Era faxineira e hoje ganho R$ 11 mil por mês fazendo chinelos

Fiz um empréstimo de R$ 2 500 para comprar a máquina e hoje tenho minha fábrica!

Reportagem: Stephanie Celentano (colaboração: Caroline Cabral)

Comprei uma máquina manual de fazer chinelo e comecei a produzir na minha casa mesmo, sozinha! | <i>Crédito: arquivo pessoal
Comprei uma máquina manual de fazer chinelo e comecei a produzir na minha casa mesmo, sozinha! | Crédito: arquivo pessoal

Todo mundo tem o direito de sonhar com um futuro melhor. Mas, às vezes, não temos espaço para a esperança na vida da gente. Era o meu caso: eu trabalhava havia mais de oito anos como diarista e o dinheiro mal dava para colocar comida na mesa e pagar as contas. Para piorar, meu marido estava desempregado. Era um sufoco! Aí, em 2011, cansada daquela pobreza e com as costas quebradas, decidi parar com o trabalho de faxineira. Comecei a procurar outras maneiras de ganhar a vida: tentei vender cosméticos e até catei latinha na rua. E nada de a grana entrar! Já estava pra lá de desesperada quando vi uma reportagem na TV que me fez enxergar uma luz no fim do túnel. Mais que isso: eu finalmente me permiti sonhar com uma vida melhor!

Pesquisei o mercado antes de começar

Foi como uma revelação. Era dezembro de 2011 quando assisti a um programa sobre uma máquina de fazer chinelos e, na hora, percebi uma oportunidade de negócio ali. Na mesma semana, passei a pesquisar para entender esse mercado: vi quem eram os vendedores, os clientes e os fornecedores. Descobri que, para começar, eu precisaria comprar uma máquina manual de fazer sandálias do tipo havaianas, que custava cerca de R$ 3 mil. Como eu não tinha um centavo, peguei R$ 1.000 emprestados de um amigo e parcelei o restante em quatro vezes, com cheques emprestados também. Instalei a máquina no meu apartamento, comprei as placas de borracha e já comecei a produzir os chinelos. Eu mesma fazia tudo sozinha. Colocava a faca de corte em cima da placa, inseria na máquina e movimentava o macaco hidráulico. É leve e bem fácil de fazer. A máquina cortava a placa no formato da sandália e fazia os furos. Depois, eu colocava as tiras com a ajuda da prensa da máquina. Em minutos, o chinelo ficava pronto! Para começar, comprei cinco placas de borracha, que renderam 25 pares de sandálias básicas, sem estampas. Gastei R$ 300. Para vender, enchia uma sacola e saía pelas ruas oferecendo meus chinelos. No primeiro mês, negociei cerca de 100 pares. No segundo, já foram 200! Vendia cada par por R$ 10 – o custo era de R$ 3,50. No início, meu lucro oscilava entre R$ 1.000 e R$ 1.500. Depois de um mês, já consegui pagar meu amigo. Levei mais três meses para quitar os cheques emprestados. Depois de pagar minhas dívidas, passei a reinvestir o lucro no negócio, comprando mais materiais.

Em 15 dias, vendi 250 pares na rua!

Depois de apostar nos modelos mais básicos, passei a comprar placas florais para fazer chinelos estampados. Também investi em um computador, uma impressora e uma prensa para estamparia, para fazer sandálias com imagens de desenhos animados e fotos dos clientes. Era a hora de fazer meu negócio crescer! Também comprei uma maquininha de cortar as laterais para colocar strass nas bordas da sola. Comecei a inovar cada vez mais. E isso aumentava bastante minha margem de lucro. Gastava R$ 10 para confeccionar um par com strass e vendia por R$ 50. Em 15 dias, consegui vender 250 pares desses modelos na rua. Faturei cerca de R$ 12 mil! E eu não vendia em bairros nobres, não. Era nas ruas de comércio popular e nas favelas mesmo! Em 2013, parei de oferecer meus produtos na rua e investi em outras formas de venda. Passei a negociá-los em um site de artesanato e criei uma página no Facebook. Assim, atingi muito mais pessoas e passei a comercializar chinelos no Brasil inteiro!

Aluguei um sobrado para ampliar o negócio

Conforme o lucro foi crescendo, pude comprar quantidades maiores de material, o que me garantia mais descontos. Assim, consegui repassar essa diferença para o preço final do produto. Passei a vender o chinelo comum por R$ 5 e o com strass por R$ 25 – metade do preço! Isso alavancou minhas vendas e, em março de 2013, consegui juntar a grana para turbinar meu negócio: comprei uma máquina industrial de chinelos e aluguei um sobrado para abrigar a Mundial Personalizados! E não foi só isso: também passei a fornecer a matéria-prima para quem quer fazer as sandálias: solas, placas, tiras... Ou seja, vendo para os fabricantes de chinelo e também para quem só os comercializa! Também recebo muitas encomendas de modelos personalizados para eventos como casamentos, batizados e aniversários. As pessoas adoram estampar suas fotos, nomes, data, desenhos... Claro que não dou conta de tudo isso sozinha: minha irmã, meu filho, minha nora e meu marido me ajudam na fábrica. Formamos uma equipe e tanto! 

Com chinelo não tem crise

Hoje minha fábrica tem a capacidade de confeccionar três mil chinelos por dia. Por mês, produzo e vendo mais de 5 mil peças, tudo por encomenda – não tenho estoque. Meu lucro líquido é de R$ 11 mil. Nem nos meus melhores sonhos imaginei que chegaria tão longe com meus chinelos!

Gorette Xavier, 47 anos, empresária, São Bernardo do Campo, SP

29/11/2016 - 16:16

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