"Os espíritos me disseram como vai meu falecido cão"

Um centro espírita especializado em animais ajudou a Miriam a dar fim nos pesadelos que vinha tendo com seu saudoso Chyvas

Reportagem: Christiane Oliveira, com colaboração de Daniel Lopes

MIRIAM APARECIDA DOS SANTOS | <i>Crédito: Arquivo Pessoal
MIRIAM APARECIDA DOS SANTOS | Crédito: Arquivo Pessoal
Fazia um ano e dois meses que o câncer tinha levado o nosso Chyvas. Eu e meus pais ainda sentíamos falta dos latidos e do jeito brincalhão dele, mas o luto já havia virado uma saudade serena, menos doída. Por isso, quando passei a ter pesadelos com ele todas as noites, logo imaginei que seu espírito estava sofrendo. Eu precisava falar com Chyvas. E sabia exatamente como faria isso: indo a um centro espírita especializado em animais. 

Ele era diferente... Tão paciente!

Eu e o Chyvas nos conhecemos em 2004, num projeto no qual eu trabalhava como voluntária. O programa se chama Cão do Idoso. Nele, eu e outros voluntários levávamos cachorros adestrados em asilos para que os velhinhos pudessem fazer uma espécie de terapia com eles. A paciência daquele golden retriever com os idosos era impressionante e me encantou! 

Por isso, quando a adestradora me disse que os donos não queriam mais saber dele, dei a dica para minha irmã. Ele passou um tempo na casa dela, mas como ficava muito sozinho acabou indo viver comigo e com meus pais. Virou a alegria da casa e durante nove anos encheu nossa vida com aquele amor que só os bichos sabem dar. 

Então, em fevereiro de 2013, percebi uma bola na pata esquerda dianteira do Chyvas. A radiografia apontou um tipo de câncer que invariavelmente se espalha para o pulmão. Doloroso, o tumor nos levou a amputar a pata do nosso amigo para amenizar seu sofrimento. Acredita que três dias depois da cirurgia o danado já andava normalmente, só com três membros? Era um guerreiro! 

Generoso até na hora de morrer... 

Se fizesse quimioterapia, o Chyvas teria um ano de vida. Mas em vez de prolongar sua existência com algo tão agressivo, preferi que tivesse qualidade de vida. Adotei terapias alternativas: remédios naturais, acupuntura e passes. 

Muita gente se surpreende, mas existem centros espíritas para animais. Uma amiga – kardecista, como eu – que me levou lá. Como foi bom para o Chyvas! Ele adorava tomar passe... Saía todo alegre, abanando o rabo. 

Controlamos a doença até outubro de 2013, quando a tosse e a falta de ar revelaram a chegada do câncer ao pulmão. No final de novembro, Chyvas já não comia e mal se levantava. Diante de tanto sofrimento, decidimos sacrificá-lo. 

Na tarde do dia seguinte, entramos com ele no carro e fomos para o veterinário. Quando paramos na frente da clínica, Chyvas suspirou e morreu nos meus braços. Era um ser tão bom, que não queria me deixar sentir uma eventual culpa por sacrificá-lo. 

Sua morte mexeu muito com nossa família. Quando começamos a nos habituar, vieram os pesadelos. Era horrível! Eu não conseguia me lembrar o que acontecia, mas lembrava que era ruim e envolvia o Chyvas. Passei a acordar ofegante de tanta angústia! 

Foi aí que lembrei: todo domingo de manhã a Asseama psicografa cartas dos animais desencarnados. Me mandei para lá. Numa ficha, pus o nome do Chyvas e contei como ele tinha desencarnado. Peguei uma senha e esperei ser chamada. 

A psicografia me devolveu a paz 

Uma hora depois, um médium com um papel nas mãos me chamou, me levou para uma sala e revelou que aquela era uma mensagem sobre o Chyvas! Ele dizia que após morrer ele havia ficado num hospital espiritual até se recuperar da morte física e, agora, recebe cachorros abandonados nas ruas. 

Chorei de emoção: Chyvas estava bem e praticava o bem. O médium explicou ainda que ele já acompanhou nossa família em outras encarnações. Nossa ligação é tão forte que passei a sonhar com as almas sofridas dos outros cães que ele recebe. Que alívio, que paz! Nunca mais sonhei com Chyvas, mas vivo na torcida para reencontrá-lo em outras encarnações! - MIRIAM APARECIDA DOS SANTOS, 39 anos, veterinária, São Paulo, SP

Trecho da carta psicografada sobre o Chyvas

“Ao adentrar o hospital veterinário após o desencarne (...), Chyvas apresentava importante desenvolvimento no núcleo das emoções. Capacitara-se para testemunhar que há homens que amam os animais como filhos. Por isso, após os meses de tratamento (...), graduou-se com o objetivo de amparar animais que desencarnam na solidão das ruas.”

Foto: Shutterstock

Eles têm almas livres de culpas e pecados

Fundada em 2006, a Asseama (Associação Espírita Amigos dos Animais) é o primeiro centro espírita brasileiro totalmente voltado à espiritualidade animal. Na primeira vez em que vai lá, o visitante conversa com um dos médiuns sobre seu bichinho de estimação. A partir dessa consulta, a espiritualidade define qual o tratamento recomendado para o animal – pode ser passe, cirurgia espiritual ou cromoterapia. 

O procedimento para quem busca informações sobre pets já falecidos é diferente. Primeiro, a pessoa preenche uma ficha. Nela, dá o nome do animal e conta como ele desencarnou. Os médiuns então oram e, por meio de uma equipe espiritual, recebem informações a respeito do bichinho. Tudo gratuito. Ficou interessada? Leia O Evangelho dos Animais (Ed. Asseama, R$ 40). Segundo o livro, a alma dos animais recebem tantos cuidados no plano superior quanto no dos humanos. Com um curioso detalhe: o espírito dos bichos não carrega culpas nem precisa expurgar pecados. O livro detalha ainda o processo de desencarne e reencarnação dos animais, explicando por que os laços de amor entre eles e seus tutores humanos nunca se rompem. Outras informações no site www.asseama.com.br/index.asp


04/09/2015 - 09:00

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