"Faço reparos para quem não quer homem estranho dentro de casa!"

O nome da empresa da Ana Luisa é “M’ana – Mulher Conserta para Mulher”. O negócio tem só dois meses e é um sucesso!

Reportagem: Raquel Maldonado

ANA LUISA MONTEIRO | <i>Crédito: Arquivo Pessoal
ANA LUISA MONTEIRO | Crédito: Arquivo Pessoal
Eu não estava muito satisfeita com meu emprego. Trabalhava como editora de vídeos numa produtora e já fazia um tempo que estava procurando alternativas. Até que, em junho deste ano, liguei para pedir um botijão de gás. O entregador, que já tinha ido à minha casa outras vezes, me assediou na cara dura. Perguntou se eu estava sozinha, onde estava o amigo que morava comigo e se ele iria demorar pra voltar... Fiquei com medo e inventei mil desculpas, até ele ir embora. Foi horrível. Nenhuma mulher deveria passar por isso! 

Naquela hora, tudo que eu queria era arrumar um jeito de acabar com aquela situação de insegurança. Então, tive a ideia de criar um serviço de entrega em domicílio feito só por mulheres. Só que não tinha dinheiro pra investir. Fiquei um tempão pensando nisso. Aí, percebi que quem fazia todos os reparos em casa, desde trocar um chuveiro até consertar um vazamento, era eu. Por que não oferecer esse serviço para outras mulheres? Era isso! Fiz um post no Facebook com o slogan “Omi estranho em casa nunca mais”, coloquei meus contatos e foi incrível: em 24 horas, a mensagem tinha mais de mil compartilhamentos! 

Comecei a receber muitas mensagens e ligações de mulheres, algumas precisando de reparos, outras me parabenizando pela coragem. Passei a fazer os serviços e minha agenda lotou! Meu primeiro atendimento foi a troca da carrapeta de uma torneira que estava pingando. O reparo ficou perfeito e a cliente, satisfeita. Cobrei R$ 40. 

Aprendi a fazer reparos observando meus familiares 

Me animei e fui estruturando tudo: abri minha empresa, a “M’Ana – Mulher Conserta pra Mulher”, e fiz uma página no Facebook. No começo, trabalhava das 6h à meia-noite: ficava na produtora das 9 h às 18 h e fazia os reparos no resto do tempo. Quando o negócio foi crescendo e vi que não daria para conciliar os dois trabalhos, após três semanas de atividade, decidi largar o emprego, no começo de setembro. E a demanda está muito grande, viu? Minha agenda está lotada até a próxima semana! 

Até agora, fiz reparos hidráulicos de torneiras, sifões e descargas, reparos elétricos em tomadas, chuveiros, soquetes e interruptores, pintura e acabamento de parede, instalação de prateleiras, armários, exaustores, redes e suportes de TV, montagem de móveis... 

Você deve estar se perguntando onde aprendi isso tudo. É que sempre gostei de fazer serviços de manutenção. Tinha uma caixinha de ferramentas e reparava tudo na minha casa e na dos amigos, na época da faculdade. Nunca fiz cursos. O que aprendi foi com meu avô, meu primo e meu tio, que faziam os reparos em casa. Eu ficava assistindo e, quando não entendia algo, perguntava. 

Agora estou fazendo cursos técnicos para aumentar meus conhecimentos práticos e teóricos, como de elétrica, hidráulica e manutenção de gás encanado. Também estou fazendo um curso no Sebrae que me ensina a administrar a empresa. 

Meu negócio ainda não está dando um lucro incrível, mas está crescendo rápido e é muito promissor. Conheci recentemente uma pessoa que também queria abrir um negócio como o meu e decidimos nos juntar – ganhei uma sócia! No começo, investi R$ 1 mil. E agora tudo que entra é colocado na empresa. Vamos dar uma mudada na nossa identidade visual, investir um pouco na marca, além de comprar um carro, pois hoje faço tudo de transporte público. 

Quero ser um trampolim para outras mulheres 

Não estou dando conta de responder a todas as mensagens de apoio que recebo no Face e no WhatsApp, mas estou muito feliz! Até um amigo me disse: “Você está proibida de se sentir insegura com tantas mulheres te apoiando”. Além de ver minha empresa crescer e ganhar meu dinheiro, pretendo quebrar paradigmas e abrir portas para outras mulheres fazerem o mesmo. Quero ser um trampolim! Uma menina de Brasília entrou em contato dizendo que também queria abrir um negócio, mas não sabia o que fazer. Eu disse que dava todo o apoio de que ela precisasse. A garota fez um anúncio no Facebook e já está atendendo. É muito legal! 

Nos meus atendimentos, as clientes sempre fazem um café, um chá, ficam sentadas me olhando trabalhar. A gente conversa muito. É como se eu estivesse na casa de uma amiga. É uma relação de mulher para mulher mesmo. Tem cliente que fala que me contratou porque quer ver mais mulheres nessa área e outras que dizem que também foram assediadas e não querem mais passar por isso. 

Estou usando meus conhecimentos em audiovisual para fazer alguns tutoriais na página da empresa no Face. Já soltei um passo a passo ensinando a colocar uma prateleira retinha e estou trabalhando em outros. Quero ensinar a mulherada a fazer reparos simples. Elas só vão me chamar se não conseguirem fazer sozinhas. Quero mostrar que é possível, que somos capazes! - ANA LUISA MONTEIRO, 26 anos, empresária, Belo Horizonte, MG

“O trabalho é excelente e me deixa segura! ” 

“Eu estava precisando de um eletricista para fazer pequenos reparos aqui em casa fazia um tempo. Ligava para alguns profissionais, mas nunca dava certo. Uns davam o cano, outros faziam orçamentos exorbitantes. Passei mais de um mês nessa situação, até que reclamei para uma amiga e ela me falou do M’ana. Achei uma ótima ideia! Liguei, marcamos, a Ana veio até minha casa e me deu um orçamento muito honesto: R$ 240. Teve um eletricista que queria me cobrar R$ 1.500, acredita? Ela arrumou uma tomada e colocou uns lustres. Adorei o trabalho da Ana. É uma excelente profissional e me deixa muito mais segura por ser mulher. Foi um achado: já indiquei o M’ana para um monte de amigas!” - LIZIA FERREIRA, 45 anos, bióloga, São Paulo, SP


04/11/2015 - 09:30

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