"Dou uma segunda chance aos bichinhos!"

Françoise não consegue ver um animal sofrer sem ajudar, por menor que ele seja. Já cuidou e salvou sapo, aranhas, peixes, tartaruga e gatos que ninguém queria…

Reportagem: Katia Cardoso

FRANÇOISE CHRISTIANE FOURNET ANCELLONI | <i>Crédito: Arquivo Pessoal
FRANÇOISE CHRISTIANE FOURNET ANCELLONI | Crédito: Arquivo Pessoal
Ajudo animais desde sempre. E não são apenas gatos e cachorros, não. Já perdi a conta das vezes que resgatei insetos e outros animais de pequeno porte que a maioria das pessoas ignora no dia a dia. Eu não. Simplesmente não consigo. Quando vejo, já estou recolhendo, levando pra casa ou para um local seguro. Pode ser tartaruga, borboleta, peixe, lagarto, passarinho, sapo... Comigo é assim: o bicho precisou, não tem tempo ruim! 

Todos os animais têm uma função 

Desde que mudei para um bairro que fica muito próximo de uma área de mata nativa, em 2004, costumo cruzar com animais que saem da floresta e acabam se perdendo pelas ruas. Sem falar nos bichos que nos fazem “visitinhas” inesperadas. Foi assim com um sapo ferido na cabeça que apareceu sem ser convidado. Tentei devolvê-lo para a mata duas vezes, mas ele retornou e acabou se hospedando no meu jardim por duas semanas. Todos os dias, eu observava o ferimento do bichinho. Quando cicatrizou e ele se sentiu melhor, simplesmente foi embora. 

Em outra ocasião, salvei um lagarto que estava atravessando uma escadaria muito movimentada. Não pensei duas vezes e levantei o danado pelo rabo comprido! Levei até a beira da mata e o soltei. Foi pra lá também que levei um berçário de aranhas que se instalou numa árvore no meu quintal. 

Faço isso porque entendo que todos os animais têm uma função na natureza. Por menores que sejam, ajudam a manter o equilíbrio e, como sou espírita, sei que eles estão em processo de evolução. Muitas pessoas não entendem ou não aceitam meu comportamento e me acham maluca. Mas não me importo. Me preocupo com os bichos desde criança. Quando tinha 2 anos, comecei a falar e, a partir daí, nunca mais aceitei qualquer alimento que tivesse patas, olhos, asas ou barbatanas. Já sentia dó, aflição e uma confusão de sentimentos. 

Cresci e tive vários animais. Sofria muito toda vez que perdia um – na maioria, gatos e peixes. Quando tinha uns 10 anos, salvei um peixe de um lago ornamental público muito sujo e invadido por várias pessoas. Levei o coitadinho pra casa e ele viveu três anos em minha companhia. 

Com a convivência, meu amor e o interesse pelos animais só aumentou. Passei a resgatar e proteger toda borboleta e cigarra feridas que encontrasse. Eu as recolhia com todo o carinho e cuidado, deixando depois no pequeno jardim da minha casa. Assim, elas não seriam pisoteadas na rua ou virariam brinquedo de algum animal maior. Na minha casa, elas se recuperavam até terem condições de voar. 

Em 2001, apareceu uma gatinha em casa. Eu e minha irmã cuidamos dela até que, logo depois, nasceram cinco filhotinhos. Para não desampará-los, tentamos doar todos de uma vez. Mas a mãe, infelizmente, morreu. Aí, fiquei com um deles e doei os outros para um casal. O que ficou com a gente recebeu o nome de Ozzy e, com certeza, foi o gato mais incrível que já conheci! Tanto que, oito anos depois, mudou comigo para a casa em que vivo hoje. Na época, eu já namorava o Alexandre e resolvemos nos casar. 


Os bichos também me adotam 

Às vezes, acontece de o animal nos adotar. Há dois anos, o Alexandre dirigia numa rua movimentada quando viu uma gatinha na pista. Os carros pararam para não atropelar a bichinha, que se escondeu embaixo do carro do meu marido. Ele a procurou por toda parte, mas ela sumiu. 

Quando ele chegou em casa, ouvimos um miado forte. Aquela pequena bolinha de pelos estava escondida num vão entre o eixo traseiro e o estepe! Passamos duas semanas convivendo com ela e tentando minimizar o trauma de ser abandonada e de viajar naquelas condições. Claro que, com sua chegada, a família aumentou! 

Desde que estamos vivendo perto da mata, devolvi à natureza diversos animais feridos ou perdidos: pequenos pássaros, um filhote de urubu, um lagarto e um esquilo silvestre. Já defendi uma pequena iguana de um grupo que ia pegá-la e salvei uma tartaruga que escapou da casa vizinha e foi parar numa avenida de trânsito intenso! 

Nesses anos, descobri que defender os bichos não é apenas parar de comer carnes e não usar produtos derivados de animais. Aprendi também que, se não podemos salvar todos, devemos ajudar ao menos os que estão perto de nós. Eu e meu marido armazenamos reciclados para ajudar os abrigos, divulgamos na internet eventos em prol dos bichos e promovemos ações para conscientizar as pessoas contra qualquer tipo de crueldade. Esse é meu trabalho e o que me dá prazer! - FRANÇOISE CHRISTIANE FOURNET ANCELLONI, 38 anos, administradora em logística, Ribeirão Pires, SP

20/11/2015 - 09:00

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