"Emagreci um cachorrinho obeso e salvei sua vida!"

O pobre do Bolinha estava com 36 kg e, por causa do seu peso, tinha virado atração turística de uma lanchonete. Uma judiação! Mas, com dieta e exercícios, ele está quase em forma!

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Michele Scopel e seu cão | <i>Crédito: Arquivo Pessoal
Michele Scopel e seu cão | Crédito: Arquivo Pessoal
Sou presidente de uma ONG que protege animais e, no ano passado, recebi uma foto de um cachorro muito obeso. A imagem era tão surreal que me recusei a acreditar, achei até que fosse montagem. Só levei a sério quando vi a mesma foto publicada em um portal de notícias. A reportagem dizia que o cachorro, conhecido como Bolinha, vivia em uma lanchonete ao lado de um posto de beira de estrada, em Tangará da Serra, aqui no Mato Grosso mesmo. Fiquei com o coração partido. Sabia que o cãozinho estava sofrendo com aquele excesso de peso. 

Não aguentei e entrei em contato com o estabelecimento para resgatar o cãozinho. Sabia que, se não houvesse uma intervenção urgente, ele logo morreria pela falta de cuidado. O rapaz que me atendeu disse que o Bolinha estava lá havia 12 anos e que eu podia buscá-lo se quisesse. Pedi que um voluntário da ONG, o Roger, fosse resgatá-lo.

Chegando lá, uma surpresa: o moço do telefone era apenas um funcionário e o dono do posto se recusou a liberar o cachorro. O motivo? Ele era “atração turística” do lugar: os carros paravam só para ver o animal gigante. Dá pra acreditar nessa crueldade?

O Bolinha já havia perdido a visão de um olho, estava cheio de carrapatos e só conseguia dormir em uma posição, aquela que o permitia respirar. Jogado em um canto do terreno, ele tinha apenas um pote com água suja de barro e se alimentava de restos de salgados que os visitantes jogavam ali.

Mesmo diante desse estado de saúde deplorável, o dono disse que estava “tratando” a obesidade do coitadinho com bolachas de água e sal. Vê se pode! Com muita conversa e a falsa promessa de que ele seria devolvido depois de tratado, conseguimos trazê-lo para cá. 

Levamos o Bolinha do posto direto pra clínica 

Nossa ONG, a Organização de Proteção Animal de Mato Grosso (OPA-MT), abriga mais de 200 cachorros e não tem estrutura para tratar da obesidade canina. Por isso, levamos o Bolinha direto para uma clínica de Cuiabá que tem aparelhos específicos para desenvolver o emagrecimento animal. Os donos fizeram um preço mais em conta para as diárias dele por lá, mas é a ONG que banca o tratamento e a alimentação dele, tudo por meio de doações on-line. Mensalmente, gastamos cerca de R$ 1.500: R$ 300 pelas diárias, R$ 1.000 pelo tratamento e mais R$ 200 de ração.

Como o Bolinha é muito dócil, não demorou para que todos se encantassem por ele. O problema foi que, logo que chegou, ficou três dias sem comer nada. Tentamos de tudo, de ração a carne moída com legumes, mas ele recusou. Para fazer um teste, a veterinária responsável comprou uma coxinha, dessas de padaria, e ofereceu em seu pratinho. Ele engoliu o salgado na hora! Como essa era a referência de alimentação dele, foi muito difícil mudar seus maus hábitos.

Começamos a misturar essas comidas de lanchonete com carnes, legumes e finalmente introduzimos rações. A transição foi feita gradativamente e hoje ele só come pequenas porções de ração diet. Além da alimentação, o Bolinha foi submetido a diversos exames e passou a ser tratado com exercício físico de baixo impacto. Três vezes por semana, ele caminha por dez minutos em uma esteira na água. Está funcionado muito bem!

Resgatamos o Bolinha no dia 17 de setembro de 2014 e, desde então, ele já eliminou 12 kg! Por sua idade avançada (calculamos que tenha, no mínimo, 12 anos), o emagrecimento é muito lento. Seu peso atual é 24 kg, mas o ideal é que ele chegue aos 15 kg em breve.

Desde que começamos a cuidar dele, os donos do posto só entraram em contato no começo, por causa da repercussão da notícia. O cara chegou a ficar realmente irritado com a ONG e ameaçou vir até aqui me processar ou tirar o cachorro de mim. Ainda disse que o caso sujou o nome dele na cidade. Depois disso, nunca mais sequer telefonaram. Visitar o Bolinha, então, nem pensar. Fora que não ajudaram em nada, nunca. Não os considero donos do cachorro. São apenas donos da propriedade onde esse animal sofreu durante tantos anos. 

O destino do cãozinho ainda é incerto 

Quando o Bolinha sair da clínica, devemos ficar com ele ou colocá-lo para adoção por alguém que realmente cuide dele com amor. É disso que todos os animais precisam: carinho, atenção e muito amor. - MICHELLE SCOPEL, 36 anos, advogada, Cuiabá, MT


Seu pet está obeso?

Para saber se seu cachorro está acima do peso, é preciso levá-lo a um veterinário, onde será submetido a uma bateria de exames. A obesidade está ligada à taxa de gordura corporal do animal, e não necessariamente ao peso. Segundo a veterinária do Bolinha, Fernanda Viccini, o sobrepeso é causado por dois fatores: má alimentação recorrente ou doenças hormonais. Por isso, é importante ficar atenta à dieta do seu pet: “Alguns alimentos são muito nocivos aos cães, como cebola, uva e chocolate. Legumes e frutas podem ser oferecidos ao animal às vezes, mas nada deve substituir a ração”. 


19/06/2015 - 09:45

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