Faturo R$ 7 mil como esposa de aluguel

Faço compras no mercado, cozinho, levo o filho no reforço escolar, arrumo o armário...

Reportagem: Thaís Helena Amaral

Faço tudo com o maior capricho! | <i>Crédito: arquivo pessoal
Faço tudo com o maior capricho! | Crédito: arquivo pessoal

Quando me formei no curso de designer de interiores, no final de 2010, meu trabalho era planejar e executar pequenas reformas residenciais, com o auxílio de uma equipe de pedreiros, pintores e outros profissionais. Só que muitas vezes as donas da casa comentavam sobre outros problemas, como um cano vazando ou uma cortina torta, e eu acabava consertando na camaradagem. Aí, tive um estalo: por que não ganhar dinheiro com isso?

Cobro R$ 150 por quatro horas

Durante dois anos, trabalhei com as reformas e com os pequenos reparos ao mesmo tempo. Só que a procura pelas reformas foi diminuindo e a dos quebra-galhos foi aumentando. Eu não sabia muito bem como cobrar por esse serviço e também dependia muito do que me pediam para fazer. Mas variava entre R$ 50 e R$ 70 pela hora, na maioria das vezes.

Então, resolvi deixar as reformas de lado e passar a fazer apenas os outros serviços. Decidi chamar meu trabalho de “esposa de aluguel”. Minha ideia era fazer os consertos e reparos oferecidos pelos “maridos de aluguel” e agregar tarefas mais femininas, que eu já tinha notado que tinham bastante procura.

Por exemplo: eu havia conquistado clientes solteiros ou divorciados que estavam cansados de comer fast-food na rua e me pediam para cozinhar comida caseira para que eles comessem ao longo da semana. Também havia mulheres que estavam na correria do dia a dia e me pediam para levar seu filho ao reforço escolar. Ou que estavam ocupadas demais para acompanhar o pai no cardiologista. E ainda tinha aqueles que pediam para eu limpar os azulejos em volta da piscina ou trocar uma porta quebrada.

Aos poucos, fui ampliando minha oferta de trabalhos, de acordo com o que os clientes iam pedindo. O serviço deixou de focar somente pequenos consertos na casa e ficou mais abrangente. Passei a fazer compras em supermercado, a levar cachorro para tomar vacina, a comprar presente de aniversário da amiga que tinha sido esquecido, tudo! Eu estava à disposição para fazer os serviços no lugar da esposa da casa, para que ela aproveitasse seu tempo livre da maneira que quisesse.

Contratei uma diarista para trabalhar comigo

Mas meu negócio de esposa de aluguel deslanchou mesmo em 2014, quando as clientes começaram a me pedir serviços de personal organizer. Isso mesmo: eu ia até a casa delas para organizar a roupa de seus closets e seus pertences pessoais.

Além disso, eu era solicitada em muitas casas para arrumar os armários da cozinha ou a despensa. Como sempre fui muito organizada com minhas coisas, aquilo era fichinha. Meu marido até brincou que eu estava realizada por passar minha loucura de organização para os clientes. Vê se pode!

Cresci e contratei uma equipe!

Como sou uma pessoa perfeccionista, achei melhor contratar ajudantes para trabalhar comigo. Treinei a profissional para fazer tudo como eu queria. Pago um salário mínimo mais transporte e alimentação pra ela, que fica à minha disposição para trabalhar 44 horas por semana. Quando contratam as duas juntas, cobro R$ 300 pelo nosso dia. Hoje, tenho jardineira, duas diaristas e sou a personal organizer!

Tenho uma página no Facebook para divulgar meu trabalho. Isso ajudou a atingir clientes mais distantes – até então, a maioria da clientela tinha sido conquistada no boca a boca mesmo. Aproveitei para deixar o negócio com uma cara mais profissional e mandei fazer uniforme e adesivo da Esposas de Aluguel para colocar no carro que uso.

Tenho até um carro adesivado para circular por aí...

Ainda vou abrir uma franquia!

É claro que, com a correria de trabalhar das 7h30 às 19h quase todos os dias, sobra pouco tempo para eu cuidar da minha própria casa. Então, tenho uma empregada de confiança que cozinha, lava, passa, limpa e organiza meu lar do jeitinho que eu gosto! E meu esforço está sendo recompensado: consigo tirar uma média de R$ 7 mil por mês. Maravilha, né?

Acho que o segredo do meu negócio está na qualidade do serviço. Estou sempre pesquisando e estudando novas técnicas de organização e pequenos consertos. Quando alguém me pede para consertar algo que eu não sei, corro atrás para ver se dá para aprender. Só digo que não consigo se for algo realmente complicado.

Meu sonho é ver o Esposas de Aluguel crescer ainda mais. Sei que vou conseguir porque o serviço é inovador e tenho muito prazer no trabalho que faço. Estou realizada por ter me tornado uma empresária em um ramo que tem tudo a ver comigo, que é o de deixar os lares sempre aconchegantes e funcionais. Agora quero registrar a marca e virar uma franquia!

Monalize Borges, 40 anos, designer de interiores, Campo grande, MS

08/08/2016 - 08:25

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