Virei patroa na casa onde eu era faxineira!

Depois de oito meses fazendo faxina na casa do Manuel, ele se declarou para mim e me pediu em casamento. Hoje, sou a dona da casa e vivo um conto de fadas!

Reportagem: Thaís Helena Amaral (com colaboração de Luiza Schiff)

O Manuel é um presente que Deus me deu! | <i>Crédito: Redação Sou Mais Eu
O Manuel é um presente que Deus me deu! | Crédito: Redação Sou Mais Eu
Sabe quando nossa vida está tão difícil que a gente não consegue enxergar uma luz no fim do túnel? Pois essa era minha situação em 2011. Tinha sido demitida da casa onde trabalhei por seis anos como empregada doméstica e morava em um quartinho na casa dos meus pais com minha filha, Maynara, que tinha 10 anos na época. Comecei a correr desesperada atrás de trabalho. Acabei conseguindo um emprego de meio período como babá, mas mal dava para pagar minhas contas. Para tentar garantir meu futuro, comecei um curso de técnica em enfermagem aos sábados. E aí, para complementar a renda, passei a procurar serviço como diarista. Avisei meus amigos para me indicarem, caso soubessem de alguém procurando faxineira, e logo apareceu um interessado, o Manuel. Eu só não imaginava que estava sendo contratada pelo homem que ia se transformar no amor da minha vida...

Enquanto eu faxinava, ele conversava comigo
Fui até a casa do Manuel para combinar o preço e o dia da faxina. Era um sobrado bonito e espaçoso. À primeira vista, não senti nada de especial por ele. Notei apenas que era um coroa bonito e que morava sozinho. Combinamos que eu ia fazer a faxina todas as sextas-feiras. No primeiro dia, já percebi que ele era um homem bastante calado. Mesmo assim, a gente se deu bem. Batíamos o maior papo durante o expediente! Manuel só trabalhava na parte da manhã e eu ia fazer faxina à tarde. Ele me contava sobre suas namoradas do passado e do relacionamento com a ex-mulher com quem teve três filhos. Eles tinham se separado havia dez anos. Eu falava para ele que não tinha sorte no amor e que já havia sofrido muito por causa do pai da minha filha, que chegou até a me agredir. Aos poucos, fomos virando amigos. Eu gostava de ir até lá limpar a casa dele e ficar conversando. Comecei a reparar melhor no Manuel e a admirar seu caráter, pois era uma pessoa muito boa e calma. Também ficava com pena por ele ser tão sozinho. Me sentia bem por poder fazer um pouco de companhia para ele. Cheguei a convidá-lo para jantar fora, como amigos, mas ele não quis, porque não era de sair muito de casa. Criei um carinho muito grande pelo Manuel.

Ele me surpreendeu e se declarou para mim!
Fiquei oito meses fazendo faxina semanalmente na casa dele. Mas eu queria um emprego melhor e prestei uma prova para ser cobradora de ônibus. Quando fui aprovada, me dirigi até a casa do Manuel para avisar que não iria mais trabalhar para ele. Cheguei lá e decidi fazer a limpeza da casa antes de contar a novidade. Nisso,ele puxou assunto comigo e colocou a mão no meu ombro. Achei aquilo muito estranho, pois ele nunca tinha me tocado. Mas não falei nada. Passei um pano na casa e depois disse a ele que era a última vez que eu estava fazendo a faxina, pois tinha arranjado outro emprego. “Faça isso não, você vai me deixar sozinho?”, ele respondeu. Mas o que me deixou de boca aberta foi o que Manuel disse em seguida: “Você fica dizendo que sou um coroa bonito e que estou muito sozinho. Você também está sozinha. Por que não vem morar comigo?”. Fiquei de queixo caído! E ainda tinha mais: ele disse que me amava e que queria se casar comigo! Aquela declaração me pegou totalmente de surpresa. Tomei um susto muito grande! Nunca pensei que um homem de classe média com ensino superior fosse querer ficar comigo e ainda assumir minha filha. Sem saber o que responder, falei que eu precisava de um tempo para pensar. Ele falou para eu não demorar. Fui embora completamente confusa. Em princípio, minha ideia era recusar. Estava decidida a nunca mais ter um marido, pois já tinha sofrido demais no meu primeiro casamento. Mas, por outro lado, eu gostava muito do Manuel. Era um homem especial, por quem eu já tinha um carinho imenso, embora não me sentisse atraída por ele.

A mãe dele é contra nosso namoro
Fiquei duas semanas pensando no assunto. Pedia conselho para os amigos e familiares, que me incentivavam a fazer o que meu coração mandava. Eu ainda não tinha me decidido quando ele me ligou para cobrar uma resposta. Eu disse que ia até a casa dele para conversarmos. Chegando lá, perguntei se o que ele queria comigo era sério mesmo, pois eu não podia mais sofrer. Ele reafirmou tudo o que já tinha dito, que queria casar comigo e que me amava. Acreditei no que Manuel disse e nos beijamos. Estávamos oficialmente começando a namorar! Mas não dá para dizer que é fácil. A mãe dele é completamente contra nosso relacionamento, porque eu era pobre. Ela acha que eu só estou interessada no dinheiro do Manuel e fica infernizando a nossa vida! Me ofende e tenta convencer o Manuel a desistir de mim. Tenho que ser forte para aguentar tantos desaforos. Mas eu procuro relevar, pois ela já é uma senhora idosa. As outras pessoas da família dele nunca recriminaram nossa relação. Mas também não dou motivo, viu? Me formei e estou trabalhando como enfermeira em um hospital na cidade. 

Superamos tudo juntos 
Dois meses depois de começarmos a namorar, já me mudei para a casa dele com a Maynara. Ela e o Manuel se dão muito bem, até parecem pai e filha! E ele é muito bom para mim. É um amor que nunca imaginei que pudesse existir. Manuel é carinhoso e meigo comigo, muito diferente do meu primeiro marido.
Quando fizemos um ano de relacionamento, oficializamos a união nos casando no civil. Eu queria ter dado uma festa, mas meu amor não curte essas comemorações. Foi um momento muito feliz mesmo assim! O Manuel é um presente que Deus me deu. Eu era uma pessoa muito frágil e ele faz com que eu me sinta mais forte. Eu o amo muito e me sinto amada e respeitada. Pensamos em ter um filho juntos, mas não deu certo. Apesar disso e das dificuldades, nunca pensei que eu pudesse ser tão feliz! Quem diria que um dia eu seria patroa na casa onde fazia faxina?

Marisa da Conceição Caetano, 37 anos, enfermeira, Recife, PE 

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11/05/2017 - 16:20

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