Sou a taxista da mulherada!

Faço corridas com aplicativos exclusivos para mulheres

Reportagem: Letícia Gerola

Quero levar as mulheres pra lá e pra cá | <i>Crédito: arquivo pessoal
Quero levar as mulheres pra lá e pra cá | Crédito: arquivo pessoal

Trabalho como taxista há mais de vinte anos. Nesse tempo de carreira me acostumei a atender clientes que me chamavam pelas rádio taxis! Percebi que o serviço de táxi estava sendo feito por aplicativos e dando supercerto, então resolvi experimentar. A praticidade era tamanha que saí do serviço via rádio e passei a trabalhar só com os apps. Hoje, eles são minha maior forma de comunicação com clientes. E foi graças a essas plataformas digitais que eu pude optar por aplicativos que só levam mulheres para zanzar por SP. Me tornei a taxista da mulherada!

Abandonei o vestibular para ser taxista

Com 21 anos trabalhava em um laboratório e já tinha tudo planejado para a vida profissional: iria prestar vestibular para biologia e seguir na carreira de patologia clínica. Os planos não saíram bem como eu tinha pensado... Hoje agradeço por isso! Tenho uma tia que é taxista e meus olhos brilham por ela desde criança. Admiro a garra que ela tem para seguir nessa profissão, sempre achei maravilhoso. Percebendo meu interesse, ela me instruiu a tirar os documentos necessários para entrar pro time – Condutax, habilitação, etc – assim, se algum dia eu decidisse dirigir o meu próprio táxi, já teria tudo pronto pra começar na função.

Estava com a documentação em mãos a pouco menos de duas semanas quando minha tia estacionou um táxi novinho na porta de casa e disse: “bora trabalhar”! Ela sabia que aquele era meu sonho. Abandonei os planos do vestibular e comecei a trabalhar com o táxi nas horas vagas. Me encantei com tanta liberdade e flexibilidade; os dias nunca eram iguais. Conhecer pessoas e fazer o meu próprio horário era a realidade que eu queria pra mim. Dois meses depois larguei meu emprego no laboratório e comprei o táxi da minha tia pra me dedicar à profissão de taxista em tempo integral.

Táxi só pra mulher?! Ô se quero!

Passageiras solicitando taxistas mulheres não é nenhuma novidade: desde a época das rádio taxis essa demanda já existia. Muitas pediam meu telefone pessoal pra me chamar e, quando eu não podia, elas imploravam pelo contato de alguma amiga taxista. Ouvi sobre o projeto do FemiTaxi pela primeira vez há alguns meses e fiquei animada com a ideia de um aplicativo para conectar as taxistas com as passageiras. Esperei ansiosamente até a plataforma ser lançada! Baixei no dia que saiu, me cadastrei e comecei a correr. A procura é enorme! O serviço de táxi exclusivo entre mulheres é tendência.

Minha primeira passageira pelo aplicativo foi muito marcante. Ela precisava ir a um evento importantíssimo que começava às 23h... Mas não queria sair sozinha aquela hora caso a motorista não fosse mulher, por pura precaução. Fui até sua casa e a levei para o destino solicitado. Às 3h30 da manhã lá fui eu levá-la de volta. Ela contou como tinha sido incrível rever os amigos e me agradeceu muito pelo serviço, disse que se não fosse pelo aplicativo, ela não teria ido e um dos momentos mais gostosos do ano não teria acontecido! O relato dela me emocionou, foi quando vi que a ferramenta representava uma liberdade especial, a que traz segurança.

Liberdade pra elas, liberdade pra mim

Assim como o táxi significou a minha liberdade de poder sair por aí dirigindo e fazer meus horários, uma motorista mulher também liberta as passageiras. Atendo todo tipo de passageiro, mas me sinto mais à vontade com elas, da mesma forma que elas se sentem mais à vontade comigo. Não abandonei os outros aplicativos, mas dou prioridade ao FemiTaxi. Com o aumento da demanda, em breve ficarei exclusivamente com o FemiTaxi, atendendo só as mulheres. Juntas somos mais fortes e andamos mais seguras!

Helena Santos Rodrigues, 48 anos, taxista, São Paulo, SP

A segurança delas é meu negócio

DA REDAÇÃO
Serviço personalizado para mulheres é uma demanda do mercado
Em uma conversa entre amigos, Charles Henry, fundador do aplicativo FemiTaxi, percebeu que as reclamações de suas amigas mulheres sobre o desconforto de andar de táxi com alguns motoristas homens eram constantes. De comentários desnecessários à situações embaraçosas, Charles detectou uma necessidade do mercado de aplicativos: uma pesquisa da ferramenta 99Táxis apontou que 56% das passageiras preferem taxistas mulheres – e essa demanda não estava sendo atendida.
SOBRE O APP
Quero ser passageira
Para começar a usar, basta baixar o aplicativo e informar seu nome e número de telefone: está pronto para usar. O pagamento pode ser feito com cartão de débito ou dinheiro. “Em pouco tempo liberaremos uma função em que a cobrança vem direto na fatura do cartão de crédito, como o Uber”, explica Charles.
Quero ser motorista

A plataforma cadastra taxistas mulheres que estejam regularizadas e com carros de modelos a partir de 2012 – alguns documentos como alvará do veículo são exigidos. Cadastrada no app, é só começar a fazer as corridas! “Todas as motoristas começam com a nota 5 e são avaliadas pelas passageiras. Se a nota da taxista cair e ficar entre 3,8 e 4,2 ela passa por um curso de capacitação para melhor atender as usuárias do app”, explica o fundador da empresa.

26/12/2016 - 13:45

Conecte-se

Revista Sou mais Eu