Dieta: "Que bariátrica que nada: dei meu jeito e perdi 50 kg em um ano!"

Sem ajuda de ninguém, eu provei para os médicos que a redução estomacal não era a única forma de repaginar minha vida

Reportagem: Caroline Cabral

Nesse dia, meu chefe disse que eu quebraria a suspensão do carro dele... | <i>Crédito: arquivo pessoal
Nesse dia, meu chefe disse que eu quebraria a suspensão do carro dele... | Crédito: arquivo pessoal

"Eu não vou te dar carona, você vai quebrar a suspensão do meu carro", ouvi do chefe quando eu pesava quase 110 quilos. Estávamos a caminho da festa à fantasia da empresa e eu desempenhei com louvor o papel de gorda-engraçadona: ri como se fosse infartar. Só eu sei como foi chegar em casa e chorar até dormir naquela noite. Mais uma vez me senti humilhada pelo corpo que carregava.

    O grande baque mesmo só veio com a gravidez do meu terceiro filho, em 2012. Engordei 50 kg durante a gestação. Era o efeito rebote de tanta sibutramina (remédio para inibir o apetite) que eu já tinha mandado pra dentro. Fui levada para uma cesárea de emergência com 130 kg, infecção urinária, diabetes gestacional, pressão alta e um superbebê com mais de 4 kg na minha barriga! O médico foi bem claro com meu marido: "Sua esposa e seu bebê podem morrer". Era um parto de altíssimo risco.

         Se uma grávida prestes a dar à luz tem dificuldades para se mover, uma com obesidade mórbida é praticamente um monte de gorduras sem vida. Fui colocada em cima da maca de ferro e tive pavor de que ela quebrasse. Fui para a sala de cirurgia como um condenado que segue o caminho da execução, sem fé. Chorava desesperada, tomada por um misto de arrependimento por tudo que comi na vida e clamando por redenção. Eu não queria morrer, não queria matar meu filho. 

         A sala de operação mais parecia uma convenção, com 30 médicos assistindo à cena. A comoção foi geral quando, na segunda tentativa, a anestesia penetrou na camada de gordura e funcionou. Quando finalmente nasceu, meu filho estava com o cordão umbilical enrolado no pescoço, todo roxinho, mas vivo!

         Durante a amamentação emagreci 22 kg. Não fiz nada para isso, foi o processo natural do meu corpo. O médico me garantiu que só uma cirurgia bariátrica tiraria tanta gordura acumulada. Depois de uma cesárea traumática, tão próxima da morte, neguei a cirurgia, não teria coragem. Decidi que aceitaria ser gorda para sempre e fim.

 

Com meu sobrinho e filho, em 2015, e agora, em 2016


"Me olhava no espelho e dizia: Carol, essa não é você"

         Minha alma entristecia a cada novo quilo na balança e desconforto ao vestir uma calça. Eu me olhava no espelho e não me reconhecia. Meu marido nunca me pediu para emagrecer, mas a obesidade começou a afetar nossa relação. Minha libido tinha diminuído, eu não me sentia confortável naquela pele cheia de dobras. Ele não podia soltar a imaginação na cama! Outros problemas do sobrepeso também deram as caras: suor excessivo, falta de ar, dor nas pernas e nas costas. Estava entregue a um corpo velho, cansado, sedentário e enorme!

         A coragem para mudar veio depois que me analisei no espelho, completamente nua. Vi um corpo deformado, pernas sem forma, barriga cheia de dobras, um rosto inchado e pés como dois pães, estufados. Sentei na cama e chorei tudo que habitava meu peito. Soluçava a dor de ter chegado tão longe. As lágrimas limparam a venda que encobriu meus olhos por tanto tempo: a mudança viria de dentro daquele corpo feio. Eu sabia o que tinha que fazer. E fiz.

    

Sem ir ao médico, pesquisei tudo online

         Decidida a mudar de vida e corpo, passei a ler sobre nutrição na internet. Fugi das dietas malucas que prometem milagres em poucas semanas e encontrei minha fórmula baseada na dieta Dukan. Passei a ingerir muita proteína e fui deixando o carboidrato de lado. Descobri que, além da dieta, mudar a mente de gorda seria essencial para não desistir. Fiz pratos com porções menores e observei meus hábitos alimentares.

    Sempre encontrava motivos para comer doces compulsivamente. Alegrias e tristezas liberavam a mesma recompensa em mim: uma caixa de bombons. Troquei o chocolate por frutas, água e proteína. Comia até ficar satisfeita, e não comia o doce que meu cérebro pedia. Com o tempo enganei o malandro e ele entendeu que sentimento não se come, se sente! Larguei o refrigerante, depois as massas e por último o leite com chocolate que tomava toda manhã. Troquei a farinha branca pela integral e passei a consumir bastante proteína. Também dei início a caminhadas noturnas. Comecei com dez minutos, tempo que minha carcaça aguentava. Aos poucos aumentei a duração e hoje caminho uma hora e ainda arrisco corridinhas. É tudo questão de costume e hábito, acredite.

 

Emagreci rápido e sem grandes sacrifícios

    Quando planejei meu emagrecimento mentalmente, me dei três anos para eliminar tudo que precisava. Sem saber que a paciência me faria alcançar a meta muito antes. Em maio de 2015, um mês depois da mudança mental, já tinha eliminado 6 kg! Pela primeira vez vi o ponteiro da balança baixar, tudo graças ao meu esforço. Estava mais motivada do que nunca e decidi que iria até o fim.

    Em um ano sequei tudo que precisava. Hoje peso 58 kg e me reconheço quando olho no espelho. Não tenho mais vergonha, minha vida sexual vai muito bem. Eu e meu marido estamos em  sintonia, podemos ousar sem medo! Minha regra de ouro para emagrecer? É o que digo para minhas seguidoras no Facebook, onde dou dicas sobre emagrecimento e conto mais detalhes da minha dieta: não desista, persista. Você também vai conseguir!


Caroline Delphino Costa, 35 anos, atendente, São Paulo, SP​


A dieta de Caroline
Avaliado pela nutricionista Luana Stoduto, da Noivas na Medida e Conexão Cross Fit (RJ)

Café da manhã:
1 fatia de pão integral com 1 colher pequena de requeijão light
1 copo de suco de laranja OU 1 xícara de chá verde
1 fruta

Obs: Substituria o pão por uma omelete recheada com o próprio requeijão
Ou suco ou a fruta: indico a fruta por ter mais fibras e dar mais saciedade. 
Pode manter o chá verde, sem adoçar.
 
Lanche da manhã:
1 pote de iogurte light com frutas

Obs: o iogurte não precisa ser light, menos gordura significa mais carboidratos (que são os maiores responsáveis pelo ganho de peso).
 
Almoço:
2 colheres de sopa de arroz integral
2 colheres de sopa de feijão
Verduras  à vontade
1 filé de frango grelhado OU 1 filé de peixe
 
Lanche da tarde:
1 fatia de pão integral com frango desfiado e tomate
 
Jantar:
2 filés de frango grelhado
Legumes e verduras
 
Ceia:
4 torradas e chá de camomila

Obs: retiraria as torradas e deixaria somente o chá de camomila
Pode consumir também creme de abacate ou avocado com cacau, vai dar bastante saciedade.


Odiava tirar fotos, hoje me produzo toda!

06/07/2016 - 10:00

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