Ajudo a mulherada a se livrar da progressiva!

Assumi meu cabelo natural e tenho uma página no Facebook que auxilia mulheres na transição capilar

Reportagem: Letícia Gerola

Cabelo alisado e cabelo natural, logo após o corte! | <i>Crédito: arquivo pessoal
Cabelo alisado e cabelo natural, logo após o corte! | Crédito: arquivo pessoal

Parece mentira, mas juro: até os 23 anos de idade, eu não conhecia o meu cabelo. Não tinha ideia do formato, da textura ou de como ele moldaria meu rosto. O que eu via no espelho eram fios completamente modificados por 16 anos de químicas. Não que isso me incomodasse – eu gostava bastante do visual, me sentia bonita. Só que deixei o emprego de monitora na escola que trabalhava e ficou inviável gastar R$ 150 a cada três meses para retocar a progressiva! Era hora de dar uma chance ao meu cabelo natural.

Aos 7 anos eu já fazia permanente!

Foi minha mãe quem me levou ao salão pela primeira vez para fazer uma permanente afro – processo químico que deixa os cachos mais definidos e organizados. É que ela achava meu cabelo “bagunçado”. Eu tinha 7 anos e lembro que, para manter o cacheado arrumadinho, tinha que molhar, passar creme, secar com cuidado. “Que trabalheira! Se fosse liso, seria muito mais fácil de cuidar”, pensei. Não deu outra: por volta dos 12 anos, comecei com o alisamento. Eu mesma fazia no banheiro de casa, com produtos próprios para o processo.

Porém, alisar em casa dava trabalho e o efeito não durava muito... Então, aos 17 anos, me joguei na progressiva. Foi uma decisão minha e tive que viver com suas consequências – especialmente a financeira, que vinha cobrar R$ 150 a cada três meses pelo meu retoque de raiz. Isso sem falar no secador, na escova e na chapinha, fundamentais para manter os fios em ordem.  E eu que achava que o cabelo liso seria muito mais fácil de cuidar!

As trancinhas foram minha salvação!

Eu tinha plena consciência do que teria de enfrentar para remover 16 anos de química dos fios. Eu sabia, sobretudo, que não seria do dia pra noite! Li muitos blogs, assisti horas e horas de dicas no YouTube, conversei com pessoas que estavam em diferentes fases da Transição Capilar (nome do processo de abandonar a progressiva). Ela é diferente para cada um, e não é fácil pra ninguém. De turbantes a raspagens radicais, cada pessoa encontra sua maneira de viver esse momento. A minha foi o twist.

Conheci a técnica em um canal do YouTube. Consiste em fazer trancinhas com duas mechas, passando creme junto. Toda vez que eu lavava, fazia as trancinhas. Dava trabalho e demorava quase uma hora, mas tornou a minha transição muito mais tranquila. Depois de alguns meses, cortei as pontas alisadas e deixei o cabelo curtinho, fazendo twist somente na raiz. Estava a meio caminho de reencontrar o meu cabelo natural.

Nossa página tem 130 mil seguidoras!

Durante minha transição, conheci no Facebook a página Libertação da Chapinha. Vi que estavam pedindo ajuda na administração do post e me ofereci. Caprichei na pegada motivacional, mostrando inspiradores fotos de antes e depois! Deu certo: há dois anos não tínhamos nem 1 mil seguidoras e agora estamos com 130 mil!

Uma das coisas que mais me surpreendeu já durante a transição foi a quantidade de elogios que recebi! Meus cachos ainda nem estavam cheios e definidos e minhas amigas e até minha mãe já apoiavam. As pessoas aplaudiam não só o meu novo visual, mas também a minha atitude. Porque assumir os cachos vai além da beleza, é tomar a iniciativa de ser você de verdade!

Cacho perfeito é aquele que é seu!

Hoje, me sinto muito mais bonita... Empoderada, sabe? Sem falar na bela redução de gastos: um simples creme hidratante já deixa meu cabelo como eu gosto – muito mais viável que as constantes progressivas. O comprimento ainda não está do jeito que eu quero (quero na altura do ombro), mas eu chego lá. Cabelo, pra mim, vai além de estar bonito ou estar feio. Cabelo é se conhecer, entender que o cacho perfeito é o seu cacho.


Libertação da Chapinha: ponto de encontro da motivação

Assumi a página em julho de 2014. Faço as postagens sozinha e tenho duas amigas que ajudam a responder o inbox da página, que bomba! Recebemos de tudo: fotos de antes e depois, histórias de transição emocionantes, dúvidas, pedidos de dicas... Como focamos a página em fornecer inspiração para quem quer se libertar da chapinha, criamos um grupo no WhatsApp onde as próprias seguidoras trocam figurinhas sobre técnicas, dicas e indicações. É cada  história de vida surpreendente... Muito gratificante!

Fernanda Luisa Vieira, 25 anos, São Carlos, SP.

04/08/2016 - 10:58

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