"Alugo cães de guarda pra sua proteção"

Eugênio David salva os cachorros abandonados da rua, adestra e os transforma em vigilantes fiéis e muito obedientes. Eles guardam casas, comércios e galpões

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O treinador Eugênio David Minet e Carla Zero com o cão de guarda, Max | <i>Crédito: Arquivo Pessoal
O treinador Eugênio David Minet e Carla Zero com o cão de guarda, Max | Crédito: Arquivo Pessoal
Meu amor por cães nasceu comigo. Meu avô era treinador de cachorros e foi dono de um canil. Comecei a ajudá-lo aos 11 anos e adorava! Nas férias, ficava lá todos os dias. Era minha maior diversão. Quando ficou bem velhinho, ele teve que parar de trabalhar. Um pouco antes de ele morrer, em 1994, assumi o canil.  Tinha 32 anos e já era treinador de cães. Meu trabalho era adestrar os bichos que acolhia da rua ou na adoção e vendê-los. Era muito gratificante, mas o melhor ainda estava por vir... 

O cliente paga um valor mensal e cuido de comida, banho, vacina... 

Três anos depois de assumir o canil, um amigo comentou que estava interessado em comprar um cachorro que servisse de cão de guarda. Mas ele não sabia como lidar com cães grandes. Foi aí que tive uma sacada: perguntei se ele não queria alugar um cão adestrado. Ele ficou meio confuso: “Alugar? Isso existe?”. Eu já sabia que algumas empresas faziam aluguel de cães de guarda e expliquei que ele me pagaria um valor mensal para ficar com o cachorro. Meus funcionários cuidariam da alimentação, do banho e, se fosse preciso, eu ofereceria assistência veterinária. Ele topou!

Transformei o canil numa empresa de aluguel de cães de guarda. Hoje, além de trabalhar com o que mais gosto, realizo um sonho: ajudo cachorros de rua e adoto principalmente os grandes, que ninguém quer levar para casa.

Na minha empresa, tenho 200 cães de quatro raças: pastor alemão, rottweiler, doberman e pastor belga. Meus principais clientes são empresas. Geralmente, elas têm galpões grandes onde guardam produtos e nem seguranças, câmeras e alarmes dão conta. Os cães são eficazes porque impõem respeito. Se o ladrão quiser entrar, pode ter certeza de que vai verificar se tem cachorro. Mas também atendo domicílios e comércios, como salões de cabeleireiro. 

Quando alguém liga e diz que quer alugar um cão, vou até o local e analiso as condições. Se for empresa ou galpão, indico rottweiler ou pastor alemão, porque são mais bravos. Se for uma casa com criança, recomendo o doberman ou pastor belga, mais dóceis. Depois de escolher a raça, um de meus 12 funcionários explica aos donos os comandos para que o cachorro obedeça e cuidados necessários. Os animais não são treinados para morder, mas para proteger e obedecer um líder. É claro que, além de comandos, o cachorro precisa de carinho. 

O custo do aluguel é de R$ 600 por mês. Esse pacote inclui banho a cada 15 dias, alimentação e assistência veterinária. Minha empresa funciona 24 horas por dia. Se o cliente tiver qualquer problema, pode me ligar que mando um funcionário ao local. Estou sempre de olho para saber se meus animais estão sendo bem tratados. 

Já salvei muito cachorro da morte. Se o cliente se apega, até vendo 

Tiro cerca de 80% dos meus cachorros da rua ou da adoção. Mando vacinar, castrar e domesticar. Os outros 20% compro de adestradores. Você nem imagina em que condições acolhi alguns deles. O Lula, por exemplo, foi deixado no veterinário por seu dono para ser sacrificado porque tinha perdido um dos dedos e estava muito infeccionado. Arquei com os custos do tratamento do rotweiller e, quando ele melhorou, trouxe para meu canil. Juro: se eu encontrasse o dono do Lula na rua, não sei do que seria capaz. Uma pessoa dessas não merece ser dono de um cachorro!

Outro que sofreu também foi o Piche, um pastor alemão. Nós o encontramos na rua todo preto. Alguém tinha jogado um monte de piche nele. Levei o pobrezinho para meu canil e tivemos que tosá-lo até o couro. Ele teve que usar roupas para não machucar a pele. Mas hoje está bem. 

Não gosto de vender meus cães. Mas fiz isso algumas vezes porque o cliente se apegou ao cachorro e vice-versa. No fundo, quero o melhor para meus animais. Nada me alegra mais do que vê-los bem, correndo e recebendo carinho. Meu emprego me traz muita alegria: ajudo os cães e ainda ganho dinheiro com isso! - EUGÊNIO DAVID MINET, 52 anos, empresário, Atibaia, SP

“Depois de alugar o Max, nunca mais fui assaltada” 

“Sou sócia num salão de beleza que foi invadido por ladrões sete vezes em menos de 30 dias em abril do ano passado. Já tinha colocado grades nas janelas, alarme e câmeras de segurança, mas nada adiantava. No fi m daquele mês, sentei na frente do computador e busquei empresas de segurança noturna. Foi assim que achei o canil do Eugênio. Liguei pra lá e ele visitou meu estabelecimento no dia seguinte. Ele queria vir antes, mas remarquei. E pensar que fui assaltada naquela noite... Me arrependi. No dia seguinte, ele já apareceu com um rottweiler, o Max. Me explicou os comandos para o Max nos obedecer e orientou como deveria ser o tratamento. Depois daquele dia, nunca mais entraram no salão! Eu, meu marido e meu fi lho gostamos tanto do Max que o levamos até pra passear. Elecomo se fosse da família. Já falei para o Eugênio que ele perdeu o cachorro!” - CARLA ZERO, advogada, 39 anos, cliente do Eugênio





28/05/2015 - 10:30

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