"Veja o que aprendi colecionando coisas sem valor"

Debora junta objetos que as pessoas consideram inúteis e cada um lhe ensinou uma lição, como ser confiante e lidar bem com dinheiro!

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DEBORA CRISTINA DOS SANTOS | <i>Crédito: Arquivo Pessoal
DEBORA CRISTINA DOS SANTOS | Crédito: Arquivo Pessoal
Aprendi cedo que tudo nessa vida tem seu valor. Mesmo coisas que a gente joga no lixo, como moedas de um centavo, lembrancinhas baratas de viagem. É que meus pais se divorciaram quando eu era criança e papai nunca pagou pensão. Minha mãe me sustentava sozinha e ainda me dava dinheiro para comprar lanche na escola. Aos 11 anos, já pegava latinhas de refrigerante na rua para vender num ferro-velho e pagar minha própria mesada. Juntava até R$ 60 por mês! Como não conseguia vender os lacres das latinhas, passei a guardá-los. Foi assim que me tornei colecionadora. 

Minhas coleções me ajudaram a melhorar como pessoa! 

Ao contrário das outras pessoas, que colecionavam selos ou cartões de jogadores de futebol, sempre gostei de juntar objetos que parecem inúteis. São coisas que têm valor sentimental pra mim, como as bolinhas de gude que me ajudaram a ser tratada como igual pelos meninos na escola, e com as quais aprendi muito. Enquanto juntava os lacres, por exemplo, descobria como é difícil ganhar dinheiro e que nem sempre dá pra comprar tudo que a gente quer. Foram cinco coleções ao longo dos últimos dez anos e cada uma tem um significado especial pra mim. Veja a seguir o que cada uma delas me ensinou! - DEBORA CRISTINA DOS SANTOS, 21 anos, administradora, Curitiba, PR

Dou valor ao dinheiro graças a estes lacres!


Uma vez, ao levar as latinhas de refrigerante para o ferro-velho, o dono do lugar me disse que os lacres não serviam pra nada e até ele jogava fora. Não quis acreditar que aquilo era inútil e resolvi juntar. Pra mim, aquilo era um símbolo do meu trabalho como catadora mirim, que se esforçava muito para ter o próprio dinheiro e ajudar minha mãe. Colecionei os lacres ao longo anos e, no final, tinha seis garrafas PET cheias deles. Aí sim consegui vender e lucrei R$ 90! 

Mais importante que essa graninha foi a mudança pela qual passei. Vender latinhas me ensinou o valor do dinheiro. Afinal, eu precisava de muitas pra conseguir uma grana razoável e passar o mês bem. Como consequência, aprendi a não torrar tudo o que ganhava de uma só vez. Guardava tudo num cofrinho e estipulava uma meta para usar durante a semana. Se tinha gastado mais num dia, colocava o pé no freio no outro para manter o equilíbrio financeiro. Até hoje faço isso. Atualmente tenho uma poupança e evito gastos supérfluos. Penso mil vezes antes de comprar uma roupa ou um acessório. Só compro quando estou precisando. Também ajudo com as contas da casa e vejo na prática como esquecer uma luz acesa, por exemplo, pesa no bolso no final do mês.”

*Esta história faz parte do acervo do Museu da Pessoa, que tem como missão registrar, preservar e disseminar a história de vida de toda e qualquer pessoa da sociedade. Fundado há 23 anos, o Museu da Pessoa já registrou mais de 16 mil histórias de vida. Conte sua história em nosso portal e conheça nosso acervo: www.museudapessoa.net

23/11/2015 - 10:00

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