"Lucro R$ 1.500 com colheres de festa!"

Ana Paulo descobriu a tendência quando a venda dos outros produtos caiu. Seu negócio hoje está bombando!

Reportagem: Christiane Oliveira

ANA PAULA FADIGAS GONÇALVES | <i>Crédito: Arquivo Pessoal
ANA PAULA FADIGAS GONÇALVES | Crédito: Arquivo Pessoal
O mercado de eventos movimenta grana alta. As pessoas vivem procurando pequenos mimos para dar um toque especial a festas de casamento, aniversários infantis, chás de bebê e mais. Todo mundo quer algo diferente para ficar na memória dos convidados. Ao mesmo tempo, muitos comerciantes precisam de acessórios bonitinhos para chamar mais atenção para o produto que estão vendendo. Em vez de ver isso como frescura, vejo como oportunidade de ganhar dinheiro. E, se você é gente que faz como eu, precisa estar por dentro das novidades desse mercado. Uma delas é a colher decorativa, que tem o cabo coberto por miçangas, pérolas e arames. Parece bobagem, mas é fácil de fazer. Investi só R$ 30 pra começar e já ganho R$ 1.500 por mês!

De repente, a internet levou meus clientes de lembrancinhas de festa

Eu já fiz curso de gestão ambiental e frequentei durante dois anos a faculdade de publicidade e propaganda. Cheguei a trabalhar numa agência, mas não era aquilo que eu queria. Quando engravidei da Marina, em 2006, ainda estava totalmente perdida, sem saber o que fazer da vida. Foi só no final da gestação que descobri. Na época, estava desempregada e decidi cuidar de todos os detalhes da decoração do meu chá de bebê. A moda era decorar potes de papinha. Foi o que fiz: pintei os vidrinhos de rosa, decorei as tampinhas com um paninho e coloquei jujubas dentro para dar de lembrancinha. Meus familiares e amigos adoraram! E eu também.

Fiz a mesma coisa no batizado da baixinha, confeccionando as lembrancinhas eu mesma: garrafinhas personalizadas com a foto da minha filha e uma mensagem religiosa. Impressionadas, várias pessoas me perguntaram a mesma coisa: “Por que você não começa a trabalhar com decoração de festas?” Como não estava fazendo nada, resolvi arriscar. Comecei a fazer lembrancinhas para festas infantis e alguns casamentos. Criei uma página no Facebook com meus produtos, como canecas, baldinhos, kit cinema, tudo personalizado. Deu muito certo! De lá pra cá, são oito anos trabalhando nesse mercado e complementando a renda da família.  

Pesquisando no Instagram, achei um produto que ninguém fazia!

No começo do ano passado, minhas vendas começaram a cair porque os produtos personalizados mais comuns já são facilmente encontrados em lojas on- -line. Acabei atrasando três parcelas do carro e precisava encontrar um produto mais chamativo para atrair novos clientes. Comecei a pesquisar no Instagram usando hashtags – o símbolo #, que permite encontrar quais palavras e frases as pessoas estão usando mais na internet – que tivessem a ver com temas de criança e deparei com as colheres de metal decoradas. As pessoas estavam compartilhando horrores e todo mundo parecia gostar. Aí, procurei por um tutorial que me ensinasse a fazê- -las, mas não encontrei. Essa dificuldade estava longe de ser um problema. Se ninguém estava postando como fazer online é porque tinha pouca gente fazendo e menos ainda vendendo. Meu produto seria exclusivo!

Animada, saí para comprar os materiais necessários e 12 colheres para fazer uma experiência. Gastei cerca de R$ 30 e fiz tudo do meu jeito. Como já tinha prática com trabalhos manuais, não foi tão difícil. Perdi um tempo com acabamento no começo, mas peguei o jeito rápido. Depois, precisei fazer propaganda. Fiz alguns cartões com o nome da minha empresa e os meus contatos. Aí, deixei algumas colheres em butiques de chá e café, que sempre servem as bebidas acompanhadas por uma colherinha. Disse à vendedora que ela poderia dar a colher ao cliente e, caso ele gostasse, que entregasse meu cartão. Também distribuí amostras para doceiras que vendiam marmita de bolo e bolo no pote para ver se conseguia fazer parcerias. Claro que tomei alguns nãos, porque tem gente que acha bobeira. Mas, em cerca de um mês, havia conquistado alguns clientes.

Conquistei doceiras, butiques e troquei desconto por divulgação!

As doceiras foram minhas primeiras clientes. Elas diziam que, com as colheres, o produto ficava chamativo e acabava vendendo mais. É que, além de não dobrarem nem quebrarem, elas enfeitam. Também precisei fazer outras negociações. Uma conhecida encomendou 12 colheres para o aniversário do filho uma vez. Gastei R$ 30 para fazê-las e propus um trato. Se ela me deixasse divulgar o produto na festa, cobraria não o preço final de R$ 4,20, mas o custo das colheres, de R$ 2,50 cada. Ela topou e ganhei várias clientes! Com um número cada vez maior de encomendas, passei a ir para São Paulo uma vez por mês comprar os materiais por preços mais em conta que em Campinas. Mesmo pagando a gasolina, vale a pena.

Como trabalho com vários eventos, tive que diversificar. Para casamentos, faço kits com a espátula para cortar bolo e seis garfos para os noivos e os pais. Cobro entre R$ 90 e R$ 150 por cada kit e o preço varia de acordo com a qualidade do talher. Mas mesmo meu produto mais barato é de metal. Tem gente fazendo colheres decoradas de plástico hoje em dia. Me recuso. Elas são só R$ 0,20 mais baratas que as outras, mas duram pouco e são feias. Em média, faço 230 colheres por mês. Vendo ainda palitos de maçã do amor e de cake pop decorados. Já faz quase um ano e meio que estou vendendo as colheres e hoje lucro, em média, R$ 1.000 por mês, mas já lucrei até R$ 1.500! É 1/3 a mais do que eu ganho com os produtos personalizados que já vendia. Além de ajudar em casa, consegui quitar o carro e vivo recebendo elogios! É muito satisfatório! Aprendi que é preciso inovar sempre e ficar atenta às novidades. Não perco mais o bonde! No futuro, quero abrir um bufê infantil e oferecer os melhores serviços de decoração e comida da cidade! - ANA PAULA FADIGAS GONÇALVES, 31 anos, empresária, Campinas, SP

Decore uma colher com miçangas de cristal!

Materiais
• Alicate de ponta chata
• 55 cm de arame galvanizado nº 20/22
• 6 miçangas de cristal
• 1 colher de chá de metal

Veja o passo a passo:

20/08/2015 - 09:00

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