Superação: "A traição do meu marido salvou nosso casamento"

Perdoar a infidelidade de Udenis fez com que o relacionamento de Luciene voltasse aos trilhos e renascesse

Texto: Caroline Cabral

A infidelidade do meu esposo nos permitiu construir um novo tipo de relacionamento, no qual abrimos o coração e não deixamos que os desentendimentos destruam nosso casamento | <i>Crédito: Arquivo pessoal
A infidelidade do meu esposo nos permitiu construir um novo tipo de relacionamento, no qual abrimos o coração e não deixamos que os desentendimentos destruam nosso casamento | Crédito: Arquivo pessoal
Conheci meu marido, o Udenis, em 1996, no casamento de uma amiga. Foi amor à primeira vista! Saímos algumas vezes e namoramos por cinco meses, até a mãe dele entrar na história para nos separar. O motivo? Eu não era virgem! O pior é que ele também não era. Mas o Udenis não desistiu: peitou a mãe e lutou pela nossa relação. Retomamos o namoro e, como nossos sentimentos eram verdadeiros, nos casamos um ano depois. Só que a maior provação para o nosso amor ainda estava por vir... 

Nosso casamento não andava bem 
Logo no primeiro mês de casamento, tivemos uma bênção: engravidei do nosso primeiro filho, o Bruno. Vivemos momentos de felicidade plena neste começo. Casar, morar junto, ser papai e mamãe... Mas o tempo foi passando e, quando nosso menino tinha 3 aninhos, minha vida estava a maior correria: me desdobrava para ser dona de casa, mãe, vendedora de loja e esposa exemplar. Claro que não dava pra cumprir todos esses papéis com louvor e acabei deixando de lado os mimos que dedicava ao meu marido. 

As coisas pioraram quando me enchi da imaturidade do Udenis. Ele não conseguia resolver nada sem falar com a mãe antes e parecia uma criança mimada, pedindo atenção o tempo todo. Como eu já tinha um filho para criar, uma casa para cuidar e um emprego para manter, fui deixando a função de esposa de lado. 

Aí, meu marido, que antes era supercarinhoso, percebeu minha mudança e foi ficando frio e distante. Ficamos quase um mês sem transar, mas o pior é que não rolava mais carinho e cuidado entre nós. Vivíamos sob a desculpa de que estávamos exaustos por causa do trabalho, mas a verdade é que o Udenis estava pulando a cerca! 

Descobri a outra e liguei pra ela! 
Comecei a desconfiar que estava sendo traída quando ele passou a chegar tarde do trabalho. Uma noite, esperei o Udenis dormir e abri sua carteira. Dei de cara com um número anotado em um pedaço de papel.

Na mesma hora, liguei para descobrir quem era a piranha! Quando ouvi a voz do outro lado da linha, descasquei o verbo: disse que ela estava destruindo uma família! A mulher me contou que era casada com um policial e jurou que aquilo não era nada demais. Pior: falou que se seu esposo descobrisse era capaz de mandar matar os dois! 

Desnorteada, passei o dia pensando no que fazer com aquela situação humilhante. Esperei o Udenis voltar do trabalho e mandei a real, falei que já sabia de tudo. Ele abriu o jogo: disse que o casamento estava desgastado e não me amava mais porque eu não o respeitava. O que eu não esperava era que meu marido fosse querer sair de casa! Então, reconheci que não dava mais tanta atenção a ele, só que não podia arcar com toda a culpa. Até tentei pedir para o Udenis ficar, mas não adiantou: ele fez as malas e partiu na manhã seguinte. 

Fiquei com muita raiva dele por vários dias. Além de humilhada, me senti abandonada e trocada, como se eu fosse a pior das mulheres! Após uma semana, quando a poeira baixou e fiquei mais calma, confesso que tive vontade de transar com alguém só para me vingar. Me faltou coragem. Devolver na mesma moeda não ia resolver nossos problemas. 

Ficamos separados por dois meses. Ele visitava nosso filho toda semana. No começo, me ignorava, mas, aos poucos, fomos voltando a conversar. Me sentia bastante culpada por ter deixado o casamento chegar àquele ponto. As conversas durante as visitas nos permitiram construir um novo tipo de relacionamento, no qual ele conseguiu se abrir e me contar o quanto as brigas o machucavam. No fim das contas, descobrimos que os desentendimentos foram destruindo nosso laço e nenhum dos dois se sentia amado. 

Juntos, concluímos que ele foi imaturo e nada companheiro, por isso me traiu. Eu, por outro lado, assumi que era muito autoritária. Nós dois erramos em vários momentos, mas em nenhum deles faltou amor e vontade de reparar os estragos. O Udenis garantiu que não ia mais ver a outra e decidimos passar uma borracha naquilo, focar em melhorar nosso casamento. Claro que ainda vivi alguns momentos de desconfiança. Acho que só quem foi traída sabe como é essa dor. 

Devagarinho, fomos melhorando, mantendo diálogos abertos sobre tudo que nos magoava. Nos propomos a mudar juntos! O grande recomeço veio com o nascimento do nosso segundo filho, o Saulo, um ano depois. 

Um dos passos mais importantes para que tudo desse certo foi garantir que esse assunto nunca surgiria em nossas brigas. Deixar para trás, de vez, é uma escolha que exige postura e comprometimento. Acho até que perdoar é mais difícil do que terminar: o perdão exige que você passe por cima do seu ego! Hoje somos palestrantes de casais na Igreja Evangélica, o que sempre me faz falar sobre esta história. 

A lição mais sagrada que aprendi sobre o perdão é que não dá para esquecer, mas perdoar verdadeiramente é mais que possível. E seguir em frente também! 

20/05/2016 - 10:48

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