Négocio: "Lucro R$ 3 mil vendendo papinhas em domicílio!"

Rosana começou com apenas R$ 20 e teve um lucro de 100% logo na primeira venda. Suas comidinhas são personalizadas!

Reportagem: Christiane Oliveira

ROSANA CAROLINA BARNACK PRATES | <i>Crédito: Arquivo Pessoal
ROSANA CAROLINA BARNACK PRATES | Crédito: Arquivo Pessoal
Na vida, é preciso abrir mão de algumas coisas para viver outras plenamente. Foi isso que aprendi quando o Greg, meu primeiro filho, veio ao mundo em 2013. Na época, eu trabalhava como publicitária numa empresa e adorava o que fazia. Mas quando a licença-maternidade terminou, fiz um acordo e pedi mais um ano para curtir meu menino. Queria ver meu bebê dar os primeiros passos e falar as primeiras palavras. Só que, neste ano em que fiquei afastada do trabalho, acabei engravidando de gêmeos e aí pedi demissão de uma vez. Foi uma obra do destino: a maternidade me fez descobrir um novo talento e uma nova profissão! 

Disseram que minha comida era mágica! 

O Greg nasceu com uma dificuldade de sucção e não conseguia mamar no meu peito. Ele fez uma cirurgia para corrigir o problema, mas meu leite acabou secando e não pude amamentá-lo. Por isso, até os 6 meses, meu bebê só tomava um leite indicado pelo médico. Eu não gostava muito, pois sou adepta de alimentos 100% naturais. Então, comecei a introduzir algumas frutas raspadas e cremes de legumes com carne, que eu mesma fazia. Deus me livre comprar aquelas papinhas prontas. Elas são cheias de sódio e conservantes que não fazem bem para o bebê. Para o Greg não enjoar, cozinhava vários sabores e congelava em potinhos. Aí, era só tirar do congelador e colocar no micro-ondas. 

Uma maravilha! Tanto que minhas papinhas logo seduziram o bebê da minha amiga Daniela quando ela apareceu numa das reuniões que faço aqui em casa. Ela me contou que o filho dela, que tem quase a mesma idade do Greg, estava dando um trabalhão pra comer. 

Para ajudá-la, descongelei uma papinha que tinha em casa e ele comeu tudo! Mandei alguns potes para a Dani e, na semana seguinte, ela chegou à minha casa dizendo: “Rô, suas papinhas são mágicas! Meu pequeno comeu tudo!” Passei a mandar várias marmitinhas pra ela. 

Até que, dois meses depois, a Dani me veio com esta: “Esses dias, uma amiga foi jantar lá em casa e levou o filho. Ela se queixou que o menino não queria comer nada e, quando dei uma de suas papinhas, ele comeu tudo! E agora ela quer comprar suas comidinhas”. Fiquei surpresa e disse que não vendia. Mas a Dani insistiu tanto que comecei a pensar no assunto. 

Pesquisei muito antes de começar a vender 

No começo, fiquei meio resistente, pois não tinha ideia de preço, validade, embalagem apropriada... Vender comida já é complicado, imagina pra criança! O cuidado deve ser dobrado. Nessa época, 2014, eu já tinha um blog que se chamava Papinhas do Greg. Começou como minha caderneta de receitas virtual. Toda sopa, creme ou comida que eu cozinhava para meu bebê, anotava lá. 

Depois, decidi colocar no ar, de tanto minhas amigas insistirem. Várias delas comentavam que seguiam as receitas, mas que não ficava igual. Então, vi que havia uma demanda das mães e decidi fazer minha primeira venda para aquela amiga da Dani. Só que, antes, fucei em vários sites de nutricionistas e ainda peguei uma apostila de um curso do Senac sobre manuseamento e armazenamento de alimentos. Assim, descobri o tipo de embalagem e tempo de congelamento corretos para as comidas que eu ia fazer.

Também desenvolvi uma logomarca para as Papinhas do Greg e imprimi algumas etiquetas para colocar nos potinhos, informando a data de fabricação, validade e meus contatos. Nessa primeira venda, gastei R$ 20 e vendi um combo com cinco potinho s , cada um a R$ 8. Consegui um lucro de 100%. 

Minha segunda cliente foi a filha da minha vizinha. Ela também comprou um combo com cinco unidades e adorou. Com o boca a boca, consegui conquistar mais clientes. Depois que criei uma página no Facebook, minha lista cresceu ainda mais! Hoje tenho vários clientes mensais e avulsos. Ofereço dois combos diferentes. O primeiro tem cinco unidades: o cliente escolhe dois sabores diferentes e paga R$ 40. O segundo é o plano mensal, em que o cliente escolhe de 60 a 80 potinhos com sabores variados. O valor fica entre R$ 300 e R$ 320. Minhas vendas funcionam assim: o cliente entra em contato comigo por e-mail, eu mando o cardápio e as opções de combo. Ele responde, informando que sabores quer e aí coloco a mão na massa. Dou um prazo de cinco a sete dias para entregar, pois sou eu mesma que faço. Geralmente, as clientes moram perto, mas, quando é um pouco mais longe ou a demanda está grande, contrato um motoboy. As sopas são transportadas em bolsas térmicas, para que fiquem conservadas. 

Vendo cerca de 600 potinhos por mês! 

Tenho um cardápio bem variado. Ofereço sopas, cremes e comidas para crianças de 6 meses a 1 ano e meio. Para os mais novinhos, indico as sopas e os cremes. São vários sabores: canja, escondidinho de batata com frango, cenoura e escarola, polenta com frango, purê de mandioca com carne de panela, purê de abóbora com carne moída, macarronada baby com molho bolonhesa com cenoura e espinafre e a que mais sai: sopinha feita com batata, cenoura, espinafre, vagem, beterraba, carne e macarrão. Isso sem falar das doces: manga, banana e tâmara, pera, maçã e damasco, banana com a ameixa-seca. 

Com isso, vendo cerca de 600 potes de papinhas e comidinhas por mês e consigo faturar, em média, R$ 2.200 mensais. Como o investimento é baixo, o lucro fica em R$ 2 mil. Mas, em algumas épocas, como Natal, Páscoa e inverno, chego a faturar R$ 3.200 num mês! 

Nenhuma delas tem conservantes. São 100% naturais. Uso temperos como alho, sal, cebola, cúrcuma, salsinha, cebolinha, coentro... Por isso, a validade é menor do que as industrializadas. No congelador, elas duram até 45 dias. E, depois de descongeladas, oriento meus clientes a consumirem em até 35 horas. Uso potes plásticos que são próprios para congelar e ir ao micro-ondas, que são facilmente encontrados em lojas de embalagens. 

Cozinho com a alma e com o sentimento 

Neste ano, pretendo expandir meu negócio. Algumas pessoas já entraram em contato comigo para revender minhas comidas. Mas tenho medo de que elas não armazenem direito e acabem sujando o nome da minha marca. Por enquanto, quero aumentar minha lista de clientes. Só que, para isso, preciso contratar alguém para me ajudar na cozinha. 

O problema é que quero uma pessoa que cozinhe como eu, com a alma e com os sentimentos. Acho que nosso estado de humor acaba passando para a comida. Por isso, quando não estou num bom dia, não cozinho. Sabe qual o segredo da minha papinha mágica? Dois temperos mágicos: amor e carinho! - ROSANA CAROLINA BARNACK PRATES, 38 anos, administradora, Joinville, SC


Siga as dicas da Rosana e arrase vendendo papinhas!

• Leia blogs e sites de nutricionistas para encontrar dicas de receitas, informações nutricionais, modo de armazenamento e ainda tirar dúvidas através de mensagens. 

• Use embalagens livres de Bisfenol A (BPA), substância química liberada pelo plástico quando resfriado ou aquecido, que faz mal ao fígado e aos rins. 

• Faça etiquetas com papéis que não danifiquem ao esquentar ou molhar a embalagem. Assim, a pessoa consegue ver a data de validade e indicação de consumo do alimento. Sem contar que seu contato também está ali. 

• Antes de cozinhar para algum cliente, pergunte se a criança não é alérgica a nenhum tipo de alimento.




01/03/2016 - 11:36

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