"Fiz o meu Juquinha andar com fisioterapia caseira"

Fábia Siqueira copiou e adaptou uma série de exercícios que viu num vídeo do YouTube e ajudou o seu cachorro a superar uma deficiência de nascença. Agora, ele vive correndo pra lá e pra cá!

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Fábia Siqueira | <i>Crédito: Arquivo Pessoal
Fábia Siqueira | Crédito: Arquivo Pessoal
Foi amor à primeira vista: assim que eu e o Gilmar, meu marido, batemos os olhos na ninhada da cadela do meu sogro, a Berruga, nos apaixonamos por um dos filhotes. Ele mal conseguia levantar a cabeça e, como não mexia as patas traseiras, se sujava todo ao fazer as necessidades. “Vamos levá-lo pra casa”, anunciei, sem pensar duas vezes. No que dependesse de mim, aquele cachorrinho iria virar o jogo!

Aprendi os exercícios num vídeo do YouTube

Batizamos o pequenino de Juquinha – ele parecia uma miniatura do vira-lata que já vivia conosco, o Juca. A primeira semana foi bem difícil! O coitado dependia da gente pra comer, beber, fazer as necessidades. Pra piorar, teve três convulsões. Foi horrível, achei que o bichinho fosse morrer! Corremos para a veterinária. Supreendentemente, ela não fez nenhum exame (o protocolo seria uma tomografia do cérebro e um raio-X da coluna) nem deu remédios. Só disse que já tinha visto um caso daqueles e que Juquinha iria andar. Aí, imobilizou as patinhas dele com esparadrapo, para que tivessem firmeza, e fomos pra casa.

Uma semana depois, quando o esparadrapo começou a ajudar o Juquinha a mexer as pernas, um amigo me mandou um vídeo. Nele, um cara mostrava os exercícios de fisioterapia caseira que tinham curado seu buldogue – que tinha o mesmo problema do Juquinha!

Alternando três estímulos, Juquinha andou em 1 mês

Já no dia seguinte comecei a fazer os exercícios no Juquinha. Primeiro, coloquei ele em cima de um tapete antiderrapante e fiz uma fileira com bolinhas de ração para ele ir atrás. E num é que o danado foi?!

No dia seguinte, com o coração acelerado de esperança, enchi um balde com água morna. Segurei o Juquinha pela barriga e pus as patas dele lá dentro. Por puro instinto de sobrevivência (temia se afogar), ele desandou a bater as perninhas. Alternei esses dois exercícios diariamente por 30 dias.

Quando as patinhas estavam mais firmes, pus Juquinha para andar numa canaleta de concreto bem estreita. Com o apoio das laterais, ele não só ficava em pé como foi conseguindo andar atrás das bolinhas de ração que, mais uma vez, eu usava de estímulo para que ele se mexesse. Já fazia um mês que vínhamos treinando quando, num dia em que eu estava no quintal, vi um vulto passar correndo atrás de mim. Pensei: “É o Juca”. Mas, quando olhei para trás, era o Juquinha! Ele havia tirado o esparadrapo das patas sozinho e estava correndo pela casa.

Senti uma gratidão imensa pelos esforços do Juquinha terem surtido efeito. Hoje, ele está com quase cinco meses, me segue por todos os cantos da casa e não dá um minuto de paz ao Juca. - FÁBIA SIQUEIRA FERREIRA, 30 anos, publicitária, Campo Grande, MS

Durante o tratamento: Juquinha vivia deitado e só se arrastava...

Exercícios realizados em casa podem realmente funcionar

Como o Juquinha não foi submetido a nenhum exame, ninguém sabe ao certo o que ele tinha. Mas, segundo a veterinária e terapeuta Rúbia Burnier, provavelmente era um problema neurológico adquirido no parto. De alguma forma, a medula dele acabou comprometendo a passagem dos impulsos nervosos para a coluna – daí o bichinho não conseguir mexer a cabeça nem as patas traseiras. Fábia acertou na mosca quando decidiu fazer, em casa, exercícios que estimulassem Juquinha a se mexer. 

Para a especialista, a fisioterapia caseira fez com que o cachorro criasse músculos e desenvolvesse força nas patas. “A iniciativa da Fábia forçou o cérebro do animal a ‘se lembrar’ de que ele tinha as patas de trás; consequentemente, a medula começou a funcionar e o Juquinha começou a andar normalmente”, completa. A doutora indica o uso de vídeos do YouTube para fazer os exercícios em casa – os tratamentos profissionais são caros. “Mas as dicas precisam ser confiáveis, vindas de veterinários ou estudantes. E devem passar pela avaliação de um especialista”, ressalta Rúbia.

23/06/2015 - 09:00

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