Faço esculturas de areia gigantes

Aprendi a técnica ainda adolescente e hoje ganho dinheiro com minha arte

André Sartorelli (com colaboração de Carolina Almeida)

A exposição dos 500 anos fez sucesso | <i>Crédito: Redação Sou Mais Eu
A exposição dos 500 anos fez sucesso | Crédito: Redação Sou Mais Eu

Quando eu era criança, gostava de fazer esculturas com argila e moldava pequenos objetos nas aulas de educação artística. Com 14 anos, fiz um longo curso de esculturas em areia. No inicio, eu achava importante aprender a trabalhar com areia, mas não imaginava que isso se tornaria minha profissão.

As aulas eram dadas pelo Pedro Germe, o precursor desse tipo de arte no Brasil. Ele promoveu concursos por todo o litoral paulista no final da década de 60.

Participei de Mulheres de Areia

Aos 17 anos, fui o primeiro colocado no 10º Concurso Brasileiro de Esculturas de Areia, no Guarujá. Minha obra, Esforço Supremo, retratava um homem se arrastando. Além de ganhar o prêmio em dinheiro, fui a Paris para concorrer no concurso mundial. Recebi diversos pedidos para esculpir pessoas, animais, castelos e objetos. O principal convite veio da extinta TV Tupi.

O canal exibiu em 1973 a novela Mulheres de Areia. Eu ajudava na produção das grandes esculturas mostradas na abertura e nos capítulos da trama. Essa experiência foi fundamental para o grande público descobrir que esse tipo de arte faz parte da cultura brasileira.

A exposição dos 500 anos fez sucesso

Nas décadas seguintes, elaborei projetos em parceria com prefeituras. Realizei diversas oficinas para crianças, idosos e portadores de deficiência.

No ano 2000, eu e uma grande equipe construímos 28 cenários e mais de 400 peças em comemoração aos 500 anos do Descobrimento do Brasil. O trabalho custou mais de R$ 5 milhões e impressionou bastante.

Em 2012, depois de muito conhecimento em esculturas de areia, comecei a investir em outro ramo: a arte no cimento. Consigo unir minha criatividade e técnica e reproduzir isso em pedras de cimento. Montei uma equipe e trabalhamos juntos na www.artedocimento.com.br

Infelizmente, ainda existe preconceito no Brasil em relação à arte em areia. Enquanto na Rússia há universidade dedicada às técnicas de escultura nesse material, por aqui ainda há pessoas que a veem como uma arte que dura pouco.

Desenvolvi uma técnica para solidificar areia que dá vida eterna às esculturas. Aquelas feitas apenas com grãos de areia duram até um ano. Hoje em dia, trabalho mais por encomenda. Sempre fui muito procurado nos finais de ano para esculpir presépios gigantes em shoppings e empresas. Acredito que contribuo para melhorar o turismo e popularizar a arte.

Cláudio Nogueirol, 58 anos, escultor, Santos, SP

17/07/2017 - 16:00

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