Era advogada, virei acompanhante de luxo e hoje sou mais feliz

Uma demissão inesperada me levou para uma vida repleta de sexo, prazer e grana

Reportagem: Gabriella Gouveia

Como juntei prazer e negócio ao escolher a profissão, não posso deixar minha satisfação pessoal de lado. Às vezes sinto que não tem química logo de cara, nesses casos prefiro não ir adiante | <i>Crédito: Redação Sou mais Eu!
Como juntei prazer e negócio ao escolher a profissão, não posso deixar minha satisfação pessoal de lado. Às vezes sinto que não tem química logo de cara, nesses casos prefiro não ir adiante | Crédito: Redação Sou mais Eu!

Nunca fui de sair com muitos homens, mas sexo é fundamental na minha vida. Conheci o Roberto, meu ex-marido, em um chat de relacionamentos na internet, no final de 2006. Nessa época eu já era formada em Direito há um ano. Ele morava no mesmo Estado que eu, na cidade de Marau, no Rio Grande do Sul, a 25 km da minha cidade natal, Passo Fundo. Marcamos nosso primeiro encontro num domingo. Roberto me buscou no meu escritório em frente ao Fórum e fomos ao cinema. No final do dia ele me deixou em casa e já na mesma semana voltou para jantarmos juntos, foi aí que engatamos o namoro. Ele foi meu terceiro namorado. Três anos mais tarde, em 2009, nos casamos. A relação foi turbulenta desde o começo, cheia de grandes emoções. O tesão ficava por conta de nossas reconciliações, que eram muitas e sempre regadas a longos beijos e juras de amor!

Dezessete anos mais velho que eu, Roberto era de família tradicional, tinham uma vida confortável e um apartamento de 300 m². Me mudei pra lá e durante os primeiros meses eu ia e voltava de Passo Fundo todo santo dia, onde ficava meu escritório. Depois de três meses indo e vindo sofri um acidente de carro na estrada que liga uma cidade a outra. Minha família me pressionou para que eu largasse aquele trabalho. Para não ficar parada, passei a ajudar o Renato na loja dele de atacado e varejo de pneus, mas nunca deixei o Direito, continuei atendendo alguns casos em Marau.

A união durou quatro anos, e o casamento no papel só 11 meses. Eu não queria ter filhos e nossa relação já não ia bem. Brigávamos diariamente, ele era um cara muito machista. Eu nunca admiti ser pisada e não sei ficar quieta quando sou contrariada. Bastava um comentário torto pra desencadear uma discussão longa... Em 2010 pedi o divórcio e voltei para Passo Fundo. Larguei o direito seis anos mais tarde, depois de uma decepção com a profissão, e encontrei a felicidade sendo acompanhante de luxo de caras cheios de grana e com educação de sobra, meu pré-requisito!

Fui demitida por ser boa demais

Advoguei na minha cidade por pouco tempo e logo me mudei com a minha mãe para Sorriso, em Mato Grosso. Estado novo, vida nova! Um primo me chamou para trabalhar no escritório com ele. Logo em seguida um antigo namorado me convidou para fazer parte de sua equipe. Trabalhei ali por seis meses, até que fui obrigada a sair, pois sua esposa tinha ciúmes de mim! Na mesma época, em 2014, passei a dar aulas de Direito Constitucional na Universidade de Cuiabá. Cheguei a ter 12 turmas, sete disciplinas por semestre e fui orientanda de Trabalho de Conclusão de Curso. Mesmo assim, continuei advogando em paralelo. No início do ano letivo de 2016 fui dispensada da Universidade sem justa causa ou nenhuma explicação. Acredito que eles tinham uma implicância pela minha boa relação com os alunos, já que no meio jurídico existe uma disputa de ego imensa. Eu dava aula para muitas turmas e a grande maioria me adorava, possivelmente isso causava um desconforto entre a Diretoria. Me disseram que não existia atribuições para mim na grade daquele semestre. Quando questionei a decisão, o RH disse que eu estava dispensada do cargo e pronto.

Papai e mamãe me apoiaram na decisão

Continuei fazendo atendimentos privados para pagar as contas. Morava com mamãe e tinha o financiamento de uma casa para honrar. Foi aí que pensei em me tornar acompanhante de luxo. Minha mãe sabia que eu não queria casar de novo ou ter filhos, tampouco prestar concurso público. Por incrível que pareça, ela achou a ideia sensata e digna, me apoiou bastante! Também pudera, dona Joceli sempre confiou nas minhas decisões e sabia que eu era uma mulher forte e determinada. Para exercer a profissão escolhi me mudar novamente. Eu já tinha ido algumas vezes a Brasília. Adorei a organização e o funcionamento da cidade. Mergulhei na ideia com tudo e me mudei com mamãe para lá. Mudamos para Sorriso sem que meu pai soubesse do trabalho. Mas, menos de um mês e meio depois de iniciar os programas, fiquei famosa nas redes e pedi para minha mãe contar pra ele o que pagava nossas contas. Dona Joceli ligou para ele e disparou que eu fazia programas para nos sustentar e estava feliz com isso. Meu pai entendeu, reagiu bem e sequer questionou. Ele é caminhoneiro e tinha tudo para ser machista... mas concordou com a minha opção e ainda aceitou minha ajuda financeira mais tarde. Os dois sempre souberam dos meus esforços e batalhas, foi muito importante ter o suporte deles. Afinal, já seria uma barra daquelas a vida fora de casa.

Uni o útil ao agradável

Além de gostar muito de sexo, a revolta com o machismo na advocacia me empurrou para novos ares. Ainda em fevereiro do ano passado, depois da demissão na Universidade, me permiti pensar em fazer programas. Encontrei um site que publicava fotos sensuais para anunciar meu trabalho de acompanhante e me lancei como Simone Steffani. Um mês depois decidi assumir meu nome de registro. Afinal, todos que me interessavam sabiam da minha profissão, eu não tinha nada a esconder. Comecei os programas de fato em abril de 2016. No primeiro encontro fui a um motel com o cliente, que me buscou em casa. Ele tinha uns 27 anos. Era bonito e educado. Transamos duas vezes, cerca de uma hora e meia. Comecei cobrando R$ 500. Depois dessa vez escolhi nunca mais atendê-lo, ele começou a me enviar mensagens pedindo para fazermos sexo sem camisinha e isso eu não aceito de jeito nenhum. Hoje em dia tenho mais limitações. Não atendo mais em motéis, por exemplo, para não correr riscos.

Sou exigente: se não gostar do beijo, não rola!

Fiz um blog para contar minhas experiências e, mais tarde, um site com minhas restrições e contatos. Tenho um bom filtro, já começo aceitando apenas caras que saibam me abordar de forma respeitosa e escrevam de maneira correta. Eles também precisam ter cultura - e, acredite, dinheiro não traz conhecimento! Não faço sexo com casais e nem com mulheres. Não faço inversão, que é quando uma mulher veste aquela cinta com um pênis e dá um trato no cara! Não vou a festas com homens, nem despedida de solteiro, pois preservo minha imagem. Também não aceito dominação ou fetichismo. Escolho a dedo com quem vou me deitar.

A faixa etária dos clientes que atendo é entre 29 e 52 anos. Acima dos 65 prefiro não aceitar a oferta. Gosto de homens bem cuidados em geral, mas todos passam por uma espécie de triagem antes do sexo. Marcamos o programa depois de combinar tudo, tim-tim por tim-tim, via mensagem. Se eu não gostar do beijo no momento do encontro, já dispenso o cliente sem cobrar nada. Como juntei prazer e negócio ao escolher a profissão, não posso deixar minha satisfação pessoal de lado. Às vezes sinto que não tem química logo de cara, nesses casos prefiro não ir adiante. Não gosto de fingir que estou curtindo. Sou muito clara e digo que não quero mais.

Acredito que 99,9% das minhas relações com clientes sejam boas justamente pelo meu criterioso processo de seleção. Entre homem e mulher pode rolar de tudo, desde que haja uma conexão logo de início. Isso explica também os clientes que sempre voltam. Além de elogiarem minha performance e pedirem mais, conversam comigo sobre filmes, política, trabalho e até casamento... o deles, no caso.

Sou feliz com minha escolha, o preconceito não me abala

Eu sempre gostei da fase da paixão nos meus relacionamentos. Da conquista, do sexo com desejo, das loucuras... mas esta fase passa. Dá lugar à rotina e ao tédio! Descobri com o tempo que eu namorava para ter sexo à vontade. Escolhi viver da cereja do bolo das minhas antigas relações. Mas, vou escolher quem me dará prazer. Eis que agora eu vivo de sexo! Sou livre de corpo a alma e isso incomoda muita gente.

Claro que às vezes cansa, mas o que mais me tira do sério é a abordagem de pessoas inconvenientes que insistem em não ler os pré-requisitos. Sou bastante feliz com meus clientes e quero continuar no ramo. Não vou parar por aqui, não: ainda quero escrever, fazer mestrado e muitas outras coisas nessa vida! Pode ser que um dia eu saia da área, pode ser que não. Como qualquer trabalho, este também tem dificuldades e dias cansativos. Mês que vem comemoro um ano nessa vida. Quanto às críticas, não levo nenhuma em consideração. Acredito que se estamos bem resolvidos com nós mesmos isso não nos afeta. Eu tenho é dó de quem me julga. Não tô nem aí. Eu quero mais é ter uma vida sexual deliciosa e pagar minhas contas com prazer!

Cláudia de Marchi, 34 anos, acompanhante de luxo, Passo Fundo - RS

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23/03/2017 - 18:55

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