Bom negócio: "Lucro até R$ 6 mil com batata frita no espeto!"

A matéria-prima é barata, o investimento inicial baixo e o produto chama muita atenção. César vendeu 50 unidades e lucrou quase R$ 200 logo no primeiro dia na rua!

Reportagem: Christiane Oliveira

CÉSAR FRANCISCO DA SILVA | <i>Crédito: Arquivo Pessoal
CÉSAR FRANCISCO DA SILVA | Crédito: Arquivo Pessoal
P ara muita gente, 2015 foi um ano para lá de difícil. Dólar lá no alto, empresas fechando e desemprego aumentando. As pessoas só sabiam falar da crise. Já eu não posso reclamar! Apesar de ter sido demitido num corte, nadei contra a maré e transformei um problema em oportunidade. Se muitos foram obrigados a fechar seus negócios, comecei o meu e tive muito sucesso! Peguei a ideia dos asiáticos de vender petiscos no palito e apostei num produto diferente: a batata frita no espeto. Em três meses, já estava lucrando R$ 3.500. Faça o mesmo! 

Trabalhava demais e não via o meu filho crescer... 

Antes de virar empreendedor, trabalhava numa construtora. Cuidava do estoque da empresa e vivia na frente do computador fazendo planilhas. Passava até onze horas no escritório todo dia. Quando chegava em casa, meu filho de 4 anos já estava dormindo. Mal conseguia brincar com ele ou ajudá-lo com a lição de casa. Isso sem contar que fiquei dois anos longe da família porque fui transferido para outra cidade. Essa rotina me deixava cada vez mais infeliz: não tinha vida social e, pior, não estava vendo meu menino crescer. 

Estava tão esgotado que, em 2014, comecei a juntar dinheiro para abrir um negócio e sair desse emprego. No fim das contas nem precisei. Em novembro daquele ano, a construtora mandou vários funcionários embora, entre eles eu. Sabe que gostei? Foi ótimo! Recebi meus direitos e finalmente tive grana suficiente para abrir um negócio. Só me faltava decidir em que investir. 

Pensei em abrir um food truck, aqueles caminhões adaptados para vender comida na rua, de yakissoba. Mas teria muita concorrência. Procurei mais opções e encontrei uma batata cortada em espiral e servida num espeto já frita. Era coisa dos chineses. Me decidi por esse produto na hora. Aquilo era o que eu precisava, uma coisa diferente. Sem contar que era batata frita... Não tinha como dar errado. 

Descobri a batata no espeto e investi R$ 5mil! 

Pesquisei mais e descobri que esse tipo de batata já era vendida em São Paulo e Campinas. Falei com um comerciante para saber de que equipamentos precisaria. Era simples.

Bastava um carrinho, uma fritadeira e uma máquina de corte em espiral específica para isso, que tive que encomendar. Decidido, investi R$ 5 mil: R$ 3.500 no carrinho que o serralheiro fez para mim, R$ 900 na fritadeira e R$ 400 na máquina de corte. 

Depois, descolei uns temperos em pó para colocar na batata como aquele que é usado nos macarrões instantâneos. O saquinho com 100 gramas saía por R$ 10 cada e rendia bastante. Também fiz uma degustação do produto em casa com amigos e parentes. Foi aí que testei o ponto da fritura – o ideal é que a batata frite por 3 minutos em óleo quente para ficar crocante. Inaugurei o carrinho em maio do ano passado. 

Depois disso, fui para uma praça bem movimentada para o primeiro dia de vendas do Loop Chips, meu carrinho. A reação das pessoas foi incrível. Sabia que o produto chamaria atenção, mas não esperava conquistar tantos clientes. Eles se aproximavam para saber o que eu vendia e ficavam supercuriosos. Só nesse dia vendi 50 espetos e lucrei R$ 175! Nada mal. 

Para divulgar meu negócio, mandei fazer alguns cartões com meus contatos, fiz uma página no Facebook e um perfil no Instagram. Eu não queria vender apenas na rua, mas também em eventos fechados. Para isso, tinha que ser profissional. Deu certo. No segundo mês, uma cliente me chamou para participar de um evento de moda numa galeria. O movimento foi tanto que lucrei R$ 500 num dia! 

A matéria-prima é barata e a margem de lucro é alta! 

Três meses depois, meu lucro subiu para R$ 3.500 por mês, sem contar os cerca de R$ 500 que gasto com matéria-prima. Vendo em média de 80 a 100 espetos por dia, mas já cheguei a vender 300 num final de semana! Cada um custa R$ 5 para o cliente e sai a R$ 1,20 para mim. É uma bela margem de lucro! Ofereço mais de dez sabores de tempero, como bacon, queijo cheddar, presunto, cebola e salsa e pizza. O mais pedido é o de bacon. Também tenho molho barbecue, tártaro, gorgonzola, ketchup e mostarda. 

O segredo do meu produto é a crocância. O tipo certo de batata para isso é a Asterix, que não precisa ser lavada e não solta água na hora de fritar. Por isso, fica sequinha e crocante. Ela também não é muito cara. Uma saca com 50 kg custa entre R$ 80 e R$ 150, dependendo da colheita. Sempre lavo bem as batatas com água corrente e hipoclorito. Só as corto na hora de fritar, ainda com casca. Leva só 30 segundos! Cada uma rende um espeto. No lugar do óleo de cozinha, uso gordura vegetal de palma, que é mais saudável e pode ser reaproveitada duas vezes se for filtrada com peneira e guardada no freezer. Como rende muito, acaba não saindo caro. 

Hoje, depois de quase um ano fazendo contatos através de clientes e do boca a boca, fico mais em eventos do que na rua. Participo de food parks – que reúnem vários food trucks –, casamentos e aniversários. Num mês bom, faturo R$ 7 mil – o que dá uns R$ 6 mil de lucro – só com esses eventos! Confesso que trabalho bastante. Aos finais de semana, passo mais tempo na rua do que costumava ficar no escritório, mas meus horários são flexíveis e, assim, consigo curtir bem mais minha família. Durante a semana, trabalho só do meio-dia às 18h. Dá tempo de buscar meu filho na escola, ajudar na lição de casa e até fazê-lo dormir. 

Meu negócio está indo tão bem que já tenho mais um carrinho circulando pela cidade com um funcionário. Tem tanta gente me telefonando pra montar um carrinho como o meu que estou planejando abrir uma microfranquia e me concentrar na parte administrativa. Sou um homem muito mais feliz agora. Graças à ideia que tive, estou vendo meu filho crescer de perto e curtindo muito mais minha família. - CÉSAR FRANCISCO DA SILVA, 33 anos, administrador, Recife, PE

18/02/2016 - 11:57

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