Amor canino: "Abri mão de ter um bebê e adotei um pet"

Taciana e Samuel adiaram o sonho de ter um filho, mas a cachorra Biloca completou a família e os ensina a ser pais todos os dias!

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TACIANA MANZONI CORREA | <i>Crédito: Arquivo Pessoal
TACIANA MANZONI CORREA | Crédito: Arquivo Pessoal
Casar e ter filhos. Era esse o plano quando eu o Samuel noivamos, em 2013. Ele sempre foi muito decidido e já pensava na nossa futura família! Então, no início do ano seguinte alugamos um apartamento, fomos atrás dos móveis e deixamos tudo com a nossa cara. Detalhe: o apê tinha um quarto para o nosso bebê, pois nosso objetivo era ter um filho no primeiro ou segundo ano de casamento. Nos casamos em fevereiro deste ano e já conseguimos transformar em realidade nosso sonho de ser pais. Só que de um jeito um pouquinho diferente... 

Ter filhos era incompatível com nossas metas

O Samuel tem 27 anos e, desde a época em que namorávamos, deixou bem claro que desejava ser pai antes dos 30. Ele queria ter energia e disposição para cuidar das crianças e aproveitá-las ao máximo. Ape-sar de ter apenas 24 anos, eu também tinha muita vontade de ser mãe e constituir uma família grande, daquelas que se junta aos domingos pra almoçar, sabe? A gente achava que teria condições de cuidar dos pequenos, trabalhar e seguir nossos sonhos. 

Mas aí, conversando com nossas famílias e amigos casados, percebemos que criar um bebê agora não seria tão fácil. Todos diziam que a chegada de uma criança significaria nos dedicarmos integralmente a ela. Minha mãe chegou a me dizer: “Case, mas não tenha filhos!”. Ela me achava muito nova para assumir uma responsabilidade tão grande e não queria que eu abrisse mão dos meus planos para cuidar de um bebê. 

Mesmo com tanta gente contra, a gente sabia que a decisão era nossa. Então, colocamos tudo na ponta do lápis: gastos, tempo, planos que teríamos que abandonar... Eu, por exemplo, sonho em conhecer o Egito. Com uma criança em casa, essa viagem não ia rolar. O Samuel quer fazer uma pós, mas com um bebê fica complicado. A dedicação que um filho exige não estava batendo com nossos objetivos. Aí veio a questão da grana: roupas, fraldas, comida, babá, escolinha... De onde a gente ia tirar dinheiro para tudo isso? Já era difícil manter nosso apartamento alugado mesmo com os dois trabalhando muito.

Percebi que, enquanto mulher, eu teria de abrir mão de muitas metas para ser mãe. Além disso, também me dei conta de que não estou preparada para arcar com as mudanças que um filho provoca no corpo. Por isso, fui a primeira a assimilar a dura realidade: uma criança agora seria uma missão impossível! 

Então, passei a conversar com o Samuel sobre adiarmos nosso sonho. No começo, ele foi um pouco resistente, mas logo percebeu que seria muita responsabilidade para nós dois. Decidimos que não estamos aptos para cuidar de uma criança agora. Ainda queremos ter filhos, mas o plano ficou para daqui cinco ou seis anos. 

Nossa cadelinha preenche o vazio que fica na casa

Mas não desistimos de aumentar nossa família agora, não! Para compensar a ausência de uma criança e completar nosso lar, decidimos adotar um cachorrinho! Afinal, também seria uma vida para cuidarmos, né? 

A ideia surgiu quando a cachorra de uma tia deu à luz filhotinhos lindos, no final do ano passado. Assim que desmamaram, reservamos um. Aí, quando mudamos para o nosso apê, a Biloca já entrou na nossa vida. Ela é uma salsichinha supersimpática e dócil. Depois de apenas uma semana de convivência em casa, a gente teve ainda mais certeza da nossa decisão: cuidar de outra vida dá um trabalhão! Tem que alimentar, dar carinho, levar pra passear, ao veterinário... Criamos e educamos a Biloca do zero! 

Nossa relação com ela é muito especial, somos completamente apaixonados! Nossa bebê preenche o vazio que fica na casa. Durante o dia, deixamos a pequena com minha mãe, que chamamos de avó, pra bichinha não ficar só. Uma vez, mamãe não pôde trazer a Biloca de volta à noite e a gente ficou supermal. Fomos dormir bem tristes, com saudades. 

Reconheço que mimamos nossa filha demais. Logo que chegou aqui, ela chorava pra dormir e a gente acostumou a danadinha a ficar na nossa cama. Foi um erro de criação, mas quem aguenta um filhotinho choramingando com aqueles olhos gigantes de dar dó? Eu não dava conta mesmo! 

A Biloca foi uma espécie de teste que deu certo. Graças à convivência com ela, eu e o Samuel aprendemos que cuidar de alguém exige imensa responsabilidade e a dedicação. Isso é ótimo, pois de certa forma me tranquiliza, sabe? Hoje tenho a certeza de que seremos ótimos pais quando decidirmos ter um bebê de verdade! - TACIANA MANZONI CORREA, 24 anos, assistente de tráfego, Santo André, SP



“Foi uma decisão mais racional do que emocional”

“Por mais que meu sonho fosse ter filhos antes dos 30 anos, fui obrigado a reconhecer que isso não seria saudável para nós agora. Tenho amigos que optaram por ser pais muito jovens e, vendo o jeito que eles tocam a vida, percebo que eu e a Taciana teríamos que abdicar de muitas coisas para fazer o mesmo. Foi uma decisão madura e racional. Então, resolvemos ter a Biloca porque gostamos muito de cachorros! Ela é uma ótima companhia e nos faz muito feliz. A bichinha dorme com a gente, é nossa filha mesmo! Pretendemos viajar uma vez por ano e daqui a cinco anos a gente volta a pensar em um fi lho. Com certeza ainda seremos pais – e dos bons!” - SAMUEL LUIZ CORREA, 27 anos, assistente comercial, o marido da Taciana

Pet não substitui filho, mas pode preencher lacuna da vida a dois

Um animal de estimação não substitui um filho, mas o vínculo afetivo que é estabelecido entre o casal e o bichinho é muito saudável. Segundo a terapeuta familiar Adelsa Cunha, alguns casais sentem que uma relação a dois deixa um vazio após um tempo. Um pet pode preencher essa lacuna. “Criar um cachorro ou gato dá menos trabalho, também gera amor e eles dependem menos de você do que uma criança”, afirma. 

A terapeuta diz que os casamentos são sustentados por um tripé: afeto genuíno, tesão e um projeto em comum, seja ele qual for. “Hoje em dia o projeto em comum dos casais não é constituir uma família. É viajar, comprar uma casa, fazer cursos...”. Optar por um pet pode ser muito positivo se ambos não se sentem preparados para se dedicar a uma criança. Mas a terapeuta alerta: “Após os 40 anos, pode ser tarde para o corpo”

06/07/2015 - 09:00

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