Motoboy do Pokémon: ganho para rodar a cidade atrás dos monstrinhos!

Cobro R$ 25 para pilotar durante uma hora com o mestre Pokémon na garupa

Reportagem: Caroline Cabral

Meu celular não para de tocar depois desse anúncio! | <i>Crédito: arquivo pessoal/shutterstock
Meu celular não para de tocar depois desse anúncio! | Crédito: arquivo pessoal/shutterstock

Por quase dois anos trabalhei em uma empresa de motoboys. Fazia entregas para lavanderias, bancos e cartórios. Com a carteira assinada, recebia cerca de R$ 1.300. Há um mês, fui demitido! Sim, a crise chegou até pra gente... Passei noites em claro, pensando como poderia sustentar minha esposa, que é dona de casa, e meus filhos, de 5 e 14 anos. Eu precisava me reinventar.

Tentei trabalhar como entregador por um aplicativo que liga clientes aos motoqueiros. Funciona como os apps de táxi, mas para serviços de busca e entrega na cidade, sem o transporte de passageiros. Como a demanda é baixa, o lucro também é pequeno. Fiz sete corridas e não consegui nem R$ 100.

Meus amigos riram da ideia: “Que mané, caçar Pokémon!”

O jogo de celular Pokémon GO estava prestes a ser lançado no Brasil. Nele, você precisa capturar Pokémons, monstrinhos do desenho animado. Os danados ficam espalhados pelo mundo inteiro, basta apontar o celular para um local e esperar que ele apareça. Aí, você lança uma pokebola e pronto, "captura" o seu Pokémon! A febre é conseguir o maior número deles. Para isso, tem que rodar pela cidade atrás de diferentes monstrinhos.

Para ajudar os jogadores, dá para baixar um mapa que indica onde é possível encontrar novos monstros. Foi aí que tive a ideia de transportar os caçadores até os monstrinhos e cobrar pelo serviço. Compartilhei a sacada com um grupo de amigos motoboys no Whatsapp. A galera riu da minha cara! Alguns nem entenderam do que se tratava o jogo e disseram que era loucura da minha cabeça.

Espalhei a ideia e não consigo atender tantos clientes!

Assim que o aplicativo lançou, na noite de ontem, fiz um anúncio e compartilhei entre amigos. A grande sacada mesmo foi publicar nos grupos do Facebook voltados para os caçadores. Fiz isso por volta das 23h e em menos de 24 horas já estava dando entrevistas e recebi mais de 100 pedidos de corridas!

Cobro R$ 25 por uma hora de caçada - e a maioria está achando barato. Minha moto tem carregador USB, o cliente só precisa levar seu fio para não ficar sem bateria durante a partida. A galera que mais me procura é menor de idade, então, preciso esperar a autorização oficial dos pais para agendar um horário. Com o mapa dos Pokémons daqui de Fortaleza em mãos, posso escolher os lugares mais movimentados para não expor nenhum jogador ao perigo. Inicialmente, o pagamento só pode ser em dinheiro, mas vou investir em uma máquina de cartão em breve!

A molecada até tenta negociar, mas não dá para fazer por menos, né?

Agora que o negócio pegou, todo motoboy quer participar

Muitos motoboys estão me procurando para trabalhar comigo, querem dividir a demanda. Não vou dizer que descarto a opção, tive muitos pedidos em pouco tempo. Mas ainda vou estudar se vai ser preciso. Já recebi fotos de motoqueiros de São Paulo me imitando, mas o Motoqueiro Do Pokémon original é do Ceará!

Dênis Paz, 32 anos, caçador de Pokémon, Fortaleza, CE

04/08/2016 - 18:27

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