"O Superendividado salvou minha vida"

Gratuito, o serviço renegociou a conta do cartão da Karla de R$ 47 mil para R$ 18 mil – que ela vai pagar em 36 parcelas de R$ 500

Reportagem: Gabriela Bernardes

KARLA TATHIANA | <i>Crédito: Arquivo Pessoal
KARLA TATHIANA | Crédito: Arquivo Pessoal
Eu já nem dormia mais. Vivia com o coração disparado, as mãos suadas de angústia. Passava 24 horas do dia tentando descobrir uma matemática mágica, que permitisse ao meu tão suado salário – com o qual crio duas filhas, uma de 12 anos e outra de 6 – quitar a fatura cada vez mais exorbitante do cartão de crédito. Quando a dívida bateu em R$ 47 mil, o desespero e a depressão tomaram conta de mim. Comecei a pensar até em suicídio, acredita? E se escapei dele foi graças a um “herói” que apareceu na minha vida, o Superendividado. 

A dívida levava embora 75% do meu salário! 

Sempre fui consumista, daquelas que compram sem pensar duas vezes. A velha história de “eu mereço” e do “depois me viro e dou um jeito de pagar”. Mas, fora uma loucurinha aqui ou ali, não abusava. Até que o banco do meu cartão de crédito me ofereceu um limite três vezes acima da renda que eu tirava no laboratório onde trabalho colhendo exames. Baita armadilha e caí nela feito patinha, nas compras de Natal de 2014. 

Veio a fatura: R$ 12 mil. Sem chance de eu quitar! Então, paguei o mínimo. Empolgada, continuei comprando – e pagando o mínimo – durante todos os meses de 2015. Com juros de 7% ao mês, em um ano a dívida passou para R$ 47 mil. Foi aí que minha vida virou de cabeça para baixo! 

Desnorteada, corri para o banco. Expliquei que só os juros da dívida comprometiam 75% do meu salário, que não teria comida para dar às minhas filhas. A gerente foi irredutível, disse que não havia como renegociar. Entrei em parafuso e emagreci 12 kg. 

Pensava o tempo todo na dívida – que mantinha em segredo absoluto. Imaginei que perderia a guarda das meninas e comecei a ter pensamentos suicidas. 

A sorte foi meu irmão ter notado meu abatimento e me apertado até eu confessar a situação em que me encontrava. Ele ouviu meu desabafo e disse: “Um amigo meu estava numa situação idêntica à sua e, graças a um programa de apoio gratuito chamado Superendividado, renegociou e se livrou da dívida”. Ao ouvir aquilo, eu chorei de alívio. 

Em um mês, me livrei do tormento de anos! 

Meu irmão me passou o número do serviço pela manhã e à tarde já me cadastrei pelo site do Procon (parceiro do Programa de Apoio ao Superendividado – PAS). Lá, coloquei meus dados, minha renda e meus gastos. Dois dias depois, recebi o número do protocolo via e-mail e o Procon já começou uma renegociação com o banco. Um dia depois, o Procon me mandou um e-mail, dizendo que eu tinha três formas de quitar minhas dívidas. Incrível: procurei o programa em 5 de janeiro deste ano e um mês depois já tive solução. 

Escolhi a melhor das três formas de quitar e entrei em contato com o banco. Olha que coisa impressionante: os juros caíram de 7% para 1,5% ao mês! De R$ 47 mil, minha dívida ficou em R$18 mil, a ser paga em 36 parcelas de R$ 500 mensais. Sei que serão longos meses até conseguir quitar tudo, mas só de pensar que o tormento terá fim eu já fico mais calma e aliviada. 

Foi uma lição dura, mas precisei dela para aprender a ser menos gastona e consumista. É que, que além de renegociar sua dívida, o Programa de Apoio ao Superendividado também te faz ir a palestras sobre como administrar seus gastos e muitas outras coisas que, se eu houvesse feito antes, não teria chegado nesse ponto. 

Hoje, se der para comprar e estiver dentro do meu orçamento, eu compro. Caso contrário, deixo para outro mês. Anoto todos meus gastos e controlo semanalmente eles. Aos poucos vou quitando a dívida e voltando a vida ao normal, feliz e sem preocupação! - KARLA TATHIANA, 39 anos, biomédica, São Paulo, SP

Com a ajuda do projeto, chance de renegociar chega a 80%!

O Programa de Apoio ao Superendividado (PAS) é um trabalho conjunto do Núcleo de Tratamento do Superendividamento da Fundação Procon-SP e do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (CEJUSC) do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para ajudar os consumidores com suas dívidas e dúvidas financeiras. 

Segundo Diógenes Donizete, coordenador do projeto, a ideia é diagnosticar a vida financeira desse consumidor, as origens da dívida e, a partir disso, ajudá-lo a encontrar uma solução, tanto intermediando negociações com instituições financeiras quanto através de palestras e orientações em como manter os gastos sob controle. “As dívidas que podem ser atendidas no programa são de crédito, cheque especial, de consumo, financiamentos. Pode participar qualquer pessoa física maior de idade, que tenha renda” explica Diógenes. 

Há duas formas de atendimento: presencial e pela internet. Para agendar uma entrevista, basta ligar para (11) 3824-7069. Já pela internet o acesso se dá no site do Procon (http://bit.ly/1SvTNcb) – Apoio ao Superendividado – Atendimento Semipresencial. Lá, a pessoa tem que preencher uma planilha com seu orçamento. O programa atende a Grande São Paulo e regiões de Campinas, São José dos Campos, Baixada Santista e São José do Rio Preto. Documentos necessários: comprovantes de renda individual, despesas básicas, demonstrativos das dívidas e cópia do RG e CPF. “Quando o consumidor segue os passos do programa e tem renda para negociar, a chance de reduzir a dívida chega a 80%!”, conclui Diógenes.

Dicas para nunca entrar no vermelho 

➜ Saber quanto tem DE VERDADE para gastar (ponha no papel seus ganhos, seus gastos e quanto sobra para eventual emergência); 

➜ Comprar somente aquilo que for preciso, tendo cautela em toda decisão de compra; 

➜ Pesquisar mercadorias e valores antes da compra final; 

➜ Comparar o preço à vista ou parcelado, analisando o que compensa mais; 

➜ Ter em mente o impacto que aquela compra terá no salário; 

➜ Não gastar mais do que ganha; 

➜ Habituar-se a poupar em todo tipo de gasto; 

➜ Saber que o limite do cheque especial e crédito não podem ser usados como complemento de renda; 

➜ Saber calcular os juros dos cartões de crédito;

➜ Antes de contratar qualquer linha de crédito, analisar a real necessidade de fazê-lo; 

➜ Quanto mais longo financiamento, mais perigoso. Pensar em como vai administrar durante tanto tempo; 

➜ Sempre que possível, guardar dinheiro na poupança;


22/03/2016 - 10:32

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