No quintal da minha família tinha 9 tigres e 2 leoas!

Eu e minha irmã até dormíamos na mesma cama dos nossos bichões de estimação!

Giulia Gazetta (com colaboração de Carolina Almeida)

Eu e minha irmã até dormíamos na mesma cama dos nossos bichões de estimação! | <i>Crédito: Arquivo Pessoal
Eu e minha irmã até dormíamos na mesma cama dos nossos bichões de estimação! | Crédito: Arquivo Pessoal

Eu estava bem satisfeita com os dois cachorrinhos que tinha em casa na adolescência, um pinscher e um yorkshire. Mas aí meu pai, que é adestrador de cães, resolveu fazer a revolução dos bichos na nossa chácara. Ele havia visitado um amigo que tinha um tigre como animal de estimação e ficou com essa história na cabeça. E, como nunca acreditei em coincidências, justo naquela época papai soube de um circo que estava doando animais. Sem pensar duas vezes, ele se ofereceu para adotar um casal de tigres adultos que, além de lindos, eram superdóceis e estavam acostumados a conviver com pessoas. Era 2005 e, nesse período, morávamos eu, meu pai, minhas duas irmãs e minha madrasta em casa, e todo mundo topou o desafio!

Eu dava leite na mamadeira para meus tigrinhos

Tom e Chang vieram morar com a gente na chácara, onde tínhamos um quintal enorme. Mas, como eles já eram adultos, com uma média de 22 anos, 350 kg e 3 metros cada um, montamos um espaço bacana para abrigá- los: tinha piscina, grama, rede de descanso e um cercado para isolá-los. Apesar de eles nunca terem entrado em casa, vivíamos juntos boa parte do tempo. Era só alguém chegar da rua para ser recepcionado com aquilo que eu chamo de “mordidas de amor”. Doía um pouco, claro, mas não era nada demais. Para nossa alegria, depois de dois anos, Tom e Chang tiveram um casal de filhotes. O problema é que, quando nasceram, os filhotes foram rejeitados pela mãe e, por isso, nunca puderam morar no mesmo espaço que ela. Então, decidimos criá-los dentro de casa mesmo! Meu pai estudou muito para saber quais os cuidados necessários para cuidar dos recém-nascidos. E ensinava tudo para a gente! Descobrimos, por exemplo, que não podíamos mexer na pata deles porque isso os deixaria irritados. Outro cuidado tinha a ver com a alimentação. Eu acordava de madrugada para dar leite a eles, na mamadeira mesmo. Quando eles já estavam mais crescidinhos, eu batia leite com ração de gato no liquidificador para alimentá-los. Logo eles já estavam maiores, comendo muita carne e aprontando poucas e boas. Eles comeram o sofá, a mesa e até o ar-condicionado, acredita? Nossa casa ficou toda bagunçada! Mas ninguém ficava bravo com eles. Era um amor só. Nunca tivemos nenhum problema com os tigres. Minha irmã adorava dormir com eles na mesma cama e, às vezes, eu também dormia. Até os nossos cachorrinhos, um pinscher e um yorkshire, conviviam numa boa com os felinos. Com o tempo, adotamos mais cinco tigres e duas leoas, todos adultos. Uma das leoas estava em depressão em um parque da cidade e a outra era cuidada por um casal que se separou e decidiu doá-la. Nossas “ferinhas” não conviviam entre si. Cada um tinha um espaço especial. Uma vez, esquecemos a grade dos tigres só um pouquinho aberta e uma das leoas resolveu ser curiosa e colocar o focinho lá dentro. Aí, foi uma confusão! Sorte que meu pai estava por perto e conseguiu impedir uma briga.

Éramos autorizados por lei a ter os animais na nossa casa

O Ibama e a Justiça permitiam nossas adoções. Gastávamos uma média de R$ 50 mil mensais para cuidar dessa bicharada. Recebíamos veterinários e biólogos em casa e os mantínhamos sempre muito bem alimentados. Além das atividades, claro. Mas, há 3 anos, a justiça declarou maus tratos e tirou os bichinhos de nós. Nós organizamos um movimento para lutar pelos animais e tenho esperança de que vamos vencer um dia e ter nossos animais de volta!

Uyara Borges, 27 anos, operadora de crédito, Maringá, PR

 DA REDAÇÃO

Os prós e os contras

Ter bichos em casa é uma delícia, mas cuidar de animais selvagens requer cuidados extras. Segundo o chefe de operação da polícia militar ambiental de São Paulo, o capitão Robis, “O licenciamento do Ibama é obrigatório no caso de adoção de animais desse porte. Quem decidir adotar também deve lembrar que eles custam tempo e dinheiro e que não há regra que faça o estado colaborar”.

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20/04/2017 - 14:49

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