“Reconquistei minha mulher após ser apagado da sua memória”

A luta que travei para recuperar o amor de Krickitt quando ela voltou do coma foi tão intensa e inspiradora que acabou virando livro e se transformou até em filme

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Kim e Krickitt Carpenter | <i>Crédito: Reprodução
Kim e Krickitt Carpenter | Crédito: Reprodução

 Dia 24 de novembro de 1993. Casados há dez semanas, Kim e Krickitt Carpenter sofrem um grave acidente de carro. Krickitt fica em coma por semanas. Ao despertar, perdeu parte da memória e não lembra do marido. Ele decide, então, fazer florescer um novo amor – Krickitt nunca recuperou as lembranças do que viveram antes do acidente. Um romance e tanto, que rendeu dois filhos, um livro e um filme, ao mostrar como o amor verdadeiro supera os mais difíceis obstáculos!

Paixão à primeira ligação

– Obrigada por ligar para a Jammin Sportswear. Sou Krickitt. Quando telefonei para a Jammin naquele outono de 1992, esperava ser atendido por um representante de voz entediada. Foi exatamente o oposto disso. Quando Krickitt disse “bom dia”, parecia realmente desejar que eu tivesse um bom dia. Enquanto discutíamos preços e cores, fiquei mais e mais interessado nela. Nossa conversa terminou, mas eu não parava de pensar naquela garota. Havia algo diferente e especial na voz e na personalidade dela. Era como se ela houvesse decidido ser a pessoa mais atenciosa e prestativa com quem seus clientes pudessem conversar. E de fato, para mim, ela era um sucesso estrondoso.

Uma batida e a vida mudou de rumo

O para-choque do nosso carro bateu na traseira do caminhão. Então, quando o carro começou a girar e Krickitt lutava para manter o controle, a caminhonete veio por detrás e se chocou contra nós, atingindo o lado do motorista. O impacto fez com que nosso automóvel saísse voando pelos ares. Ele voou por 30 metros, chocou-se contra o chão e rolou lateralmente, capotou uma vez e meia e deslizou por 32 metros, de cabeça para baixo, antes de parar no acostamento da estrada. Depois de sermos atingidos, não me lembro de ouvir nada nem de sentir qualquer dor imediata. O mundo parecia ter se apagado numa silenciosa e indolor escuridão.

Meu cérebro não aceitava que ela estivesse morta

Eu abri o envelope com a mão que não estava ferida e despejei o conteúdo sobre a outra. Vi o relógio de pulso que havia mandado fazer para presentear Krickitt... E também sua aliança de casamento. Quando lhe dei aquele anel, jurei protegê-la em tempos de necessidade e dificuldade. De repente, rasgando minha cabeça, veio a ideia de que ela estava morta. Eu estava muito descrente para ficar triste. Não era por não estar disposto a acreditar que minha esposa estava morta; simplesmente não conseguia acreditar. Eu me sentia incapaz de aceitar que aqueles olhos azuis haviam se fechado para sempre, e que eu nunca voltaria a ver aquele sorriso radiante que ela abria para mim do outro lado da mesa do jantar. Não conseguia acreditar que a mulher mais alegre e entusiasmada que conheci em toda minha vida fora arrancada de mim de forma tão selvagem. Meu cérebro simplesmente se recusava a processar a ideia de que, após dois meses de casamento, eu passava a ser viúvo. Viúvo.

Ela disse para o médico: “Eu não sou casada”

– Krickitt, você sabe onde está?, perguntou seu terapeuta. Krickitt pensou por um momento.  

– Em Phoenix.

– Isso mesmo, Krickitt. E você sabe em que ano estamos?

– 1965.

“Ela nasceu em 1969”, pensei. “É apenas um pequeno contratempo. Nada com que se preocupar”, disse a mim mesmo.

– Qual o nome do nosso presidente?

– Nixon. “Bem, Nixon era o presidente no ano em que ela nasceu”, eu justifiquei.

 – Qual o nome da sua mãe?

– Mary, disse ela, sem hesitação nem emoção. “Bem, estamos chegando a algum lugar. Obrigado, Deus!”

– Excelente, Krickitt. E qual é o nome do seu pai?

– Gus.

– Está certo. Muito bem. O terapeuta parou por alguns instantes antes de continuar.

– Krickitt, quem é seu marido?

Krickitt me olhou com os olhos vazios, sem qualquer expressão. Ela voltou a olhar para o terapeuta, mas não lhe respondeu.

– Krickitt, quem é seu marido? Krickitt olhou para mim novamente e voltou o olhar para o terapeuta. Eu tinha certeza de que todos podiam ouvir meu coração batendo enquanto eu esperava, em meio ao silêncio e ao desespero.

– Não sou casada.

“Não! Meu Deus! Por favor!” O terapeuta tentou mais uma vez.

– Não, Krickitt, você é casada. Quem é o seu marido?

Ela franziu a testa.

– Todd?, perguntou ela. “

Aquele ex-namorado que vivia na Califórnia? Deus, ajude-a a se lembrar!”

– Krickitt, por favor, pense com calma. Quem é o seu marido?

 – Eu lhe disse: não sou casada.


Recomecei a namorar minha esposa

Nós já havíamos percebido que nossos papéis no casamento estavam confusos. Estávamos vivendo como técnico e atleta ou como pai e filha, não como marido e mulher. Eu tinha o controle e esperava que ela seguisse as minhas ordens. Havia pouco da troca e da igualdade que caracteriza um casamento saudável.

– Acho que a velha Krickitt não vai mais voltar. É hora de você conhecer a nova Krickitt e de permitir que ela venha a conhecê-lo.  Vocês precisam recomeçar, criar um novo conjunto de memórias das quais Krickitt consiga se lembrar. Isso vai construir novos laços emocionais entre vocês.

– E o que devemos fazer agora?, eu perguntei.

– Como você conheceu a velha Krickitt?, rebateu Mike.

– Nós saímos para namorar. Fomos assistir a partidas esportivas, ao cinema, jantávamos com amigos...

– Então, permita-se conhecer a nova Krickitt do mesmo jeito.

– Começar a namorar minha própria esposa?, pensei em voz alta. Fiquei animado. Era uma nova oportunidade de fazer as coisas darem certo depois do acidente e uma nova chance de conhecer aquela mulher incrível. 



08/12/2015 - 09:51

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