugar em que o medo e a insegurança prevaleçam.


Zenilda Araújo, 55 anos, Rio de Janeiro (RJ) 


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03/02/2017 - 19:02

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