"Sou diarista e construí uma casa que ganhou prêmio!"

Depois de 30 anos de economia, Dalvina juntou R$ 150 mil para reformar seu cafofo e o teto não cair na sua cabeça. Mas ele ficou tão bonito e moderno que foi reconhecido mundialmente

Reportagem: Christiane Oliveira | Fotos: Cacau Bratke

Depois de 30 anos de economia, Dalvina juntou R$ 150 mil para reformar seu cafofo e o teto não cair na sua cabeça. Mas ele ficou tão bonito e moderno que foi reconhecido mundialmente | <i>Crédito: Cacau Bratke
Depois de 30 anos de economia, Dalvina juntou R$ 150 mil para reformar seu cafofo e o teto não cair na sua cabeça. Mas ele ficou tão bonito e moderno que foi reconhecido mundialmente | Crédito: Cacau Bratke
Comecei a trabalhar cedo. Com 14 anos, era empregada doméstica e morava no meu trabalho. Fiquei lá por 20 anos e, como não tinha gastos, guardava um dinheirinho para comprar uma casa no futuro. Meu esforço e minha determinação deram resultado: em 1986, eu e meu filho, o Marcelo, compramos uma residência pequena e humilde na zona leste de São Paulo. Nessa época, eu já tinha virado diarista e comecei a guardar uma graninha para reformá-la. 

Afinal, com o passar do tempo, os problemas começaram a aparecer. A parede vivia descascando e uma rachadura imensa em cima da minha cama só aumentava. Quando chovia, precisava afastar a cama para o outro lado do quarto. Tinha medo de que o teto desabasse na minha cabeça. E foi o que aconteceu em 2013. Por sorte, eu estava no banho na hora. Ufa! 

Nessa época, o Marcelo já não morava mais comigo e ficou muito preocupado com o ocorrido. Sabendo que eu tinha o dinheiro guardado, ele pediu para eu alugar um cantinho pra ficar enquanto reformássemos a casa. Meu filho conhecia um escritório de arquitetura e pediu o orçamento para uma reforma geral, rápida e barata. Eles foram até lá e a situação era tão crítica que acharam melhor derrubá- -la e construir uma nova. Falei para o Marcelo que eu tinha R$ 150 mil na poupança e era tudo que eu podia gastar.

Chorei quando vi meu cantinho novo! 

O pessoal do escritório garantiu que aquele seria o valor da obra. Pedimos para colocar pelo menos dois banheiros e erguer um quarto extra. O resto ficou por conta deles. Demorou um ano para a reforma acabar, mas, quando vi minha nova casa, chorei de emoção. Além de ganhar mais espaço, ela ficou linda! 

Antes, meu cantinho só tinha uma sala, um banheiro, a cozinha e a lavanderia, que era um puxadinho na parte de trás. Esse terreno se transformou num imóvel de 95 m com dois quartos, três banheiros, uma sala, cozinha, lavanderia, jardim e até terraço! E não gastei nenhum centavo além dos R$ 150 mil. Parecia um sonho. Só que ainda tinha mais por vir. Um ano depois, o Marcelo me contou que o projeto da nossa casa foi o vencedor de um prêmio internacional de melhor construção de 2016! Minha casa é conhecida no mundo todo! 

Estou muito orgulhosa, mas, pra falar a verdade, o que importa é que agora posso deitar na minha cama pra dormir sem medo de que o teto caía na minha cabeça! - DALVINA BORGES RAMOS, 74, diarista, São Paulo, SP

Melhor construção de 2016!

A antes modesta residência da dona Dalvina ficou famosa em todo o mundo porque foi a vencedora na categoria casa do prêmio internacional Building of the Year di ArchDaily 2016, que elege as 14 melhores construções do mundo entre milhares de inscritos. Três projetos brasileiros estavam concorrendo nas seguintes categorias: casa, arquitetura de interiores e arquitetura comercial. 

Em entrevista à revista Arquitetura & Construção, da Editora CARAS, um dos idealizadores do projeto, Pedro Truma, do escritório Terra e Truma, revelou que os arquitetos envolvidos na iniciativa tinham experiência em construções econômicas. Segundo ele, foi desenvolvida uma obra muito simples de executar estruturada em lajes prémoldadas e blocos de concreto aparentes.


06/04/2016 - 11:13

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