Ganho até R$ 5 mil com chocolates eróticos

Desenvolvi algumas técnicas para fazer pênis, vaginas e bumbuns tão realistas que, sozinha, abasteço 11 sex shops!

Fernando Gazzaneo (com colaboração de Carolina Almeida)

Me perguntam até se uso modelos reais! | <i>Crédito: Reprodução/Redação Sou Mais Eu
Me perguntam até se uso modelos reais! | Crédito: Reprodução/Redação Sou Mais Eu

“Cláudia preciso que você aprenda a fazer ovos de Páscoa com a filha da minha patroa para me ajudar a criar seus sete irmãos.” Eu tinha 17 anos quando mamãe, uma diarista que cuidava da família sozinha, me pediu isso. Mal sabia ela, católica e recatada até o último fio de cabelo, que os inocentes doces que me incentivou a fazer um dia virariam pênis, bumbuns e vaginas de chocolate que hoje me rendem até R$ 5 mil mensais...Mas demorou, viu? Uns 16 anos separam meu primeiro ovo de Páscoa do meu primeiro pênis de chocolate. É que, aos 18 anos, arrumei emprego como doméstica. Depois, fui cobradora de ônibus, açougueira, atendente de restaurante e gerente de uma loja de crepes. O tempo todo faturava aqui e ali uns extras fazendo chocolate, só que no formato “tradicional”, de trufas e bombons. Minha irmã até me deu uma forma para fazer pênis, mas escondi. Carola convicta, mamãe jamais aprovaria que eu vendesse “safadezas”. Para falar a verdade, eu mesma não me sentia à vontade com isso.  Morria de medo do que pensariam de mim se eu saísse por aí oferecendo bráulios e periquitas comestíveis. Porém, quando fiz 27 anos, mamãe morreu. Cinco anos depois, fui demitida da loja de crepes. Deixei o pudor de lado, arregacei as mangas e meti a mão nos pintos... de chocolate.

Tirei o pênis do armário e fui à luta

Não sei bem o porquê, mas tinha a certeza de que chocolates eróticos era um bom negócio. Tirei a forma de pênis do armário, comprei outras dez (de bumbuns, vaginas, seios...) e comecei a produzir. Pus a primeira remessa num isopor com meus outros chocolates tradicionais e fui para os prédios do Ministério – por ter carteira de artesã, posso entrar nos edifícios oficiais e vender produtos. Minhas pernas tremiam e eu suava. Como oferecer pintos de chocolate com naturalidade?! Por meses senti vergonha de apresentar a mercadoria. Mas com o tempo peguei o jeito. Hoje ofereço até pra gente na rua! Pergunto se a pessoa tem mais de 18 anos, se quer ver chocolates para adultos e peço: “Por favor, não ria alto”. É automático: abro o isopor e desatam a gargalhar! Para deixar a timidez de vez no passado, colei um adesivão no meu Fusca: “Chocolates eróticos, telefone: (61) 9602-6534”. E lá fui eu tentar vender em motéis – burra: ninguém vai num motel para comer chocolate. Nisso, reencontrei o irmão da moça que me ensinou a fazer chocolate e adivinha? Ele tinha uma sex shop. Ao visitar o estabelecimento, notei que os chocolates eróticos eram muito malfeitos, estavam longe de provocar excitação. E só eram vendidos sob encomenda. Ora, e se a pessoa decidisse comprar ali na hora um pinto para dar num chá de cozinha? Decidi arriscar: propus vender a quantidade fechada de 40 peças e pegar de volta o que sobrasse.

Perguntam até se eu uso modelos reais!

Não sobrou um pinto para contar história e logo recebi novas encomendas. Hoje abasteço 11 sex shops e ainda exponho em casas de swing. É engraçado ficar vestida enquanto todo mundo passa de toalha e até pelado. Além disso, distribuo muitos panfletos. Todos se impressionam, pois os meus produtos têm detalhes para lá de realistas. Sozinha, descobri algumas técnicas de acabamento que imitam com perfeição a cor da pele, as veias, a cabecinha rosada. Me perguntam até se uso modelos reais. Nunca! Os moldes eu compro prontos – o segredo é garimpar bem para achar os mais realistas. Faço tudo sozinha, da raspagem do chocolate à entrega dos pênis e das vaginas. A minha última novidade é o He-man de chocolate. Comprei as forminhas da China e já o vendi até de Papai Noel! Tenho atendido muitas noivas agora. Elas normalmente encomendam para o chá de lingerie. Às vezes até as avós das noivas pedem alguns pênis para sacanear as netas. É maravilhoso.

 Nos meses mais tranquilos, trabalho três dias por semana na produção e nos outros dias vendo. Já nas épocas mais movimentadas, tipo Páscoa e Natal, varo as madrugadas para dar conta. Para garantir a produção em série, tenho mais de 40 formas iguais de alguns pênis. Cada peça demora duas horas para ficar pronta. Os pênis custam de R$ 8 a R$ 85. O maior e mais caro tem 33 cm e 330 g de chocolate meio amargo (há opção de colocar recheio de marshmallow ou doce de leite). Já as vaginas são vendidas por R$ 9 a R$ 49. No total, são 84 produtos diferentes, mas quero chegar a 100 tipos de produtos.  Em época de alta venda, faturo cerca de R$ 5 mil. Fora da temporada, meu ganho fica em R$ 2.500.

Cláudia Oliveira, microempresária, 46 anos, Brasília, Distrito Federal.  

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09/03/2017 - 10:00

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