Juntamos moedinhas para viajar pelo Brasil!

Levo a família para conhecer o País guardando troquinhos em garrafas pet

Reportagem: Caique Silva

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"No início eu nem pensava no que pudesse gastar todo o dinheiro guardado, mas acabou se transformando em duas grandes viagens!" | Crédito: Arquivo pessoal (Arte: Sou Mais Eu)

A ideia de viajar com os trocos pequenos pode parecer irreal, mas surgiu graças ao exemplo da minha mãe. Todo ano, Dona Rosangela juntava moedas para pagar o IPVA do ano seguinte. Como boa mãe, me orientava a fazer o mesmo. Eu, filha teimosa, demorei a acreditar na prática. Muito tempo depois, resolvi juntar os trocos que vinham em moedas e notas de até cinco reais pra ver no que dava. Comecei em julho de 2013, assim que fiz um mês de casada. Minha família adorou a ideia, todos entraram de cabeça na brincadeira. Gastar as notas de 2 ou 5 reais virou uma ofensa ao espírito poupador que passou a reinar em casa. Moedas, então, nem pensar... Tudo que voltava de troco já tinha um destino certo: a garrafa de refrigerante usada. Confesso que não sabia que fim daria para a grana guardada, mas a regra era clara: voltou de troco, guardou!

Foram dois anos até a primeira viagem

Era janeiro de 2015 e as marchinhas de rua anunciavam o carnaval. Eu e meu marido, o Raphael, nunca tínhamos pisado fora do Estado do Rio, onde nascemos e crescemos. Sabia que a hora de conhecer um pouquinho deste Brasilzão. O Rapha me convenceu sobre usar o dinheiro guardado em garrafas para sair de casa em grande estilo. Adorei! Nenhum de nós sabia como era o mundo fora daqui.

Juntamos uma boa grana

O Rapha ficou tão empolgado que logo escolheu a primeira região do Brasil que conheceríamos: Nordeste. Assim que decidimos viajar, corri nas lojas perto de casa para trocar as três garrafas pet que acumularam nossos trocos por dois anos. Finalmente iria descobrir quanto tinha poupado. Pensei que teria por volta de uns três mil reais... Engano meu: de centavo em centavo, acabei juntando seis mil reais! Era mais do que a nossa renda mensal inteira. Dinheirinho perfeito para pagar um pacote completo para uma semana relaxando na praia. Ô vida boa!

As moedas nos levaram à Maceió

Em março de 2015, enfim, embarcamos. Eu, meu marido e nossa filha, a Julia, de 12 anos, saímos de casa felizes da vida a caminha de Maceió, capital do Alagoas e dona de praias de tirar o fôlego. Aproveitaríamos a viagem sem deixar nenhuma dívida pendente. Viajamos com tudo pago! Conheci costumes diferentes, praias paradisíacas e tive momentos únicos ao lado da minha família. Cada centavo valeu a pena. É como dizem: viajar é o melhor investimento pra vida. A viagem me fez querer sair de casa mais vezes! Por isso, assim que voltamos, continuei juntando dinheiro da mesma forma. A cada dia as garrafas iam se enchendo de moedas e uma caixinha guardava as notas pequenas. Estava juntando dinheiro pra realizar mais sonhos.

A oportunidade da segunda viagem

Em abril de 2016, no feriado de Tiradentes, surgiu a oportunidade de emendar dias no meu serviço. Logo pensei em realizar mais uma viagem, afinal, já havia guardado uma quantia boa em quase um ano. Contei os trocados e vi que somavam quase dois mil reais. O valor estava bem abaixo da primeira vez que juntei, mas como eu viajaria só, a quantia era suficiente para cobrir os gastos. Meu marido não tinha disponibilidade para ir, trabalharia todos os dias, inclusive no feriado. Então, resolvi conhecer Fortaleza, a capital do Ceará, com uma amiga. Foi mais uma viagem maravilhosa em um lugar fora do comum. Novamente, minha economia havia gerado bons frutos, de pouquinho em pouquinho.

Continuamos juntando dinheiro desde que voltei de Fortaleza, mas em menor proporção. Acontece que meu marido perdeu o emprego em novembro do último ano. Para aliviar as contas de casa, hoje ele trabalha como motorista do aplicativo Uber. Mas não desisti de viajar mais com as moedinhas, não! Nós somos a maior prova de que “de grão em grão, a galinha enche o papo”!

Monique Cleto, 37 anos, recepcionista, São Gonçalo, RJ


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16/01/2017 - 15:00

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