"Meu sanduba gigante me tirou da pobreza. Oba!"

Quando Sueli lançou o X-Bruto, feito no pão de 300 g e quantidades ogras de carne e queijo, fez o maior sucesso no bairro

Reportagem: Caroline Cabral

Sanduba gigante | <i>Crédito: Arquivo Pessoal
Sanduba gigante | Crédito: Arquivo Pessoal
Eu não tinha dinheiro para comprar pão e leite de manhã. O jantar também era uma interrogação. Às vezes tinha, às vezes não. Vivendo apenas com uma pensão de R$ 850 que meu marido, o Paulo César, recebia do INSS, e pagando quase R$ 400 da prestação da casa, estava pobre de marré deci. Para não deixar as crianças com fome, tomei uma decisão arriscada. Peguei metade da parcela do financiamento e fui vender sanduba de casa. Só que não entendia nada sobre como administrar um negócio e tive prejuízo logo na primeira semana! Tive que estudar um bocado e colocar a cachola pra funcionar. Pensei grande e criei os sanduíches gigantes. Aí, passei de R$ 10 negativos para um lucro de R$ 2.500 por mês! 

Tinha uma pensão magra e 4 bocas pra alimentar... 

Tudo começou há três meses, quando o Paulo foi afastado do cargo de ajudante geral de construção. Ele desenvolveu uma doença degenerativa da coluna e parou de receber o salário integral. As contas começaram a acumular e não queríamos perder a casa, nosso primeiro lar digno, que ganhamos de um projeto social. Antes disso, os quatro de casa dividiam um único cômodo num barraco de madeira! Mas, como me dediquei a cuidar dos meus filhos – o Diego, de 13 anos, e o Raphael, de 10 –, minha experiência profissional se resumia a bicos como babá, costureira e ajudante de cozinha. E, como meu marido sente muita dor e toma remé d i o s controlados, eu não podia largá-lo sozinho em casa para arrumar um emprego. Precisava de algo para fazer em casa que me desse retorno o mais depressa possível. 

Minha família achou que era loucura, mas separei R$ 200 da parcela da casa para investir em ingredientes. Não tinha nenhum dinheiro guardado e era o único jeito! Subi numa bicicleta, amarrei uma caixa na garupa e fui às compras. Voltei com 20 pães, ovos, alface, carne e tomate. Mas, sem saber quanto cobrar por cada lanche, me dei mal. Calculei um valor de R$ 9,50 por hambúrguer, vendi tudo porque estava barato e, quando vi, tinha tido R$ 10 de prejuízo. Preocupada, fui até o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) entender como lidar com dinheiro e lucrar mais. Ali, aprendi dicas valiosas que salvaram meu negócio... 

Criei lanches a partir dos gostos dos meus clientes 

O pessoal do Sebrae me ensinou a calcular meus gastos e o preço final do produto, adicionando o valor da minha mão de obra. Também aprendi que é importante ouvir o que os clientes têm a dizer sobre a comida e a criar coisas diferentes, para ter algo chamativo. Ao sair de lá, passei a comprar os ingredientes com fornecedores bons e baratos indicados por vizinhos ou indicados na internet. Com R$ 190, comprei 30 pães, carne, ovos, queijo, salada e ainda sobrou para o refrigerante! Aluguei uma chapa de carrinho por R$ 100 e fiquei com ela por um mês. Depois, como a demanda aumentou, descolei uma pechincha: uma chapa profissional de lanche, que dá para até 15 hambúrgueres, por R$ 200! Tirei a grana da prestação morrendo de medo de dar errado. Mas, agora que tinha me estruturado, a coisa fluiu. Vendi todos os lanches em uma semana e lucrei R$ 310! 

A partir daí, passei a apostar na inovação. Valorizava muito a opinião dos clientes. Uma delas me fez um pedido diferente que ficou tão bom que entrou para o cardápio. É o X-Liri, que leva dois hambúrgueres, um peito de frango, duas porções de bacon frito, um ovo frito, duas fatias de queijo, duas de presunto, tomate, azeitona, milho, alface e catupiry ou cheddar. Sucesso! Também fui testando o paladar da clientela. Uso milho e não ervilhas, por exemplo, porque a textura do primeiro combina melhor com os sandubas. Também deixo a maionese e o ketchup à parte, para que os molhos não mascarem o sabor da carne. O pessoal aprovou. Tanto que subi os preços e ninguém reclamou! Cada lanche custa de R$ 5,50 a cerca de R$ 23,50. 

O X-Bruto salvou minhas vendas. Ele é gigante! 

Logo nos primeiros meses, lucrei uns R$ 1.500, o que deu folga nas contas e permitiu pagar as prestações da casa. Mas não era o bastante. Quando meu negócio deixou de ser novidade e as vendas começaram a cair, lancei meu sanduba matador, o X-Bruto. Ele é feito com um pão especial de 300 g, muito maior que os comuns vendidos no mercado, de apenas 50 g. Tive que encontrar uma padaria disposta a produzir pra mim e deu certo. Todo lanche pode ser feito nesse superpão, que suporta até cinco carnes de hambúrguer! É de crescer os olhos, a fome e o meu lucro. Afinal, num X-Bruto Liri, por exemplo, cobro R$ 92! Esse não é meu lanche mais vendido, mas atrai muita gente e faz as vendas aumentarem. 

De lá pra cá, reequilibrei meu lucro, que vai de R$ 1.500 a R$ 2.500 por mês, e fiquei famosa no bairro. Agora, tenho telefone fixo e internet em casa, coisas que jamais pude pagar no passado. Provei que sou capaz de conduzir a família e enfrentar as adversidades, garantindo um lar com dignidade para meus filhos e esposo. Todos me ajudam na chapa ou nas entregas. Estamos muito mais unidos e, claro, superbem alimentados! - SUELI SEIXAS, 32 anos, empreendedora, Paulínia, SP

Aprenda a fazer o X-Egg Bruto: vendo por R$ 68

01/10/2015 - 14:00

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