“Vi” minha filha 12 anos antes de ela nascer

Eu estava com 13 anos quando tive a visão de um índio. A imagem me marcou tanto que a desenhei e guardei. Mal sabia eu que minha Tayná ficaria igualzinha ao desenho...

Reportagem: Taís Helena Amaral (com colaboração de Luiza Schiff)

“Vi” minha filha 12 anos antes de ela nascer | <i>Crédito: Equipe Sou mais Eu
“Vi” minha filha 12 anos antes de ela nascer | Crédito: Equipe Sou mais Eu

Nunca fui religiosa e vai ver era por isso que, quando pequena, ficava assustada com algumas visões que eu tinha. Eu estava fazendo coisas do dia a dia ou conversando com alguém e de repente uma imagem aparecia do nada na minha cabeça. Não era como um pensamento, que a gente controla. Era algo que ocupava a minha mente independentemente da minha vontade. Durante a infância, por exemplo, eu via um casal desconhecido que passava dias sentado no meu quarto, sem dizer nada. Morria de medo, é claro! Mas achava melhor não sair espalhando, pois não tinha como provar que não estava inventando...


Quando tinha 13 anos, me contaram a história de um índio que tinha morrido numa briga entre tribos, apunhalado no coração. Não dei muita bola. Pareciam aquelas histórias para assustar crianças. O problema é que alguns dias depois, sentada no sofá da casa da minha tia, tive uma visão da qual nunca mais me esqueci: um rapaz com uma expressão muito marcante, que ficava me encarando, parado, sem fazer nada. Ele tinha traços indígenas, usava uma faixa na cabeça e uma pena. Seu olhar era diferente de tudo que eu já tinha visto. Fiquei assustada e, mesmo sem saber desenhar direito, resolvi que queria registrar aquele rosto. Na hora, peguei um papel e desenhei o índio exatamente como eu tinha visto. Mostrei o desenho para os meus pais, mas eles não deram bola. Resolvi guardá-lo e não mostrar para mais ninguém.


Ela também nasceu com um problema no coração

Aí, aos 23 anos tive meu primeiro filho, o Cauê. Dois anos depois, veio a Tayná. Minha filha nasceu com uma má-formação no coração, que foi corrigida numa operação quando ela tinha 2 anos. E, conforme minha menina foi crescendo, começamos a perceber que ela parecia uma indiazinha, com uma franjinha lisa e traços mestiços. 


Um dia, eu estava arrumando umas caixas de documentos com o Cauê. Ele tinha uns 7 aninhos. De repente, meu filho virou para mim com um papel na mão e perguntou: “Mãe, você gosta mais da Tata do que de mim?”, se referindo à irmãzinha. E continuou: “Por que você desenhou ela e não eu?”. Curiosa, peguei o papel da mão dele. Era o desenho que eu tinha feito aos 13 anos, da visão do índio. Ele e a Tayná eram um a cara do outro! Fiquei muito surpresa e assustada. Mostrei o desenho para os amigos e familiares e não deu outra: todo mundo achou os dois muito parecidos. Cara de um, focinho de outro. Tanto que meu filho Cauê chegou a confundi-los. Aí, me lembrei que o índio da minha infância tinha morrido com um golpe no coração. E a Tayná havia nascido com uma má-formação bem no coração. Coincidência?!


Não sei explicar como isso pode ter acontecido. A gente nunca sabe. Mas acredito que tive uma visão da minha filha Tayná muitos anos antes de ela nascer. E o desenho, apesar de imperfeito, é a prova disso! Eu nunca teria me lembrado daquele índio que vi na adolescência se não tivesse desenhado e guardado o papel. Quando lembro, me emociono.

 Andrea de Cássia Losito, 48 anos, terapeuta holística, São Paulo, SP

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06/04/2017 - 15:41

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