Dia do Rock: "Eu sei que músicas os mortos escutam lá no além"

Carmem Faini Tiepolo psicografa e grava canções que famosos fizeram após morrer. Ela também montou uma playlists com as bandas atuais preferidas de 12 saudosos ídolos do rock!

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"Sei que músicas os mortos escutam no além" | Crédito: Redação Sou mais Eu
Pouca gente sabe, mas os artistas continuam fazendo música mesmo depois de mortos. É que no plano astral existe um concorrido departamento musical, onde qualquer alma desencarnada pode produzir canções e aprender a compor. Sou testemunha. Psicografo mensagens do além desde os 12 anos e fui próxima do mestre Chico Xavier, que conheci aos 21. Foi nessa época que o famoso sambista Cartola passou desta para melhor – e não demorou a me procurar com seus sambas pós-morte. Outros espíritos descobriram o canal e em pouco tempo eu estava recebendo letras e melodias da Elis Regina. Desde então, o lado de lá nunca mais ficou quieto. 

Comecei psicografando músicas do Cartola e do John Lennon 

Na época, eu não manjava nada de música. Conhecia canções do Roberto Carlos e olhe lá! Mas, desde que os artistas do plano astral passaram a fazer contato comigo, comecei a entender mais e a apreciar estilos diferentes. Entre as milhares de músicas que já psicografei tem muito rock’n’roll e heavy metal. No início, gravava o repertório póstumo num gravador e levava ao Chico, que avaliava a veracidade. Mas hoje já posto muita coisa no YouTube.

Foi assim que uma rádio do sul, a Putz Grila, me encontrou no ano passado. O pessoal da emissora queria que eu fizesse contato com 12 ídolos do rock para saber quais bandas de hoje eles estão ouvindo do lado de lá. Um deles era o John Lennon, da banda The Beatles, que conheço desde os anos 80. Ele me procurou porque queria gravar músicas para o Paul MacCartney, seu amigo. Eu não queria porque não entendo inglês. Mas o Chico me convenceu a aceitá-lo e hoje somos íntimos. O Chico previu tudo isso. O John topou participar do projeto da rádio e me ajudou a chamar outros ícones da música.

A playlist que psicografei já está na internet. Ouve lá!

O pessoal da rádio me mandou uma lista de 200 bandas atuais para que os astros do rock montassem suas playlists (lista de músicas favoritas). Cada um poderia selecionar até 12 canções. Aí, mandei o material para o plano astral, onde os músicos desencarnados se reuniram. Imagine só o Renato Russo, o Raul Seixas, o Kurt Cobain (do Nirvana) e o Jimi Hendrix na mesma sala. Eles levaram o assunto tão a sério que demoraram três meses para me mandar o resultado. Psicografei tudo e mandei para a Putz Grila. 

Os meninos da rádio ficaram muito surpresos com algumas escolhas. Como assim o Fred Mercury, do Queen, escuta Bruno Mars, um cantor pop? Mas expliquei que, no plano astral, os músicos precisam conhecer de tudo para evoluírem. Tanto que a “Balada para Paul MacCartney”, uma das canções psicografadas do John Lennon, é diferente das composições dos Beatles. Mas é dele. Uma alma velha dessas não se prende a um único estilo musical. 

O R.I.P.: Rest in Playlist (Descanse em playlist, em tradução livre) foi ao ar ano passado, nas noites de quarta-feira. Foi um sucesso! Alguns ouvintes perguntaram o que eu tinha cheirado para fazer aquilo, mas não liguei. O único problema é que alguns músicos mortos não gostaram nem um pouco de ficar de fora. O Tim Maia, o George Harrison e o Bob Marley também querem participar. E os fãs estão loucos para saber o que outras celebs do além estão ouvindo. Me mandam e-mails bravos. Por isso, quem sabe faremos uma segunda edição. Dessa vez, não pode faltar o Michael Jackson. Ele é o mais antigo dos músicos desencarnados e o mais completo. 

As músicas pós-morte curam a alma independente da religião! 

Também psicografo músicas de espíritos comuns. O departamento musical do além bomba, porque a música é um ótimo jeito de contatar os vivos. O Ayrton Senna criou composições lindas. Algumas estão no YouTube. “Musa Rainha” ele fez para a Xuxa e “Canção para Adriane” para a Galisteu.

A música é uma linguagem universal, um jeito de passar a energia de lá pra cá. Muitos cantores são influenciados pelos mortos e nem desconfiam. Eles adoram Fábio Júnior, Paula Fernandes e Ivete Sangalo. E também me inspiram. Gravo as canções psicografadas em estúdios do Brasil e do mundo. Quando sou só eu, é uma desgraça. Sou muito desafinada. Mas, quando estou incorporada, minha voz é linda.

Todas as canções que os espíritos mandam são registradas, pois o Chico disse, um dia, que elas ainda serão ouvidas por milhões de pessoas. Não ganho dinheiro. Meu objetivo é que as melodias sejam tocadas para muitos. As músicas póstumas curam nosso espírito. Elas vão muito além de credo e fazem bem a pessoas de qualquer religião. Tanto que, no plano astral, tem evangélico fazendo música gospel e vice-versa. A causa dos mortos é maior. Eles mostram que o espírito nunca morre. E que dá pra fazer muito barulho do lado de lá. 

CARMEM FAINI TIEPOLO DE AGUIAR, 57 anos, médium, Curitiba, PR 

13/07/2017 - 17:50

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