Com um gravador, eu me vinguei bonito do meu ex

Ao mesmo tempo em que dizia que me amava, o canalha pegava outra. Até que no aniversário dela eu preparei um presentinho muito especial.

Luiza Furquim (com colaboração de Carolina Almeida)

Com um gravador, eu me vinguei bonito do meu ex | <i>Crédito: Divulgação
Com um gravador, eu me vinguei bonito do meu ex | Crédito: Divulgação

Não foi porque, depois de cinco anos de namoro, ele se afastou sem se dignar a dar uma explicação sincera. Também não foi porque ele me trocou pela ex. Aliás, não foi nem para acabar com o relacionamento dos dois. Eu me vinguei do Gilson* porque ele mereceu. Brincou com meus sentimentos por meses. Enquanto ficava com a Sandra*, dizia que me amava só para me manter de estepe. Pô, sou uma pessoa bem calma, mas paciência tem limite. E ele ultrapassou o limite da minha. Eu já tinha ouvido falar muito da Sandra. Era uma antiga namorada por quem Gilson havia sido apaixonado. Só que ele mesmo disse que ela fazia gato e sapato dele. Nossa, ele chegou a falar para mim que sentia ódio dela! Pois acredite: foi justamente por essa criatura que ele me trocou...

Se eu ficava perto, ele me tratava mal; se eu sumia, ele corria atrás

Durante cinco anos, Gilson foi o namorado perfeito. Me enchia de mimos e carinhos, dizia que me amava, fazia de tudo para estar comigo. Até que, em novembro de 2007, do nada, tudo mudou. Meu amor ficou ausente. Não fazia a menor questão de me ver e, quando me encontrava, era estúpido. Vivíamos brigando! Então, no dia 22 de dezembro, ele pediu um tempo. Disse que ainda me queria muito, mas estava confuso. Acreditei, claro! Mas eis que no dia 25 um amigo me deu a verdadeira explicação para aquilo tudo. “A Sandra está na cidade”. Após sete anos em outra cidade, Sandra tinha voltado para Monte Alto com um bebê no colo. Bastou ela ligar para o meu namorado para ele cair como um patinho. É estranho como algumas mulheres mexem com a cabeça dos homens. Vi o carro dele em frente à casa dela e tudo começou a fazer sentido. Era o começo do fim. Fiquei possessa. Quando exigi a verdade, Gilson disse que não estava rolando nada e que eu não precisava me preocupar. Mas, na verdade, ele queria me manter no banco de reserva caso não desse certo com a outra. Como eu o amava, me deixei levar na conversa.

Dessa vez e em muitas outras, acreditei que o Gilson não estava saindo com a ex. Foi uma época bem doentia da nossa relação. Se eu ficava por perto, ele me tratava mal. Se eu sumia, ele corria atrás. Minha vida virou um inferno. Aí, num domingo de manhã, Gilson me arrancou da cama para passear com a família dele. Disse que tudo tinha se resolvido. Mas, durante o dia, recebeu um SMS e mudou totalmente. Não falou mais comigo. Na volta, tomou a maior bronca do pai: “Você é um moleque. Tá me ouvindo? Moleque! Corre para aquela outra e deixa a Dani em paz”. Depois, falou comigo: “Você não tá vendo que ele não presta? Vai viver sua vida. Você é bonita, vai ser feliz!”. Parece inacreditável, mas ainda não foi daquela vez que deixei o Gilson de lado.

Enquanto me beijava, Gilson falava mal da outra e eu gravava tudo...

O namoro desandou, claro, mas eu continuava saindo com o Gilson – e ele naquele lenga-lenga sem fim com a Sandra. Chegou uma hora que eu cansei daquela história. Sumi da vida do canalha. Só que, em vez de ficar numa boa com a outra, ele passou a me perseguir. Eu tinha que dormir com o celular no mudo, porque acordava com 30 ligações perdidas. Não aguentava mais! “Quer saber? Vou mostrar para esse trouxa com quem ele mexeu”. Já que ele falava uma coisa e fazia outra, decidi desmascará-lo. Numa das ligações do Gilson, marquei de encontrá-lo. Aí, comprei um MP3 com gravador e falei para ele me pegar no trabalho. Entrei no carro dele com fones de ouvido, como se estivesse escutando música. E aí eu fiz a minha desforra. Dava beijos estalados e perguntava da outra. Eu me sentia o próprio lobo na pele de cordeiro. E o Gilson falou tudo que eu queria: que tinha vergonha do passado da ex, não queria assumir o filho dela e não a amava. “Penso em todos os caras com quem ela já transou e tenho nojo. Você é muito mais gostosa que ela. Faço sexo com ela pensando em você. Volta comigo, vai!”

No dia do aniversário dela, mandei a gravação de presente num CD

Mesmo me coçando para mostrar a gravação já na mesma hora para a Sandra, preferi esperar até o sábado. Era aniversário dela. Afinal, vingança é um prato que se come frio, certo? Enquanto aguardava, pedi a um dos meus cúmplices para melhorar a qualidade da gravação e deixar os sons dos beijos ainda mais altos. Aí, ele passou mais de uma hora de conversa para um CD, que eu e uma amiga embrulhamos com laços e corações. Um primor! No dia, um terceiro amigo levou nosso presente até a casa dela. Foi de moto, todo vestido de preto e com o rosto escondido pelo capacete. “Entrega pra Sandra.” Deixou e vazou. Três horas depois, o telefone tocou: era o Gilson. Atendi na maior cara de pau: “Oooooi! Tudo bom?” “Você é uma sacana, Dani!” “Nossa, o que aconteceu?”. Ele contou que chegou à casa da Sandra “inocentemente” e a encontrou sentada com a família na sala. Fria, disse que queria que ele ouvisse uma coisa. Aí, fez o Gilson escutar o CD inteiro. Sorrindo de orelha a orelha, eu disse: “Gilson, você achou que era charme? Não te quero mais”. Desliguei.

O safado queria nós duas e acabou ficando sem nenhuma!

Ah, nada como o gostinho da vingança! Naquele dia, saí para comemorar e espalhei a história para vários parentes do Gilson que eram meus amigos. A gente se divertiu muito à custa dele. Se ele e a outra terminaram? Ixe, não. Ela já estava trabalhando com a família dele, ia ser complicado... Eu sabia disso. Mas sempre que eu os encontrava numa festa, o bocó ficava me encarando e os dois brigavam feio.

Eles ainda ficaram juntos uns três ou quatro anos. Até que aconteceu aquilo que eu previa: a Sandra arrumou outro emprego. Em três meses, foi efetivada e a primeira coisa que fez foi largar o Gilson para ficar com outro cara. Ele ficou sozinho. Ainda corre atrás de mim, tenta me adicionar no Facebook, mas eu recuso. Eu descolei um novo namorado, me casei e estou muito bem, obrigada. Para o Gilson, eu tenho só duas palavras: perdeu, playboy!


Daniele com seu atual marido

Daniele Cristina Silva, 33 anos, gerente administrativa, Monte Alto, SP

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17/03/2017 - 10:00

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