Competição entre mulheres: a importância da união feminina

Estereótipos sugerindo que dirigimos mal e fazemos mais fofoca são equivocados e prejudiciais. Analista comportamental desconstrói os mitos mais difundidos sobre nós

Renato Bianchi

Devemos nos ver como aliadas e não como rivais, para acabar com a opressão | <i>Crédito: Shutterstock
Devemos nos ver como aliadas e não como rivais, para acabar com a opressão | Crédito: Shutterstock

Pode ter sido no ambiente de trabalho, no almoço de família ou na mesa de bar. O fato é que você certamente já ouviu alguma piadinha dizendo que mulheres dirigem mal, fazem mais fofoca ou que adotam um comportamento agressivo quando colocadas em uma situação de competição – principalmente com um homem. Mas será que isso acontece mesmo? Seriam as mulheres mais fofoqueiras e competitivas do que os homens? Será que é melhor ter amizades masculinas?

Tayná Leite, analista comportamental para mulheres e coach de autodesenvolvimento humano, explica que tudo isso não passa de mito: “Há um incentivo social, quase que uma pressão para estimular a competição entre mulheres e isso acaba sendo alimentado através de piadinhas, frases de senso comum e reprodução de estereótipos”. Segundo ela, não existem evidências científicas de que mulheres sejam naturalmente mais ou menos competitivas do que os homens. “Além de não refletirem a verdade sobre as mulheres, esses mitos contribuem para que elas sejam oprimidas e impedem que se unam em torno de temas relevantes para todas elas”, afirma. Para a analista comportamental, o ideal é que as mulheres se encarem como aliadas, e não como rivais, e coloquem a empatia em prática. Com isso, elas só têm a ganhar. “As mulheres precisam ocupar espaços e fazermos isso juntas é mais fácil e mais produtivo”, orienta.

Para isso, o primeiro passo é eliminar o julgamento e todos esses lugares comuns. “Se uma mulher é fofoqueira, isso é logo associado ao fato de ela ser mulher. Mas, quando um homem é fofoqueiro, não se fala em gênero – ele apenas é fofoqueiro”, analisa a coach. Tayná aponta algumas pesquisas que desmistificam esses estereótipos: “Segundo estudo do Privilege Insurance, empresa de seguros do Reino Unido, as mulheres dirigem com maior segurança e usam menos o celular ao volante do que os homens. Já uma pesquisa realizada pelo The Fifth Estate on Blu-ray and DVD mostra que os homens tendem a repassar uma fofoca muito mais rapidamente do que as mulheres, principalmente se o assunto envolver casos extraconjugais”.

E na hora de desabafar e confiar segredos? “O melhor é sempre termos amizades genuínas, sinceras e pautadas no respeito e na ajuda mútua, e não no gênero, que não deve ser nem critério para escolha de parceiros afetivos e muito menos de amizades”, conclui.

30/05/2016 - 19:22

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