“Minha máquina alimenta os cães de rua!”

Renan tirou o motor de uma geladeira velha e instalou reservatórios de ração e água para os animais. Eles mesmos se servem!

Reportagem: Gabriela Bernardes

Minha máquina alimenta os cães de rua! | <i>Crédito: Arquivo Pessoal
Minha máquina alimenta os cães de rua! | Crédito: Arquivo Pessoal

Pra mim, animais merecem tanta consideração e respeito quanto os seres humanos. Sou tão ligado nos bichos que, há três anos, todos os dias, levo comida e água para cachorros e gatos abandonados na praça principal da cidade onde moro. Mas eu ainda queria fazer mais. Foi então que, em dezembro de 2015, vi um post no Facebook mostrando uma máquina inventada na Turquia que distribuía alimentos para cães de rua. Como estudo engenharia e pretendo seguir a profissão, decidi juntar meus conhecimentos na área com minha paixão pelos animais para poder ajudálos ainda mais!

 

Gastei apenas R$ 100 para construir minha engenhoca

 

A máquina que eu tinha visto na internet era bem modernosa, mas, já que eu não tinha muito dinheiro para investir, resolvi improvisar. Como a original parecia ter o formato de uma geladeira, fui ao sistema de reciclagem aqui da cidade para procurar um refrigerador velho e dar início ao meu projeto.

 

Achei uma geladeira bem detonada, praticamente só uma carcaça. Paguei apenas R$ 5 nela. Com os outros materiais, desembolsei mais R$ 95. Levei tudo pra casa e botei a mão na massa. Retirei o motor e a parte elétrica do refrigerador e instalei dois galões internos: um para a água (de 20 litros) e outro para a ração (de 50 kg). Fiz dois orifícios na parte inferior da geladeira, um de cada lado, para a saída dos alimentos. Também criei compartimentos para abastecer a máquina.

 

O funcionamento é bem simples: basta colocar a ração no buraco correspondente e ela já cai no recipiente onde os animais se alimentam. Já a oferta de água é feita através de uma boia. Conforme o nível vai baixando, ela libera mais água.

 

Para finalizar, quis dar um acabamento bem bonito. Pintei a geladeira na cor verde e coloquei dois logos: do Erva Doce Pet Shop, onde o veterinário que me ajuda no projeto trabalha, e do Ágape, projeto criado por mim que fornece marmita para pessoas carentes.

 

Levei quatro dias para construir a máquina sozinho

 

Como fiz tudo sozinho, demorei quatro dias para deixar o aparelho pronto. O objetivo principal era ajudar cães e gatos, mas fiz questão de criar algo com material reciclado, pela sustentabilidade.

 

Decidi começar a usar a máquina na praça da Matriz, que reunia dezenas de cães abandonados. Como ela não tem rodinhas, levei no meu carro mesmo. Na primeira vez, os animais foram se aproximando e já perceberam que havia comida e água. Os moradores compraram a ideia e hoje são eles que abastecem a geladeira com ração diariamente! Fiquei muito orgulhoso. Mas todos os dias vou até lá para verificar se não tem algo danificado ou focos de dengue.

 

Uma vez por semana, a água ganha larvicida e o compartimento de ração recebe um remédio contra carrapatos e vermes. Tudo isso é feito pelo Mário Sérgio Ornelas, apoiador da causa.

 

Cerca de 50 cães são alimentados pela minha geladeira do bem

 

Hoje, quase 50 cachorros e alguns gatos visitam a geladeira diariamente para se alimentar. Estou realizado por meu projeto ter dado certo e motivado outras pessoas a contribuírem com essa causa.

 

Daqui a alguns anos, pretendo pedir à prefeitura aqui da minha cidade um terreno para que eu possa construir um canil e abrigar todos esses animais tão necessitados. Também procuro um patrocínio para fazer novas máquinas e ajudar mais bichos. Espero que meu projeto sirva de inspiração para outras pessoas. Afinal, a geladeira do bem é o maior sucesso! - RENAN LOURENCI, 25 anos, estudante, Uchoa, SP

04/04/2016 - 11:21

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