Deixei a lista de casamento num pet shop!

Ganhamos ração, comedouros, mantas e mil presentes pros bichinhos...

Reportagem: Letícia Gerola

Montei uma lista de casamento animal! | <i>Crédito: Arquivo pessoal/Redação Sou Mais Eu
Montei uma lista de casamento animal! | Crédito: Arquivo pessoal/Redação Sou Mais Eu

Cresci com gatinhos dentro de casa. Já o Marcos, meu marido, sempre teve cachorro. Enquanto eu ainda tinha a ideia de que animal se comprava e que eles tinham que ser de raça, o Marcos vivia resgatando bichinhos da rua e criando vira-latas. Nos conhecemos há quinze anos e moramos juntos há cinco – nesse período, comprei dois gatinhos e ambos faleceram de doenças congênitas. Fiquei arrasada! Foi quando comecei a ter contato com vira-latas e com as ONGs que resgatam animais de rua. Percebi que precisava fazer algo por esses bichos dóceis que só precisavam de um pouquinho de amor.

Tínhamos tudo! Já os animais...

Decidimos nos casar em maio do ano passado. Naturalmente, a lista de presentes virou um grande assunto em casa. Como morávamos juntos já há cinco anos, tínhamos a nosso lar todo montadinho, não havia necessidade de encher com vários utensílios... Foi quando surgiu a ideia de deixar a lista de casamento no pet shop, doando os presentes para ONGs que atuam com animais. Eu sempre senti a necessidade de fazer doações e me mexer um pouco mais para ajudar os bichinhos... Mas as instituições precisam de tanta coisa que eu me sentia pequena perto da necessidade deles. Foi quando vi que meu casamento, um momento de amor e união, poderia significar uma grande ajuda pra esses animais. Sugeri a ideia e meu marido abraçou na hora.

Entrei em contato com várias instituições da região pra saber o que eles precisavam com mais urgência. Montei uma lista de casamento animal! Quando pensamos em doação, ração é o primeiro item que vem a cabeça, mas acabei descobrindo que essa não é a necessidade primordial: medicamentos são os primeiros na fila de importância. Itens que eu nem imaginava também faziam parte do rol de necessidades: comedouros automáticos, por exemplo. A ONG Gatos da Lagoa do Taquaral precisava muito deles para instalá-los em diferentes pontos da lagoa e alimentar os gatos que vivem por lá.

Nenhum pet shop entendia o que fazer com a lista

Encontrar um pet shop que topasse a ideia foi outra batalha. Por ser uma situação inusitada, ninguém entendia porque eu queria deixar a lista de casamento ali! Fora a burocracia para armazenar os presentes comprados até eu transportá-los para as ONGs. Ninguém embarcava na ideia. Foi quando eu conheci a 100% Pet, uma rede de pet shops que topou na hora e ficou superanimada com a ideia! Pesquisamos as ONGs que gostaríamos de ajudar e focamos naquelas que faziam um trabalho constante de suporte aos animais ao invés de algo sazonal e temporário, aí estava tudo pronto: lista de itens e ONGs na mão, era só disparar os presentes que sonhávamos para os convidados.

Muita gente estranhou a lista no pet shop, tivemos vários depósitos em dinheiro! As pessoas simplesmente não entendiam. Recebi comentários como “mas vou te dar só isso?! Um comedouro?!”. Tentei explicar que, para nós, não era “só” aquilo, tratava-se de um gesto que significaria uma ajuda imensa para milhares de animais. Foi a primeira vez pra todo mundo: nossa, dos convidados e até do pet shop!

Aprendemos muito

Acompanhamos todo o processo de entrega das doações. Por coincidência, uma das ONGs estava fazendo uma feira de adoção no dia que fomos entregar o material, foi uma delícia ver alguns dos bichos que ajudamos! Hoje tenho um gatinho adotado e pretendo adotar outro. Meu marido me ensinou muito sobre o prazer em adotar. Depois do trabalho com a lista de casamento, levanto todos os dias essa bandeira. O comércio de animais virou um negócio, bani totalmente essa ideia da minha vida. A sensação de adoção é única!

Priscilla Kiem, 40 anos, arquiteta, Campinas, SP


DA REDAÇÃO

Qual o papel do pet shop nisso?

Encontrar um estabelecimento que concordasse em executar a ideia foi uma das maiores dificuldades de Priscilla... Até que conheceu a 100% PET, rede de franquias do setor. “Temos no nosso DNA o apoio às ONGs: fazemos feirinhas de adoção quase todo sábado nas lojas da rede. Doamos parte do faturamento para essas instituições e organizamos campanhas de natal. Ficamos surpresos com a sugestão, mas fez todo sentido participar”, explica Natália Miranda, gerente de marketing da rede. Ainda não apareceram outros pedidos semelhantes, mas Natália garante que a loja está pronta para organizar mais listas de casamento - sem cobrança, como foi feito para Priscila. “Fiquei impressionada. Aniversário as pessoas fazem todo ano, mas casamento... Planejamos para que seja apenas um! E ela cedeu essa data para dividir com os animais que mais precisam, não tinha como deixar o trabalho e a burocracia ficar no meio disso”, completa.

 

 

11/01/2017 - 20:32

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