Me casei no fundo do mar, vestida de noiva e tudo!

Disse o SIM a dez metros de profundidade, com troca de alianças e beijo no marido

Reportagem: Caroline Cabral

Agora, só falta casar no ar! | <i>Crédito: Flavinho Santos/Adson Neves/arquivo pessoal
Agora, só falta casar no ar! | Crédito: Flavinho Santos/Adson Neves/arquivo pessoal

Era março de 2012 quando um amigo resolveu me apresentar seu irmão. Estávamos na igreja que frequento há 12 anos quando conheci o Nargiclei. Trocamos um “oi” sem graça e ficou por isso. O cupido-irmão não desistiu, insistiu para que a gente se conhecesse melhor, trocasse contatos e saísse! Um mês depois, adicionei o Nargiclei no Facebook. Papeamos por dois meses até que saímos, em junho. Nos apaixonamos e logo começamos a namorar! No meu aniversário, em abril de 2013, meu amor armou uma festa surpresa pra mim. Voltei exausta do trabalho e, ao abrir a porta de casa, fui surpreendida por amigos e familiares. Mal terminamos de cantar Parabéns quando o Nargiclei ajoelhou do meu lado e me pediu em casamento! Aceitei na hora. Sabia que tinha encontrado mais do que o amor da vida, um companheiro no céu, na terra... e no fundo do mar!

Casar na água é trabalho em dobro

Fui criada no mar. Minha avó me levava para nadar quando eu era pequena, amo estar na água salgada. O Nargiclei nunca foi um grande fã de praias, mas começou a me acompanhar. Em março de 2015 ele fez seu primeiro mergulho com cilindro, conhecido entre os mergulhadores como batismo. Amou! Foi então que decidimos fazer um curso de mergulho de seis meses. Já era dezembro de 2015 e o casamento estava nos ajustes finais quando nosso instrutor sugeriu uma cerimônia no fundo do mar. Topamos na hora! Decidimos que o casório oficial, marcado para 30 de janeiro de 2016, iria seguir, e esse seria um reforço do primeiro. Marcamos a versão subaquática para 7 de maio de 2016.

Casar é bastante trabalhoso, as noivas sabem do que estou falando. Agora, casar n’água é trabalho dobrado. O mergulho exige uma roupa especial, de lycra, para aquecer o corpo. Mas não teríamos essa regalia durante a cerimônia. Por isso, mergulhamos oito vezes para ensaiar nosso “sim” antes do grande dia. Testamos a resistência da maquiagem, treinamos a ordem de chegada da equipe e planejamos cada detalhe do casório molhado!

A melhor parte foi beijar meu amor lá no fundo!

A praia de Porto da Barra, aqui em Salvador, nos recebeu com muito sol naquele sábado. A água estava um pouco turva, mas nada que atrapalhasse a visão. O casamento estava marcado para 10h. Às 6h já estava me maquiando na escola de mergulho. Por volta das 9h estávamos no barco, prontos pra mergulhar! Escolhi um vestido de noiva bem justo, modelo sereia, tudo a ver com o ambiente. Por baixo, vesti um biquíni branco. Pulamos do barco de mãos dadas, foi lindo!

Nossos convidados (colegas das aulas de mergulho) já estavam sentados em suas cadeiras quando chegamos. Primeiro, o Nargiclei foi até o altar. Então, o professor me encaminhou até meu amor! A cerimônia começou com o instrutor exibindo um cartaz com a pergunta “você a aceita como sua esposa?”. Na sequência, levantamos placas de SIM, claro, e trocamos as alianças. A hora do beijo foi a mais legal. Na hora certa, tiramos a máscara de oxigênio a 10 metros de profundidade, uma loucura! Foi um misto de amor, adrenalina e paixão! Depois disso, subimos à superfície: casadinhos em terra e no fundo do mar. Agora, queremos abençoar essa união no ar, pulando de paraquedas!

Adijaiane Grecco Rodes, 28 anos, supervisora de recursos humanos, Salvador, BA

11/10/2016 - 20:20

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