Superação: "Reprovei em 30 concursos e fiz disso uma profissão!"

De tanto se preparar para exames públicos, Gabriela virou especialista em ajudar pessoas a conquistar a tão sonhada vaga

Reportagem: Christiane Oliveira

GABRIELA MELO DE AZEVEDO | <i>Crédito: Arquivo Pessoal
GABRIELA MELO DE AZEVEDO | Crédito: Arquivo Pessoal
Toda vez que saía um resultado de prova de concurso público era a mesma coisa: eu descia meu dedo trêmulo até a letra G e, arrasada, constatava que não havia passado. Foram 30 reprovações. Sofri tanto... É difícil explicar o quanto isso me frustrava, pois desde que me entendo por gente sou estudiosa. Filha de um pedreiro com uma dona de casa, nunca deixei minha origem humilde determinar meu futuro. Sempre me destaquei nas escolas (todas elas públicas) que frequentei. Era a mim que os colegas pediam socorro quando precisavam recuperar nota. Quem diria que essas reprovações me fariam descobrir um dom e um jeito realizador de ganhar a vida. 

Estudava tanto que fui pegando macetes! 

Nasci para ajudar as pessoas e sabia que poderia fazer isso trabalhando na Polícia Federal. Só que para isso teria que estudar muito para passar num concurso público. E quem sabe até pagar um cursinho preparatório, mas minha família não tinha dinheiro para bancar. Com foco nisso, fiz faculdade de informática. É que na época (2004), o mercado de trabalho dessa área era promissor e pagava belos salários, que me dariam condições de arcar com as despesas de estudos. 

Quando soube que os funcionários públicos da área de informática ganhavam ainda melhor que os das empresas privadas, não tive dúvidas: ia prestar concurso e passar. Para treinar, me inscrevi em vários concursos menos visados e acabei passando para cabo especializado em informática na Marinha. 

Por exigência da vaga, fui morar num quartel em São Paulo. Foram cinco anos de muito trabalho. Além de dar expediente no quartel, fazia faculdade e virava noite estudando para o concurso da Polícia Federal. Minha carga horária semanal somava 90 horas e eu passava até 36 horas acordada. Aguentei até me formar. Mas foi pegar o diploma para pedir baixa da Marinha e voltar para o Rio. 

Reprovei 30 vezes, mas não desisti! 

Desempregada (por opção, para me preparar mesmo), voltei a morar com meus pais e mergulhei nos estudos. Estudava sozinha, com apostilas – sempre incompletas, pois não tinha grana para nada! – que conseguia baixar da internet. Foram seis anos de dedicação e um total de 30 reprovações. Essa situação não era nada fácil, porque eu queria dar um futuro melhor para meus pais e eles que me sustentavam ainda. Mas nunca me pressionaram. Pelo contrário: sempre me apoiaram na busca pelo meu sonho. 

Finalmente passei para agente administrativo da Polícia Federal no começo de 2014. Ver meu sonho concretizado graças ao meu esforço fez com que me sentisse capaz para escrever no blog de um cursinho preparatório, montado por três amigos. Uma vez por semana eu postava no blog textos motivacionais e dava dicas. Não ganhava nada, mas o retorno era muito melhor do que dinheiro. Vários alunos entravam em contato, dizendo que meus artigos ajudavam na rotina de estudo deles. Fiquei tão maravilhada que, em 2015, resolvi transformar essa relação numa profissão. 

Faço 20 horas de atendimento por semana 

Um amigo fez um curso para ser coach e disse que era a minha cara. Ele explicou que o coach ajuda o cliente a refletir sobre carreira, definir quais rumos tomar e agir de forma a atingir esses objetivos. Percebi que eu tinha, sim, bagagem suficiente para ajudar as pessoas a passarem em concursos e decidi me matricular no curso. Me formei em quatro meses. 

Minha assessoria funciona assim: o cliente identifica o que o impede de passar no concurso e eu elaboro exercícios de concentração, memorização e dou dicas de estudo e macetes que desenvolvi (veja quadro). Meu objetivo é levá-lo a criar uma rotina de estudo e evolução. Tenho dois pacotes: atendimento em grupo (R$ 597 por oito encontros) e individual (R$ 1.997 por oito encontros). Tudo acontece online. Presto, em média, 20 horas de atendimento por semana. 

Hoje, tenho dois empregos: agente administrativa na Polícia Federal, onde trabalho de segunda a sexta e ganho R$ 4 mil por mês e coach. Faço atendimentos até de fim de semana e consigo tirar até R$ 6 mil por mês. Falo com orgulho: a filha do pedreiro e da dona de casa não só teve um futuro, como também ajuda as pessoas a garantir o delas! - GABRIELA MELO DE AZEVEDO, 30 anos, coach e servidora pública, Volta Redonda, RJ

Siga as dicas da Gabi para estudar direito

1. Faça várias provas na mesma área, mesmo que não seja o lugar que você queira trabalhar, só para ganhar confiança. 

2. Faça as provas anteriores. Desse modo você passa a conhecer a banca – centro de seleção que faz a prova – e descobre quais as matérias mais presentes e de que maneira são cobradas. 

3. Estude todas as matérias distribuídas ao longo da semana, porém, com carga horária diferentes, de acordo com o rendimento de cada uma. Por exemplo, se você é melhor em português do que em matemática, dedique mais horas de estudo à exatas. 

4. Faça simulados pelo menos uma vez por mês para acompanhar seu rendimento. 

5. Não abra mão da vida social. Mas transforme isso numa recompensa. Se você cumpriu as metas, por que não relaxar um pouco e ir ao cinema? 

6. Tenha contato com pessoas que estejam inseridas no mesmo objetivo que o seu. Assim vocês podem se motivar.

7. Se reprovar, tente enxergar o que você precisa melhorar. 

8. Produza seu próprio material de revisão. É legal fazer resumos bem compactos que tenham palavras-chaves.




09/03/2016 - 12:06

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