Fui de gorda sedentária a campeã de fisiculturismo

Parei com o levantamento de garfo e hoje tenho saúde de ferro e uma barriga tanquinho

Reportagem: Helena Furtado

Deixei o sedentarismo e virei fisiculturista | <i>Crédito: arquivo pessoal
Deixei o sedentarismo e virei fisiculturista | Crédito: arquivo pessoal

Acordei no susto, às 3h da manhã, com o coração acelerado e sem saber o que estava acontecendo. Tentei me acalmar, mas meus batimentos cardíacos eram tão rápidos que achei que ia enfartar. Que medo! Corri para uma cardiologista na manhã seguinte e ela me deu a maior bronca: “Você tem 31 anos e já está com colesterol alto, acima do peso e sedentária. Não tem vergonha, não?!”. Na hora, tive vontade de me esconder. Mas, com 72 kg e 1,63 m de altura, não seria fácil.

Estávamos em maio de 2010, a médica jogou na minha cara que até ela, aos 42 anos, estava mais em forma do que eu. Não era pra menos! Meu dia a dia era trabalhar na minha empresa de publicidade e comer casquinha de siri no quiosque da praia, sempre com muita cerveja. Exercício? Nunca! Por isso, corria o risco de ter um derrame, como o meu pai. Era hora de tomar uma atitude.

Caía de boca no churrasco e na cerveja

Ter ânimo para academia não seria fácil. Vivia atolada de trabalho desde 2007, quando montei minha empresa. Nessa época, comer era resposta pra tudo: consolar, desestressar, comemorar... Haja churrasco! Quando percebi, tinha engordado 12 kg e não aguentava subir um lance de escadas sem ficar ofegante. Já não queria sair de casa e tinha crises de choro. Mas me enganava, dizendo que emagrecer só era possível com lipoaspiração.

A verdade é que eu tinha preguiça. Quem me deu um empurrãozinho foi meu marido, que sempre gostou de malhar. Ele nunca disse que eu estava gorda, mas me matriculou na academia e me incentivou a suar os quilos extras. Meu treino incluía musculação três vezes por semana e bike ou esteira seis vezes! Morria de vergonha e usava roupas bem largas, mas eu só descansava domingo. Meu corpo todo doía, mas eu tinha sangue nos olhos.

Perdi 6 kg num mês e me empolguei

Além de malhar, fechei a boca. Cortei o happy hour no barzinho, troquei a carne vermelha pela branca e a farinha comum pela integral. No começo eu sonhava com pão francês. Queria chorar com o cheiro da coxinha da padaria. E o empadão? Ô, saudade! Mas o resultado valeu a pena: em um mês, perdi 6 kg! A satisfação foi tão grande que decidi encarar a malhação e a reeducação alimentar como mais que algo temporário. Seria meu estilo de vida!

Com garra e dedicação, levei só três semanas para atingir meu peso ideal, 60 kg. Também já não me cansava tão fácil. Por isso, passei a participar de corridas de rua. Em seis meses, corri 17 provas. Fui de 5 km a 21 km! Isso me manteve motivada por mais de dois anos. Só que, mesmo estando magra, chegou uma hora que eu queria mais. Foi aí que descobri o fisiculturismo, prática que busca esculpir o corpo através da musculação.

Em 2013, fui para a maior feira esportiva do mundo, no Rio de Janeiro. Um nutricionista me viu e me chamou para um campeonato de fisiculturismo. Disse que meu corpo tinha potencial. Eu achava lindas aquelas mulheres definidas... Mas ficar igual a elas parecia impossível. Ainda mais que o campeonato seria dali a dois meses. Mas o nutri falou tanto que me convenceu.

Meu corpo secou em apenas dois meses e eu virei campeã!

A partir daí, foram dois meses de treino intenso. O objetivo era fazer com que os músculos ficassem durinhos e desenhados, o que exigia dieta e malhação rigorosas. Passei a fazer 40 minutos de musculação seis vezes por semana e mais uma hora de exercícios aeróbicos todo dia. Comia muita proteína e tomava três suplementos diferentes ao longo do dia. Só assim para aguentar tudo isso e ainda trabalhar e limpar a casa depois! Quando o grande dia chegou, em junho, meu percentual de gordura era de 7%, um quarto do que tinha quando gorda. Mesmo assim, subi no palco da competição tão nervosa que nem lembro direito o que aconteceu. Fiquei surpresa ao ver que estava mais seca que as outras meninas e quase caí pra trás quando os juízes anunciaram as vencedoras. Sim, eu era a vice-campeã do meu estado! Que alegria!

Com essa vitória em mãos, não tinha como parar. Em 2014, me inscrevi para um campeonato da WBFS, uma federação internacional de fisiculturismo. A competição seria em Miami e me preparei por dois meses. Todo o esforço foi recompensado quando subi naquele palco gigante e só saí de lá com a faixa de campeã mundial! Além disso, arrematei o título de atleta profissional no mesmo evento. Ou seja, agora só posso participar do circuito profissional, acredita? Um luxo!

Amo meu novo corpo e tenho mais saúde!

A comida não me controla mais!

Meu ritmo diminuiu após a competição, mas não parei de malhar, porque peguei gosto pela coisa. Amo perceber que meus braços e pernas estão mais definidos ou que meu número de repetições nos aparelhos está aumentando. É como se eu tivesse lutando contra mim e ganhando o tempo todo. Pode parecer loucura, mas não troco isso nem pela coxinha mais gostosa do mundo! Quero mais é continuar competindo.

Minha saúde é a maior recompensa. Meu humor melhorou, meu intestino funciona e as enxaquecas acabaram. Também aprendi a comer e treinar nos horários certos. Não afogo mais as mágoas em comida. Adoro minha barriga tanquinho e, quando me olho no espelho, é só satisfação. Levantamento de garfo? Nunca mais! Você pode me acompanhar no Instagram!

Karla Souza, 37 anos, publicitária, Vila Velha, ES

27/07/2016 - 21:16

Conecte-se

Revista Sou mais Eu