Encontrei verme na carne de casa!

Tudo o que eu queria era comer um bife à milanesa, mas acabei vendo verme na carne que comprei pra minha família

Reportagem: Gregory Prudenciano

Que país é esse que permite que um coração de alcatra embalado a vácuo, exposto no mercado, tenha verme dentro dele? | <i>Crédito: Redação Sou Mais Eu
Que país é esse que permite que um coração de alcatra embalado a vácuo, exposto no mercado, tenha verme dentro dele? | Crédito: Redação Sou Mais Eu
Verme na carne! Eu nunca podia imaginar que era isso que eu encontraria ao cortar a carne que eu tinha acabado de comprar no mercado para servir de almoço à minha família. Que país é esse que permite que um coração de alcatra embalado a vácuo, exposto no mercado, tenha verme dentro dele? Troquei meu bife suculento por uma porção de indignação – e foi uma refeição bastante indigesta.
O pior almoço da minha vida
Era para ser um típico almoço em família. Naquela quarta-feira eu estava com uma ideia fixa na cabeça: queria um belo bife à milanesa para comer na companhia dos meus pais e do meu filho. Já imaginando aquela casquinha crocante envolvendo a porção, fui até o supermercado em que sempre faço compras e escolhi pouco mais de um quilo de coração de alcatra. A carne estava bem bonita, vermelhinha, toda embalada a vácuo. Paguei a compra, entrei no carro e dirigi tranquilamente até a casa dos meus pais. 
Ao abrir a carne, a primeira decepção: aquele monte e gordura me faria limpar a peça antes de fritar os bifes, mas isso nem me chateou muito. Normal, né? Quem compra carne no Brasil sabe que aquela peça bonita da embalagem esconde um monte de sebo, impossível de consumir. Já é uma maneira de ser lesada, né? Mas é o tipo de coisa tão comum que a gente nem reclama mais, infelizmente. E quer saber? Antes tivesse ficado só no excesso de gordura... 
Verme por dentro: como servir isso?
Logo no primeiro corte, bem no meio da peça, vi algo que nem no meu pior pesadelo pensei que fosse possível encontrar: um verme! Enorme e gordo! Dentro da carne! Meu estômago embrulhou na hora e eu tive que tapar a boca com a mão para não passar mal ali mesmo. Ao mesmo tempo, fui invadida por uma raiva e que poucas vezes senti na vida. Como aquele pedaço de carne embalado a vácuo, com o selo que indicava ter sido fiscalizado e aprovado pelo Ministério da Agricultura, tinha verme? Como aquela coisa nojenta tinha ido parar na minha cozinha? A carne parecia normal, com a cor de sempre e nenhum cheiro estranho. Por falta de fiscalização, eu corri o risco de ingerir um alimento que claramente não estava apto para consumo. 
Minha primeira ação foi fotografar aquela cena horrível e colocar no Facebook. Era uma maneira de desabafar. Ainda citei a marca da carne na postagem para que eles vissem minha indignação e tomassem alguma providência. Depois disso botei aquela nojeira em uma sacola e fui direto para o supermercado, afinal, no meu congelador é que não ia ficar! Quando cheguei, fui logo atendida pelo setor de relacionamento. Expliquei a situação e tentei mostrar a peça com o verme, mas nem a atendente teve coragem de abrir para ver. Ela chamou o gerente, que levou minha peça para uma parte do mercado cujo acesso era restrito aos funcionários. Ele me devolveu o dinheiro, pediu desculpas e me orientou a reclamar direto com a marca. Voltei para casa ainda me sentindo lesada, aquilo tinha saído barato demais. Mas eu tinha um problema mais urgente: o almoço da minha família. Naquele dia comemos arroz, feijão e salada de brócolis. Carne nem em pensamento! 
A empresa quis me calar com BRINDES!
Assim que a marca da peça estragada viu minha postagem na internet, entrou em contato comigo. O atendimento começou pelo Facebook mesmo, com perguntas a respeito de quando eu tinha comprado, por quanto tempo eu tinha conservado a carne - que era nenhum, já que eu tirei da gôndola do supermercado e levei direto para a cozinha – e outras fases do processo. A atendente disse que haveria uma investigação, mas como isso ia acontecer se eles não se interessaram em ir atrás da peça? Depois disso, começaram a me oferecer brindes na esperança de eu me dar por satisfeita. Ofereceram mais carne, e embutida! Olha o absurdo. Não bastava o trauma no meu almoço, ainda queriam comprar o meu silêncio me empanturrando de mais carne de uma marca que, obviamente, eu não confiaria nunca mais! 
Depois de algum tempo de atendimento a empresa resolveu ser “generosa”: me ofereceu uma BOLSA TÉRMICA! Eu fiquei ainda mais irritada. Queriam que eu andasse por aí desfilando uma bolsa térmica com a marca deles depois desse episódio horrível e ainda insinuaram que eu era o problema ali, já que não queria aceitar os mimos, e não eles, os culpados por venderem carne com verme para a minha família! 
A Operação Carne Fraca
Quando a Polícia Federal anunciou aquela megaoperação que prendeu um monte de gente e revelou um esquema de corrupção envolvendo fiscais do governo e grandes empresas alimentícias, eu nem me surpreendi. Mesmo antes desse episódio do verme eu já tinha comprado carne com cheiro ruim, devolvido e trocado por outra ou então por dinheiro. Meu tio trabalhou em frigorífico há mais de 15 anos e dizia para ninguém da família comer salsicha porque o processo de fabricação era nojento. Mas, mesmo assim, depois da Operação Carne Fraca algumas coisas mudaram para mim. Afinal, parei de consumir alimentos das marcas que tiveram problemas sanitários. Aquela marca do verme eu nunca mais comprei, jamais vou pôr na boca um pedaço de carne dessa marca e até mudei de supermercado porque o que eu frequentava não vendia outras opções. 
Ainda penso em procurar um bom advogado e correr atrás dos meus direitos, isso não pode ficar assim. Mas a loucura do dia a dia e o medo de perder dinheiro numa causa difícil me desanimam porque para todo lado que a gente olha tem um jeitinho, há muita corrupção. Está difícil de confiar no Brasil!
Andrea Pires, 41 anos, executiva de contas de Curitiba, PR

DA REDAÇÃO

A Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, foi deflagrada no dia 17 de março de 2016 e revelou um esquema de corrupção envolvendo fiscais do Ministério da Agricultura e grandes frigoríficos brasileiros. A operação mostrou que as empresas pagavam propina aos fiscais e assim vendiam produtos vencidos, com ingredientes mais baratos e adulterados, o que gerou uma crise de confiança na carne nacional. 

A Operação Carne fraca acabou gerando muitas dúvidas entre os consumidores brasileiros. Será que a carne nacional não deve mais ser consumida? Como diferenciar um produto bom de um produto adulterado? Existe diferença entre a carne do açougue da prateleira do supermercado? Para responder essas perguntas a Viva! Mais fez uma transmissão ao vivo com Letícia Massula, chef especializada em carnes. Assista: 

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24/03/2017 - 17:00

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