O milagre dos ursos de pelúcia

Eles transformaram minhas más lembranças amorosas em uma fonte de alegria

Reportagem: Caique Silva

Transformamos amor em amor! | <i>Crédito: Arquivo pessoal (Arte: Sou Mais Eu)
Transformamos amor em amor! | Crédito: Arquivo pessoal (Arte: Sou Mais Eu)

Foi em 2015, que o fim de um namoro me inspirou a dar uma reciclada na vida, em todos os sentidos. Comecei por reorganizar meu quarto. Abri o armário e dei de cara com três bichinhos de pelúcia que havia ganhado nos relacionamentos que tivera até então. “Eita, quanta recordação triste... Ah, se eu pudesse trazer de volta a alegria que esses bichos me proporcionaram um dia!”, pensei. E, então, tive uma ideia que mudaria a minha vida. E a de um monte de gente!

Começaram a chegar centenas de bichinhos, uma loucura!   

O conceito é bem simples: doar bichos de pelúcia “usados” para crianças que vivem em lares de acolhida (antigos orfanatos). Empolgado, criei no Facebook uma página para a campanha, batizada de Amor de Pelúcia. Eu não fazia a menor ideia de que a história fosse tomar a dimensão que tomou, mas em questão de 15 dias eu já tinha em casa 600 itens para doar. Foi uma das sensações mais incríveis da minha vida, constatar que aqueles simples objetos voltariam a inspirar amores.

Funciona assim: entro em contato com um lar de acolhida e marco um dia para a entrega dos bichinhos. Mas não é só chegar lá, dar a pelúcia e ir embora, entende? Eu e os voluntários que quiserem me acompanhar passamos o dia todo com as crianças. Aí, no final, oferecemos os bichinhos. Impressionante, como a meninada recebe o mimo como símbolo de afeto, e não como uma doação. E é mais impressionante ainda como nós, voluntários, somos os verdadeiros beneficiados, por podermos enxergar o quanto nossos problemas cotidianos são mínimos, perto das histórias de vida daqueles pequenos.

Já doamos mais de dois mil bichinhos de pelúcia

Até hoje, já realizei três edições do Amor de Pelúcia. A campanha acontece periodicamente, em datas especiais, como o Dia das Crianças e o Natal. A primeira foi em Recife, com a entrega de aproximadamente 600 bichinhos. A segunda, em Recife, Fortaleza, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas, onde distribuímos cerca de 800 pelúcias. A terceira em São Paulo e em Recife, entregando por volta de 700 bichinhos.

Confesso que passa pela minha cabeça a preocupação de não conseguir realizar novas edições, pois não posso dedicar 100% do meu tempo a isso e não tenho condições de arcar com todos os gastos. Por isso, estou buscando uma estrutura melhor de apoio e gestão, como patrocínios e apoio de terceiros. Para quem deseja participar, ser um dos voluntários ou até mesmo organizar a campanha em sua cidade, o Facebook é nosso principal meio. 

Muitos me dizem que o mundo precisa de pessoas como eu, mas sei que não sou diferente de ninguém. É questão de iniciativa. Eu tive, mas todo mundo pode ter.

 

09/01/2017 - 15:36

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