Salvação: "Viva o Banco do Povo: ele fez o meu lucro triplicar!"

Os empréstimos são a salvação para quem deseja abrir ou aumentar o próprio negócio

Reportagem: Christiane Oliveira

RISCILA PATRÍCIA SANTOS, | <i>Crédito: Arquivo Pessoal
RISCILA PATRÍCIA SANTOS, | Crédito: Arquivo Pessoal
Sempre evitei fazer empréstimo em banco. Os juros em cima do valor emprestado são absurdos! A gente acaba pagando o triplo da grana que pegou. Conheço gente que até sujou o nome porque não deu conta de pagar. Deus me livre! Mas no ano passado, quando conheci o Banco do Povo (veja quadro), mudei de ideia. Peguei R$ 7.500 para investir no meu bufê de festas e, pasmem: tenho dois anos para saldar a dívida, pagando R$ 600 de juros – outros bancos cobrariam, pelo menos, R$ 2 mil! 

Precisava ampliar o meu bufê, mas estava sem grana para investir! 

O Casablanca Festas e Eventos nasceu em 2010. Fazia um ano que eu havia parado de trabalhar (era recepcionista de uma empresa) para cuidar do meu filho, o Davi. Foi bom, mas vida de dona de casa num é pra mim e eu não via a hora de voltar para o mercado de trabalho. 

Incentivada pelo meu marido, o Sérgio, me animei com a ideia de abrir meu próprio negócio. Como amo cozinhar – incrível como os programas da TV me ensinaram a fazer doces, salgados e pratos sofisticados... – decidi montar um bufê. Sérgio, que trabalha com tecnologia da informação, pegou o 13º salário, um bônus que tinha na empresa e o dinheiro das férias e compramos louças, talheres, guardanapos. Tudo para oferecer serviço de comida completo, com entrada, prato principal, sobremesa, doces finos. 

Meu foco eram casamentos, festas de 15 anos, bodas... Mas também fazia outros tipos de eventos, como aniversários temáticos. A primeira cliente me procurou através do site que Sérgio pôs no ar e pediu um orçamento para uma festa cujo tema era boteco. Porém, além da comida, queria que eu fizesse a decoração. Para não perdê-la, topei. E num é que deu certo? Me virei nos 30 e comprei papel de parede e toalhas para deixar o ambiente com cara de b oteco mesmo. 

Outros clientes começaram a pedir bufê e decoração. Como eu não tinha os acessórios, passava essa parte para outra pessoa, mas a ideia de montagem era minha. Trabalhei assim durante cinco anos. Até que, no ano passado, decidi comprar o material para dar conta das duas coisas. Mas como, se eu não tinha dinheiro para investir e também não queria pedir empréstimo por causa dos juros?! 

Em nenhum outro lugar eu conseguiria juros tão baixos! 

Em junho de 2015, fui até o Sebrae (Serviço Brasileiro de apoio às Micro e Pequenas Empresas) pedir informações para formalizar meu negócio e me tornar MEI (microempreendedor individual). Eles me convidaram para uma feira destinada ao microempreendedor. Quando cheguei lá, vi que a principal atração eram agentes de créditos de vários bancos que ofereciam empréstimos para microempreendedores com taxas de juros bem baixas. 

Quase todos os bancos que eu conhecia estavam lá, mas um deles me chamou atenção: o Banco do Povo. Nunca tinha ouvido falar. Me aproximei para ver do que se tratava. Descobri que era uma instituição financiada pelo governo do estado e pelas demais prefeituras dos municípios, que oferecia empréstimos, com taxas de juros bem abaixo dos bancos privados, para incentivar as pessoas a abrirem ou investirem no próprio negócio. 

O agente de crédito me ofereceu uma simulação. Como eu já era formalizada, poderia pegar R$ 7.500 para pagar em até dois anos, com taxa de juros de 0,35% ao mês. Fiquei de boca aberta: eu pagaria 36 parcelas de R$ 226, o que daria R$ 600 a mais. Nos outros bancos, os juros eram de quase R$ 2 mil. 

Peguei todas as orientações. Eu precisava de um fiador, que foi o Sérgio, e de orçamentos dos produtos que iria comprar para enviar para o agente de crédito. Além de CPF, RG, comprovante de endereço. Depois de dar entrada nesse pedido, o agente foi até meu estabelecimento de trabalho – minha casa, na época – e verificou que eu realmente tinha um bufê, porque tudo o que eu usava estava guardado lá. Em um mês, meu crédito foi aprovado. 

Já estou na 9ª parcela do empréstimo e foi a melhor coisa que fiz. Consegui comprar acessórios para fazer uma festa com até 300 pessoas. Com isso, meu faturamento triplicou, pois parei de terceirizar a decoração. O próximo passo será quitar essa dívida e fazer outra no mesmo lugar. Num vejo a hora de fazer eventos para até 500 pessoas! - PRISCILA PATRÍCIA SANTOS, 35 anos, banqueteira e decoradora, São Paulo, SP

Como conseguir um empréstimo no Banco do Povo

Financiado pelo governo do estado e pelas prefeituras, o Banco do Povo funciona desde 1998, em todo o Brasil. “Trata-se de um microcrédito produtivo, ou seja, o empréstimo precisa obrigatoriamente ser usado para abrir ou incrementar um negócio próprio”, explica Marcos Wol , diretor do Banco do Povo Paulista. Veja como participar: 

Eu me enquadro?
É válido para pessoas jurídicas ou físicas – com negócios não formalizados. Só não pode participar quem tem nome sujo. 

Até quanto posso pegar?
Varia de estado para estado. No Banco do Povo Paulista, pessoa física pode pegar de R$ 200 a R$ 15 mil e pessoa jurídica, de R$ 200 a R$ 20 mil. O empréstimo acontece por etapa: a pessoa física pode pegar R$ 5 mil no primeiro empréstimo e, depois que sacanar a dívida, fica autorizada a fazer uma segunda solicitação (R$ 10 mil) e, por último, R$ 15 mil. A pessoa jurídica começa com R$ 7.500, sobe para R$ 10 mil, para R$ 15 mil e, afi nal, R$ 20 mil. 

Qual o limite de prestações?
Independentemente do valor, a pessoa física pode pagar em até 24 meses e a jurídica, em até 36. 

Qual a taxa de juros?
Também varia por estado. No Banco do Povo Paulista, a taxa é de 0,35% ao mês. Já no Rio Grande do Sul, é 0,41% e no Amazonas, cai para 0,25%. Em Santa Catarina, se você paga as parcelas em dia, não tem juros. 

Como solicitar empréstimo?
Apresente um fi ador, RG, CPF e comprovante de endereço. O agente de crédito pedirá, ainda, comprovantes de que o dinheiro será usado no seu empreendimento. Exemplo: se quer começar a vender churros, precisará mandar orçamentos com fornecedores que possuam CNPJ. O agente também irá ao ponto onde você pretende se instalar para ver se é viável. E, depois, checará se você realmente empreendeu o dinheiro ou fez uso pessoal. Se usar o dinheiro para qualquer coisa fora do empreendimento, a quitação do empréstimo terá de ser feita de uma só vez.



31/03/2016 - 10:29

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