Meu cavalo e meu cachorro são melhores amigos!

Tundra e Luma correm no quintal, saem pra passear e dormem lado a lado; verdadeiros companheiros

Reportagem: Letícia Gerola

Quando nos demos conta, as duas já corriam pelo quintal de casa, brincando juntinhas. | <i>Crédito: Arquivo Pessoal/Alcides Neto/Redação Sou Mais Eu
Quando nos demos conta, as duas já corriam pelo quintal de casa, brincando juntinhas. | Crédito: Arquivo Pessoal/Alcides Neto/Redação Sou Mais Eu

Passear pela sala e ver um tucano, sair para o jardim e dar de cara com um bezerro. Pra mim, nada disso é estranho: minha família sempre teve fazenda, então, eu cresci em meio a bois e cavalos e vivo em contato com os animais. Também fazíamos resgate dos que sofriam maus tratos e cuidávamos deles até que pudessem ser soltos na natureza novamente. Vários animais exóticos já passaram pela minha casa – além do tucano e do bezerro, já abrigamos arara, periquito... Nossa fazenda se tornou um porto seguro pra qualquer espécie e os laços de amizade entre a minha família e os bichos são fortes. O que eu não imaginava é que outra amizade inseparável surgiria lá em casa: a de um cachorro com um cavalo.

Bati o olho na égua e foi amor à primeira vista

Cavalos são uma paixão antiga pra mim, gosto tanto que treino a espécie há nove anos! Virei até competidor de laço, que é quando uma pessoa montada no cavalo tem que laçar o boi. Além dos animais da fazenda e daqueles que a gente ocasionalmente resgatava, sempre tive cachorro em casa. Em 2013, peguei a Luma ainda bebê, uma cachorra da raça blue heeler que veio pra alegrar o lar.
  Três anos depois chegou a Tundra, uma égua que nasceu no estabelecimento onde eu ia treinar para a competição de laço. Vou nesse rancho com frequência, é como se fosse um hotel pra quem compete treinar a modalidade. Foi lá que eu vi a Tundra e foi amor à primeira vista! Ela era bem pequeninha, a mãe não conseguiu dar o suporte nutricional necessário durante a gestação e os criadores tiveram que entrar com mamadeira pra ela se fortalecer. Quando a vi, já imaginei a pequena no quintal de casa! Comentei com os amigos que estavam comigo e eles brincaram dizendo pra eu levá-la. Fui embora e a égua não saiu da minha cabeça, a brincadeira despertou um interesse real... Uma semana depois, lá estava eu buscando a Tundra pra morar comigo.

Nasceu uma amizade pra vida inteira

Moro com meus pais, minha irmã e meu sobrinho. Trouxe a Tundra pra casa e todo mundo se surpreendeu com o bicho, mas adoraram! Ela era muito quieta então demos uma atenção especial pra ela, atitude que deixou a Luma com ciúmes. Resolvi o problema usando a raça da Luma ao nosso favor: como é uma raça característica de pastoreio, colocamos as duas juntas pra que a Luma estimulasse a égua a correr e despertasse sua musculatura. Além de fortalecer a Tundra, conseguíamos dar atenção pras duas.   O que aconteceu em seguida ninguém conseguiu acreditar. Quando nos demos conta, as duas já corriam pelo quintal de casa, brincando juntinhas. Daquele dia em diante, surgiu uma amizade mais forte e sincera do que a de muita gente! Meu pai tem 60 anos e muita experiência com animais e nunca tinha visto uma relação dessas. As duas dormem no quintal, uma perto da outra. Se uma sai pra passear, a outra precisa ir também, senão fica deprimida. Tundra relincha, Luma late, e desse jeito as duas brincam a interagem o dia inteiro.

Os passeios das duas fazem sucesso

Saio pra passear com as duas quatro vezes por semana. Apesar do quintal grande, acaba ficando tedioso. Como a Tundra é um animal forte e grande e a Luma estava um pouco acima do peso, comecei a passear com as duas pra que ambas se exercitassem. Um dia vi a grama alta na frente de casa e, para o meu pai não precisar aparar, levei a Tundra pra comer aquela grama. A Luma ficava ao lado esperando e as pessoas que passavam na rua adoravam a dupla! Todo mundo vinha passar mão, tirar foto... Os passeios das duas eram um sucesso. O dono de um terreno desocupado viu a dupla e ofereceu o local pra elas brincarem – a correria das duas no terreno tornou essa amizade famosa!
  Tundra tem um ano e o seu crescimento está normalizado. Em pouco tempo, ela terá que retornar ao rancho para ser treinada e receber o tratamento adequado a um cavalo do seu porte. Não quero nem pensar nesse dia, a Luma vai sofrer muito – na verdade, todo mundo lá em casa também. Meu sonho para os próximos anos é ter meu próprio aras para criar cavalos! Por enquanto, vou cuidando da Luma e dos animais que aparecerem no meu caminho. Se teve uma coisa que aprendi com as duas é que o preconceito com o outro é coisa do ser humano. Para os animais, a amizade não tem restrições.

João Eduardo Leal, 25 anos, competidor de laço comprido e gerente de balada sertaneja, Campo Grande, MS

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12/04/2017 - 19:32

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