É o bicho: "Minha arara e minha iguana são melhores amigas"

Alérgico ao pelo de cães e gatos desde criança, Lucas Fernando desenvolveu uma paixão por animais silvestres. Só não imaginava que eles pudessem se dar tão bem!

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Lucas Fernando Vieira | <i>Crédito: Arquivo Pessoal
Lucas Fernando Vieira | Crédito: Arquivo Pessoal
Quando levei o Valentino para casa ano passado, o Jack se apaixonou. Eles se deram bem logo de cara e, desde então, não se desgrudam. Antes que você pense que estou falando de duas pessoas, deixa eu explicar melhor. Valentino é uma arara Canindé e Jack é uma iguana. Os dois são meus bichos de estimação e moram com a minha família no Paraná. Mesmo sendo de espécies diferentes, os dois bichos são melhores amigos. O Valentino vive empoleirado no Jack e os dois percorrem o quintal juntos. Quem iria imaginar... 

Descobri que iguanas são animais dóceis e ótimas companheiras! 

O motivo pelo qual tenho pets tão incomuns é simples. Quando criança, tinha alergia ao pelo de cachorros e gatos. Queria tanto ter um bicho de estimação que meus pais tiveram que pensar numa solução e, aos sete anos, ganhei a Sany, minha primeira iguana. Pode parecer estranho, mas esses animais são ótimos companheiros. Iguanas são bichos tranquilos, dóceis e aceitam carinhos. Dava até para passear com ela pela rua numa coleira. Os vizinhos piravam. 

A Sany fugiu em 2000 e fiquei desolado. Na época, já havia me curado da alergia a pelos e a gente tinha alguns cachorros em casa, mas isso não me consolava. Acho que desenvolvi uma paixão por animais exóticos e incomuns. Aos 16 anos, depois de insistir muito, meus pais me deram o Jack, minha segunda iguana. Nos tornamos bons amigos e eu adorava ver o bichinho nadando pela piscina ou escalando as árvores. 

Os dois se aproximaram de cara e vivem andando juntos pela casa! 

Gosto tanto do Jack que nem a distância nos separa. Me mudei para São Paulo há dois anos para fazer pós-graduação e quase todo fim de semana encaro cinco horas de estrada para rever meu amigo. E, como sempre gostei dos bichos, não demorou para ir atrás de mais um e, em novembro do ano passado, o Valentino chegou. É uma arara macho brincalhona e gentil. Só que, ao mesmo tempo em que me dava grande prazer vê-lo pela casa, tinha dó de deixá-lo sozinho o dia inteiro. Afinal, ele não tinha nenhuma companhia... 

Ah, o Jack ficou mais do que feliz em resolver esse problema! Levei o Valentino para morar com meus pais, onde ele teria bastante espaço, e os dois se entrosaram de cara. O Valentino começou a gritar quando viu a iguana e ela se aproximou, sem demonstrar medo nenhum. Desde então, é comum ver o Jack tirando um cochilo na barriga do Valentino enquanto os dois se esquentam embaixo do sol. A primeira coisa que minha arara faz quando acorda é acordar a iguana. E os dois fazem a maior festa quando a gente vai pra piscina. O Jack entra com a família e o Valentino fica por perto, “conversando”. As crianças do meu bairro adoram quando saio pra passear com os dois, o Jack na coleira e o Valentino no ombro. Sempre pedem para por a mão. 

Compro meus pets num criadouro autorizado que entrega via avião!

Agora, meu objetivo é encontrar uma companheira para o Valentino. É caro – o Jack e o Valentino custaram R$ 5 mil –, mas já encomendei uma arara fêmea do mesmo criadouro de Goiânia onde ele nasceu. Eles são certificados pelo Ibama e mandam os bichinhos por avião com documento de origem, guia de transporte e até certidão de nascimento! Tudo isso é importante para garantir que os vendedores sejam fiscalizados e os animais não foram maltratados em momento algum. Só espero que o Jack não fique com ciúmes...- LUCAS FERNANDO ARMSTRONG VIEIRA, 24 anos, designer de produtos, São Paulo, SP



Pet silvestre deve vir de criadouro autorizado! 

Ter animais silvestres em casa como pets é permitido pela lei, mas com uma restrição. Você pode adquirir qualquer espécie de bicho, desde que ele tenha sido criado para essa finalidade e seja comercializado por estabelecimentos autorizados pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) ou pela Secretaria do Meio Ambiente do seu Estado. 

Estabelecimentos clandestinos são precários e ameaçam pet

Maria Izabel Gomes, coordenadora de fauna do Ibama, explica que isso é importante para evitar a atividade de criadouros clandestinos, que muitas vezes mantêm os animais em cativeiros precários e podem ameaçar espécies em risco de extinção. Para saber se um estabelecimento é autorizado, a especialista recomenda ligar para a Secretaria de Meio Ambiente do seu Estado. “Além disso, ao finalizar a venda, o criadouro emite uma nota de origem do animal, o que significa que tem uma licença para comercializá-lo.”

23/07/2015 - 10:00

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