Cão Herói: “Meu cachorro me salvou de dois ladrões”

Ao ver a arma apontada para o dono, Max avançou. Com medo, os bandidos fugiram, mas quase mataram o cachorro...

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Ele arriscou a própria vida para me salvar. Tenho uma dívida eterna. Muito obrigado, Max! | <i>Crédito: Arquivo Pessoal
Ele arriscou a própria vida para me salvar. Tenho uma dívida eterna. Muito obrigado, Max! | Crédito: Arquivo Pessoal

O Max é um boxer muito pacífico e companheiro. Ele vive comigo desde 2008, quando ainda era um filhote de 50 dias que tinha acabado de desmamar. Apesar de ser um cachorro grande, nunca foi de rosnar ou latir para estranhos. Muito pelo contrário! Era brincalhão, dócil e “dado”. Fazia amizade com qualquer pessoa que chegasse perto. Mas, quando me viu em perigo pela primeira vez, o Max se transformou num verdadeiro cão de guarda. Ele me protegeu de dois bandidos que queriam levar meu carro e poderiam ter me matado. A coragem dele quase custou sua vida... 

Achava que ele não morderia uma mosca. Que bom que me enganei

Tudo aconteceu num domingo comum de 2011, quando eu ainda tinha uma pequena mercearia na cidade. Havia passado o dia todo aproveitando o tempo bom num sítio com minha família e meu cachorro. Na época, o Max já tinha o tamanho de hoje e, como a raça dele é ativa e musculosa, poderia ser considerado como um animal intimidador por algumas pessoas. Mas eu, as crianças e os vizinhos da vizinhança conhecíamos sua personalidade. O Max não faria mal a uma mosca.

Bom, isso era o que a gente pensava. Naquele dia, voltei do sítio à noite e fui até o quintal da mercearia, que ficava perto de casa, para deixar o Max. Ele dormia lá. Eram 11 horas da noite quando abri o portão e, de repente, fui rendido por dois homens armados. Parecia até que eles estavam me esperando. Eles exigiram a chave da caminhonete que eu dirigia e fiquei tão nervoso que, no calor do momento, não conseguia encontrá-la de jeito nenhum. E aí, pensando que eu estava de sacanagem, os ladrões começaram a ficar nervosos também.

Os dois assaltantes se irritaram rapidamente porque não queriam que ninguém os pegasse no flagra. E, quanto mais tempo passava, mais risco eles corriam. Aí já viu. A dupla resolveu me apressar apontando a arma para mim. Cada um tinha seu próprio revólver e, quando percebi, havia dois canos pretos bem na minha cara. Só tive tempo de ver o dedo de um deles encostar no gatilho. Me joguei no chão para desviar do tiro, ouvi um barulhão e senti uma coisa molhada e quente na minha testa. Era sangue. Uma bala pegou de raspão.

Traumas podem transformar animais dóceis em bichos agressivos

Nessa hora, meu cachorro pacífico se transformou e, latindo ferozmente, atacou os dois assaltantes. Eu estava preocupado demais com o sangue que escorria da minha testa para prestar atenção nos detalhes, só sei que ouvi mais dois tiros. Os bandidos tinham atirado no Max! Foi um escarcéu, com barulho de tiro, o cachorro ganindo e os assaltantes fugindo na noite. Não sei se o Max conseguiu morder os canalhas, mas deu um susto neles, que se esqueceram da minha caminhonete e raparam dali. Mas, se eu tive sorte, o Max nem tanto. As balas pegaram em cheio...

O Max virou herói, mas ficou traumatizado. Só aceita a mim

Aquele ato de amor me deixou muito emocionado. Ao mesmo tempo, mal conseguia pensar de tanta preocupação. Ignorei o horário e liguei para o veterinário do Max. Expliquei a situação e corri para lá, onde descobri o estrago que aqueles dois criminosos haviam feito: uma das balas entrou pelo peito do meu boxer e o atravessou até sair pelas costas! A outra pegou em uma das pernas da frente. O coitado precisou de uma injeção para dor e de uma cirurgia. Ele ficou internado por três dias e sua pata foi imobilizada. Graças a Deus não aconteceu nada grave. Retribuí o favor feito pelo Max ao salvá-lo também.

O Max virou um herói, primeiro em casa, depois no bairro e na cidade toda. Sua coragem virou matéria de jornal e até estrangeiros publicaram a história. Sou eternamente grato a ele e sei que ele me protegeu não apenas por instinto, mas por amor e lealdade. Só que esse episódio deixou marcas no meu cachorro. O Max está traumatizado. A única pessoa que pode se aproximar dele sou eu. Quando outras pessoas tentam fazer carinho em seu pelo, ele rosna e fica uma fera. Procuro dar bastante amor a ele e espero que melhore. Mas, ah, se eu encontrasse aqueles bandidos outra vez... - OSMAR PERSICO, 51 anos, caminhoneiro, Garibaldi, RS


08/04/2015 - 12:00

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