Bom negócio: "Lucro até R$ 5 mil com o cachorro-quente doce"

Em quatro sabores, essa deliciosa novidade bombou tanto as vendas do Nilton que em 3 anos ele comprou carro e apê

Reportagem: Christiane Oliveira

NILTON CÉSAR DE SOUZA JUNIOR | <i>Crédito: Arquivo Pessoal
NILTON CÉSAR DE SOUZA JUNIOR | Crédito: Arquivo Pessoal
Dizem que salsicha é comida de pobre. Pra mim, é carne nobre, que salvou minha vida duas vezes. A primeira foi em 2004, quando deixei Itajaí (SC) pra tentar a sorte em Florianópolis (SC). Mesmo sendo motoboy de dia e entregador de pizza à noite, tirava R$ 2 mil por mês! Só conseguia bancar mulher e filha porque comíamos salsicha todos os dias. Minha segunda salvação pela salsicha foi em 2006, quando ela fez minha realidade virar sonho. Literalmente! 

Sonhei com hot dog e investi tudo num trailer 

Sempre quis ter meu negócio. Tentei vender até colchão, mas só perdi dinheiro. Aí, pedi para Deus me mandar uma luz. E não é que fui atendido?! Naquela mesma noite, sonhei que fazia, comia e vendia cachorro-quente. Achei que era um sinal e comecei a trabalhar a ideia. Durante uma semana, fiquei pesquisando trailer, licença da prefeitura, fornecedor de mercadorias e ponto de venda. 

Sem falar nada para minha esposa – ela jamais toparia... –, tomei a decisão mais louca e acertada da minha vida. Pedi que meus dois patrões me demitissem. Peguei a recisão e dei, juntamente com a minha moto, como pagamento num trailer compl e to, com freezer e chapa. Ah, ainda passei seis cheques sem fundo de R$ 500 cada. Nem sabia se teria dinheiro pra pagar, tudo dependia das vendas dos hot dogs. Com o pouco que havia restado do fundo de garantia, comprei mercadorias. 

Negociei com o dono de uma concessionária de importados, que fica em frente à um posto de gasolina, e fui eu vender hot dog no estacionamento dele. 

Já no primeiro mês, consegui lucrar R$ 2.400 

Só então abri o jogo minha mulher. Quase fiquei solteiro! Ela me chamou de louco, irresponsável, ameaçou pedir o divórcio. “Fiz tudo isso para termos uma vida mais digna. Me dá um mês para eu te provar que não estou errado!”, pedi. Sem alternativa, ela topou. 

Comecei com o horário que sigo até hoje: de domingo a quinta-feira, das 19h à meia-noite, e sextas e sábados, das 19h à 1h. Logo no primeiro mês lucrei R$ 2.400. No segundo, R$ 3 mil. Comecei a conquistar clientes no boca a boca. 

Rotina bem pesada, viu? Na época, minha mulher era vendedora numa loja e saía de lá correndo para preparar os lanches no trailer. Eu chegava uma hora mais cedo para adiantar o que fosse possível, como cortar o pão, montar mesas... 

Os amigos sempre apareciam e me ajudavam na divulgação. Ao saber que eu queria inovar nos sabores, um deles me sugeriu vender cachorro-quente doce (ele havia tido a ideia num trabalho de faculdade). Achei tão estranha a ideia de comer um pão com uma barra de chocolate no meio que recusei. 

Depois, pensei: ué, se existe pizza doce, porque não hot dog doce? Chamei meu amigo que teve a ideia para ir ao trailer e fiz o primeiro lanche doce: passei leite condensado no pão e depois o chocolate. Coloquei uns pedaços de morango e prensei. Ficou delicioso, muito melhor do que pizza doce! 

Uma mulher que estava com a filha viu a gente comendo e perguntou quanto custava. Disse que era só um teste, mas faria um para elas provarem. Nossa, amaram! Na hora de fechar, um frentista que trabalha no posto em frente ao estacionamento chegou lá falando sobre minha novidade: “A moça que saiu daqui foi abastecer e falou do seu cachorro-quente doce. É verdade?”. Confirmei e pedi para ele provar no outro dia. 

Comprei um carro e um apartamento de 100 m² 

A notícia se alastrou pela cidade. Em um mês, minha demanda cresceu de 80 cachorros-quentes salgados por dia para 120 – fora os 20 doces. Precisei contratar três funcionários para me ajudar. No começo, fazia dois sabores: Sensação (morango com chocolate) e Prestígio (coco e chocolate). Três meses depois, a pedidos, criei os sabores amendoim e banana com canela. Todos com chocolate! 

Hoje, 20% das minhas vendas mensais correspondem aos cachorros-quentes doces. O pequeno custa R$ 8,50 e o grande, R$ 9,50. Vendo mais ou menos 20 unidades por noite, mas chegam a sair 35 nas noites de sábado e domingo. Só com o hot dog doce lucro até R$ 5 mil por mês. Além de impulsionar minhas vendas, esse lanche aumentou mais meu lucro, porque quem ia lá provar o doce acabava comendo também o salgado. 

Isso mudou totalmente minha vida. Em três anos, consegui comprar um carro e um apartamento de 100 m. Uma conquista e tanto para quem morava numa casa de três cômodos e dividia o quarto com a filha. Nunca imaginei que um lanche doce fizesse isso. Minha mulher, claro, me agradece todos os dias pela ousadia que tive. Não, não foi fácil: continuo trabalhando de segunda a segunda para conseguir tudo o que tenho hoje. Mas tudo bem. É um sucesso tão saboroso que todos os dias como um cachorro-quente. - NILTON CÉSAR DE SOUZA JUNIOR, 34 anos, empresário, Florianópilis, SC

Cachorro-quente Sensação
(rende 10 unidades)

Ingredientes
✓ 10 pães para hot dog
✓ 140 g de leite condensado
✓ 250 g de chocolate forneável
✓ 2 bandejas de morangos picados
✓ 1 punhado de queijo colonial ralado

Modo de preparo
Corte o pão ao meio e passe um pouco de leite condensado nas duas partes. Em seguida, espalhe o chocolate em uma das fatias e cubra com os morangos. Salpique um pouco de queijo colonial ralado, feche o pão e prense por 2 minutos ou até o pão ficar tostado e pronto.

Cachorro de banana com canela
(rende 10 unidades)

Ingredientes
✓ 10 pães para hot dog
✓ 140 g de leite condensado
✓ 250 g de chocolate forneável
✓ 5 bananas picadas
✓ 2 colheres (sopa) açúcar
✓ Canela a gosto 

Modo de preparo
Recheio: num refratário de vidro, junte todas as bananas, o açúcar e a canela e leve ao micro-ondas em potência máxima por 45 segundos – ou até o açúcar e a canela virarem uma calda grossinha. Corte o pão ao meio, passe um pouco de leite condensado nas duas partes. Espalhe o chocolate em uma das fatias e a mistura de banana com canela. Feche o pão e prense por 2 minutos ou até ficar tostado e pronto.


11/03/2016 - 11:51

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