“O bolinho de feijoada deu samba: lucro R$ 5 mil!”

Vi a receita na televisão e fiz para os amigos provarem. Eles gostaram, passaram a comprar e hoje vendo mais de 600 unidades por semana!

Christiane Oliveira

Bolinho de feijoada | <i>Crédito: Fabrizia Granatieri
Bolinho de feijoada | Crédito: Fabrizia Granatieri

Estava assistindo ao programa Mais Você com minha sogra quando Ana Maria Braga anunciou a receita do dia: bolinho de feijoada. Uau! Como boa carioca e mulher de sambista, sou fã de feijuca. O prato mostrado na tevê havia sido inventado por uma chef de cozinha brasileira. Depois de fazer a feijoada, ela triturava tudo junto, recheava com couve, linguiça calabresa e bacon, e fritava. Deu água na boca! Descobri um barzinho que preparava o quitute aqui no Rio e tentei provar naquele fim de semana, mas já tinham vendido tudo. Aí, preparei a receita em casa. “Está tão bom que daria para vender!”, disse o Roberto, meu marido. Na época, em 2012, dei de ombros. Mas as palavras do meu amor foram como uma profecia. Hoje os bolinhos são meu ganha-pão!

Faturei R$ 120 logo na minha primeira venda

Samba e feijoada são duas coisas que não podem faltar em casa. Todo mês, eu e o Roberto, que é sambista, fazemos um encontro com amigos regado com muita música e comida. Na nossa reunião de fevereiro de 2012, decidi fazer o bolinho para os amigos, além do tradicional panelaço de feijão. Ele fez a alegria da geral, principalmente do nosso amigo Cleber, que passou a me pedir o quitute toda vez que ia em casa. Meu marido vivia me dizendo que eu ganharia dinheiro com esse bolinho, mas eu não acreditava. Mas, em março daquele ano, o Cleber veio até mim: “Kátia, o tema do meu aniversário será comida de boteco. Você pode me vender alguns bolinhos para a festa?” Foi minha primeira encomenda. Vendi dez bandejas para ele, cada uma com seis bolinhos, a R$ 12 o tabuleiro. Faturei R$ 120! Os convidados adoraram e ele me apresentou como a “chef dos deliciosos bolinhos de feijoada”. Já saí da casa dele com a segunda encomenda: mais duas bandejas para outro amigo, o Giovani. Daí para frente, os conhecidos começaram a comprar sempre. Mais confiante depois de ter feito algumas vendas, decidi apostar no negócio e criar uma página no Facebook para divulgar o produto. Criei uma marca, a K & B (Katia e Beto) Bolinho de Feijoada Congelado. Ta m b é m criei um logotipo e imprimi alguns folhetos para colocar dentro das bandejas de salgado. Eles informavam a data de validade, o modo de descongelar e fritar, nossos contatos e que o produto é artesanal e não contém nenhum tipo de conservante. Depois, tirei algumas fotos e postei na minha fanpage. Não é que deu samba?

Fornecer para os botecos é o que paga melhor

O telefone começou a tocar no dia seguinte. Eram clientes querendo saber sobre o produto e encomendá-lo. Um mês depois, a situação mudou de vez. Um bistrô entrou em contato, deixando tanto o Beto como eu surpresos. O dono disse que estava à procura do bolinho e, quando jogou no Google, achou nossa página. Santa internet! Foi nosso primeiro grande pedido: 40 bandejas, que vendemos a R$ 15 cada, o que nos rendeu um faturamento de R$ 600! Percebi que o produto tinha potencial para ser vendido a botecos e restaurantes, e o Roberto começou a oferecê-lo a alguns bares onde canta. O Beto sempre levava algumas amostras do bolinho e, por já ter contato com o dono, fazia o meio de campo pra mim. Meu amor é meu parceiro nesse negócio. Além de tratar das negociações, ele também faz o transporte. Colocamos os bolinhos dentro de algumas bolsas térmicas com gelo, que os mantêm congelados durante cerca de três horas, e ele os leva de carro até o cliente.

Adaptei a receita para facilitar a hora de fritar

Quando comecei a vender os bolinhos, o produto era novidade. Meu tempero é do bom e conquistou vários clientes! Cinco deles ficaram fixos conosco até hoje. Olha, virar fornecedora do comércio é o que paga de verdade. Assim, tenho uma renda mais fixa e não dependo de vários pedidos pequenos. É claro que, nesse ponto, a exigência em cima do quitute aumentou e tive que adaptar a receita. Passei a usar polvilho doce na massa para dar liga e deixar o bolinho mais gostoso. Algumas receitas levam o polvilho azedo, mas ele deixa a massa mais pesada. Além disso, optei pelo formato achatado, em vez de comprido ou redondo, porque cabe mais recheio e fica mais fácil de fritar. Desde então, meus maiores clientes são alguns botecos do centro do Rio e um bufê, mas já cozinhei até para festa de casamento. Cada bandeja vem com seis bolinhos de 60 gramas e custa R$ 15. Se o estabelecimento compra mais de dez, faço um preço camarada: R$ 13 o pacote. Como o quitute combina perfeitamente com uma cervejinha gelada, os bares têm bastante saída e vendo de 300 a 500 tabuleiros por mês! Meu lucro médio é de R$ 4 mil por mês, mas tiro R$ 5 mil no fim do ano e no Carnaval!

Tem sabor couve e carne seca com pimentão!

Faço dois sabores: o tradicional de couve com bacon e linguiça calabresa e o de carne-seca desfiada com cebola e pimentão. Criei a segunda versão a partir de uma receita que já fazia e preparo para encomendas especiais. Mas o tradicional é o que mais sai. Os bolinhos duram por três meses no congelador. Geralmente, faço em grandes quantidades, cerca de 120 por mês, e armazeno no freezer. Levo três horas pra preparar tudo. O legal de vender o bolinho congelado é que a pessoa pode comê-lo frito na hora em casa ou no bar. Assim, o sabor e a textura não se alteram. Sem contar que meu gasto de produção é menor do que se eu tivesse um estabelecimento. Gasto R$ 60 para fazer 20 bandejas e lucro R$ 240! Além dos ingredientes, gasto só com uma conta de luz maior – afinal, tenho um freezer só para congelar os bolinhos – e com as embalagens. Pago cerca de R$ 0,09 por 100 bandejas de isopor e R$ 15 por 300 metros de papel-filme. Sempre compro esses itens em depósitos, nunca em supermercados. O melhor de tudo é que não tenho trabalho  idando com clientes nem faço sujeira com fritura na minha cozinha!

Sobra grana para sair, ir ao salão e estudar!

Ainda trabalho como massoterapeuta, mas estou me preparando para dedicar meu tempo apenas à cozinha. Ganho mais que o dobro com os bolinhos do que ganhava com as massagens. Cozinhar é mais cansativo porque preciso acordar cedo, passar muito tempo em pé e trabalhar aos finais de semana para dar conta de encomendas grandes, mas me sinto realizada. Também tenho mais comodidade. Não preciso mais pegar ônibus e ficar no trânsito para trabalhar. Com o dinheirinho extra, vou ao salão sempre e passeio com meu amor. Estamos até planejando uma viagem! Em breve, farei um curso de culinária para aprimorar meu talento na cozinha e espero expandir meu negócio. Um dia ainda faço uma roda de samba com feijuca na calçada da minha loja!

KÁTIA SILVA, 46 anos, massoterapeuta, Rio de Janeiro, RJ

 

 Nem precisa descongelar!

A minha receita de bolinho de feijoada dura até três meses no congelador. Fritar é muito fácil e nem precisa esperar o salgadinho descongelar! Basta jogar as bolinhas em óleo bem quente, a cerca de 180 ºC, e deixá-las cozinhando entre 3 e 4 minutos. Se quiser, frite de três em três bolinhos para controlar melhor a temperatura do óleo. Caso prefira descongelá-los, basta deixar a bandeja fora da geladeira por duas ou três horas. Você também pode transportar os quitutes congelados a uma festa facilmente. Nesse caso, acomode as bandejas em bolsas térmicas ou dentro de isopores com gelo.

 

A receita do bolinho de feijoada da Kátia (rende 40 unidades de 60 gramas)

Ingredientes

Massa 2 litros de água ½ kg de feijão-preto 100 g de carne-seca dessalgada picada em cubinhos 100 g de lombo dessalgado picado em cubinhos 100 g de costelinha dessalgada 1 linguiça calabresa picada em cubos ½ chispe (pé de porco salgado) 2 folhas de louro 4 dentes de alho grandes 200 g de farinha de mandioca crua fina 1 colher (sopa) de polvilho doce 

Recheio 4 dentes de alho amassados Azeite a gosto Farinha de rosca para empanar Óleo para fritar  2 maços de couve cortada bem fininha  250 g de bacon picado em cubinhos 250 g de linguiça calabresa picada em cubinhos

Massa

Em uma panela de pressão, coloque a água, o feijão, as carnes, 2 dentes de alho inteiros e as folhas de louro. Assim que pegar pressão, cozinhe por 40 minutos. Desligue o fogo e bata tudo no liquidificador até virar uma pasta. Em uma panela grande, aqueça o azeite, doure os outros 2 dentes de alho picados e refogue a mistura batida. Corrija o sal e acrescente a farinha de mandioca aos poucos, sem parar de mexer até engrossar. Quando começar a soltar da panela, desligue o fogo e deixe esfriar. Coloque o polvilho na massa fria e misture até ela ficar homogênea. Sove bem e depois reserve.

Recheio

Aqueça o azeite em uma frigideira. Doure o bacon, a linguiça calabresa e o alho. Junte a couve e refogue durante dois minutos, mexendo de vez em quando para não queimar.

Montagem

Abra pequenas porções de massa na palma da mão, coloque uma colher de chá de couve refogada no meio, feche os bolinhos e molde-os de modo que fiquem levemente achatados, como se fossem discos gordinhos. Assim, eles não ficarão com o interior cru após a fritura. Passe-os na farinha de rosca até que fiquem bem cobertos e frite em óleo bem quente ou congele por até três meses.

16/12/2015 - 10:00

Conecte-se

Revista Sou mais Eu